“Entre histórias e textos uma vida se constrói” – Portfólio Autobiográfico
Intróito
“Prolegómenos”
Começar um texto colocando em seu título, primeira entrada cognitiva do trabalho, afora a capa, logicamente, uma palavra grega pode parecer estranho àquele que toma esta página para ler. Se o leitor conhece o termo “prolegómenos” ou sua forma aportuguesada “prolegômenos”, começamos bem. Caso contrário, uma breve explicação se faz necessária.
O presente trabalho tem como objetivo exercitar a produção do texto descritivo, tendo por base os textos teóricos e a experiência que nossa orientadora (professora, mestre, doutora e grande conselheira, um verdadeiro oráculo da produção de textos, com o perdão da expressão) nos passou durante as palestras (ou aulas) e os exercícios subseqüentes da disciplina. Tomando como Norte o que foi descrito acima, coube aos alunos produzirem uma seqüência de textos, quatro ao todo, utilizando sua experiência de vida segundo exigido nas orientações fornecidas. Agregados aos materiais produzidos anteriormente, entram este Intróito e a última página, o Epílogo. Como esta página se trata justamente de um intróito, nada melhor que fazer uso de uma palavra que signifique um prefácio, algo fundamental para a compreensão do que virá a seguir.
As próximas páginas tratam de momentos da minha vida que considero relevantes e pertinentes aos objetivos de cada texto por mim produzido para a disciplina. São etapas que constroem o meu Portfólio Autobiográfico. A meta, além de conseguir a graduação mínima necessária para a conclusão desta fase do curso de especialização, é aperfeiçoar a relação entre a construção de um texto descritivo, em sua essência, e o exercício de produção textual propriamente dito, parte fundamental da construção de um melhor profissional da Língua Portuguesa, em qualquer base profissional. Afinal, escrever bem não é fundamental para se comunicar, em qualquer plataforma?
Espero que os textos a seguir sejam, no mínimo, fonte de entretenimento ao leitor, além, claro, de estarem à altura dos requisitos para a conclusão da disciplina e seqüência do curso. Agora, vire a página e entre um pouco no meu mundo!
Parte I
“A Origem do Meu Nome”
Completando quatro anos de um casamento ainda sem filhos, as coisas já não estavam tão boas para meus pais. Como as duas famílias são “tradicionais”, os patriarcas esperavam que logo a união teria frutos, os primeiros da nova geração das duas famílias. No entanto, o par não conseguia engravidar. Seria a pressão dos parentes ou acaso do destino a não vinda do infante? A resposta fica subjetiva nos fatos que vêm à seguir.
Em 1979, morando sozinhos no Rio de Janeiro, longe da família paulistana e de sua “espera” por novos membros, o casal finalmente recebe a boa notícia: um bebê está a caminho. Empolgados, contam a novidade aos futuros avós, tios, primos e todo o rol de chegados e agregados. Com isso, começam as especulações sobre o sexo do primogênito – certamente uma menina, dizem os “especialistas”, embasando suas teses em formatos de barriga (vistos em fotos, logicamente), sintomas como enjôos e preferências por determinados alimentos, e outras crendices populares. Confiante de que seria um menino, minha mãe imaginava qual seria o nome de seu filho. Contudo, antes mesmo de ter um nome, eu já possuía uma alcunha: “o poeta”, por cujo apelido ainda respondo até os dias atuais.
A inspiração para o meu nome viria da terra de Morfeu, o reino dos sonhos, povoado pelas mais diversas imagens, cujas origens são desconhecidas aos simples mortais. Apesar de meus pais seguirem o Espiritismo e isso já dar margem para suposições da real origem – o que não pode ser questionado, já que os sonhos são fruto da atividade do subconsciente do ser humano –, André Luis veio da repetida aparição durante o sono de minha mãe e contrariou a todas as expectativas familiares, que já haviam adotado o rosa como o tom do momento.
A relação entre o nome escolhido e o seu significado etimológico pouco tem valor. Na verdade, são duas coisas distintas, já que de racional a opção por André Luis não tem nada. Derivado de “Ándreas”, de origem grega, meu primeiro nome faz menção à virilidade e à força de quem o carrega. O título que vem logo em seguida, Luis, tem origem um pouco mais obscura, germânica e oriunda de uma variação que o tempo não soube explicar. Seu semelhante aproximado seria “Ludwig”, comum na Alemanha atual. “Luis” batizou reis e tem sentido de guerreiro, lutador. Devo dizer que o resultado simbólico de André Luis não é dos piores, considerando minha história de vida e o que já superei até o momento presente.
Entre significados etimológicos, inspirações baseadas em sonhos, “o poeta” e o resultado dessa combinação de motivos, André Luis termina por representar uma figura peculiar em vários aspectos. E única, apesar do nome poder ser considerado comum, já que quem o carrega é um indivíduo – palavra essa cuja etimologia pode explicar melhor o que isso quer dizer, mas essa é outra história.
Parte II
“Memórias Musicais… Ou nem tanto!”
Depois de uma etapa até simples para a produção de um texto sobre a origem do meu nome, eis que sento frente à tela e engatilho meus dedos para disparar contra as teclas e começar um novo desafio: encontrar uma música brasileira que tenha significado em minha vida, de alguma forma. A verdade é que eu não fui criado ao som da MPB ou qualquer tipo de música brasileira. A trilha sonora da minha vida é estrangeira, em língua inglesa em sua maior parte. A primeira música que me vem à cabeça é “Twist and Shout”, dos Beatles, ou “Staying Alive”, do BeeGees, alguns dos favoritos da minha mãe. Apesar de meu pai ser fã de MPB e até tocar algumas canções do Raul Seixas na vitrola, nenhuma marcou tanto quanto os flashbacks internacionais.
Falando em vitrola, artigo já praticamente fora de uso atualmente, é justamente por causa dela que eu tenho esta única memória musical cantada em português. Quando crianças, meu irmão e eu gostávamos de ouvir aqueles disquinhos básicos que toda a criança nascida no início dos anos 80 gostava, como historinhas de contos de fadas, trilhas sonoras de programas infantis e coisas afins. Só que eu tinha o gosto por algo diferente, algo que me fazia rir e não fora feito para crianças. Aquele disco de capa verde, com traços típicos dos anos 70, de um cara chamado Eduardo Dusek, me fazia graça por suas letras irreverentes e instrumentação divertida. Naquela época, quando ainda morávamos no Rio de Janeiro, a inocência da idade não me permitia ver nada além do conjunto de palavras engraçadas do cantor. Obviamente, com o ouvido apurado e a malícia já incorporada na cultura, a letra já faz mais sentido do que nesta “Era”. A música que mais me agradava era “Rock da Cachorra”, escrita por Léo Jaime. A canção falava da troca de um cachorro por uma criança pobre, o que para mim soava tão absurdo quanto os “baptubas” cantados em coro. O riso copioso vinha da hora em que Dusek dedicava a música para a “cachorra chamada sua-mãe”, quem quer que ela fosse, tipo de linguajar que tinha como pagamento um belo tapa na boca dentro de casa, uma vez que qualquer palavra de baixo calão ou expressão chula tinha como repressão um tapa ou castigo. Como era parte da música, não tinha problema, todavia.
Chegando mais à frente na linha do tempo, quando já tenho idade suficiente para escrever um texto sóbrio e coerente sobre o assunto (ou seja, hoje), é ainda engraçado escutar o tal rock. Olhando mais de perto o que tenho de memórias da época em que morava na Cidade Maravilhosa, quando não era tão violenta e eu não conhecia muita gente, pouco me resta. Lembro do cheiro da areia do parquinho, do mar da Praia do Leblon, da nossa vizinha, uma senhora idosa que costumava nos visitar sempre, e de algumas passagens da escola. Não me esqueço de um beijinho furtivo que uma coleguinha me roubou quando estávamos escondidos atrás da cortina do quarto dos meus pais e de como fugíamos da minha mãe quando ela vinha com aquela colher gigante de óleo de fígado de bacalhau.
Um ano depois disso, nos mudamos para São Paulo, para perto da família – e dos problemas subseqüentes – e isso foi o início de uma total revolução em minha pacata vida até então. Com a vida não mais em harmonia, meus pais sucumbiram ao desejo de aumentar a família. Minha mãe sempre quis ter uma filha, mas a fábrica (que já se encontrava fechada à época) só produzira “machinhos”. Em 1986, meus pais adotaram duas crianças de um orfanato, um menino e uma menina; dois “irmãos” com quem hoje eu não tenho contato maior do que saudações em aniversários e datas familiares. Porém, um ano depois, veio uma luz na nossa vida, meu irmão mais novo, também de um útero diferente daquele de onde vim, mas que se encaixou como se seu sangue fosse “A” positivo.
Fazendo referência à letra de Léo Jaime e com certo tom de ironia, não tivemos um cachorro nesta fase da vida. Como haveríamos de ter algo mais em uma casa que já “hospedava” cinco filhos, pai e mãe. Gatos, contudo, sempre tivemos, não sei por que razão.
Olhando mais de perto o tempo que passou, como quem vira as páginas de um livro grosso, pesado e já começando a ter páginas amareladas, creio que eu possa dizer que tenho muito mais que uma notícia nobre na história da minha vida, como diz a música. E tudo isso de uma memória musical esquecida, que eu não fazia questão de lembrar, mas que um trabalho de pós-graduação traz de volta.
Rock da Cachorra
Interpretada por Eduardo Dusek e composta por Léo Jaime
1.Uauuu, Uauuu, Uauuu… Ahhh…
Uauuu, Uauuu, Uauuu… Uhhh…
Baptuba, uap baptuba
Baptuba, uap baptuba
Baptuba, uau uau uau uau uau
Baptuba, uap baptuba
Baptuba, uap baptuba
Baptuba, uau uau uau uau uau
2.Troque seu cachorro por uma criança pobre (Baptuba, uap baptuba)
Sem parente, sem carinho, sem ramo, sem cobre (Baptuba, uap baptuba)
Deixe na história de sua vida uma notícia nobre
Troque seu cachorro (uauuu)
Troque seu cachorro (uauuu)
Troque seu cachorro (uauuu)
Troque seu cachorro (uauuu)
Troque seu cachorro por uma criança pobre
Tem muita gente por aí que está querendo levar uma vida de cão
Eu conheço um garotinho que queria ter nascido pastor-alemão
Esse é o rock de despedida pra minha cachorrinha chamada “sua-mãe”
É pra Sua-mãe (é pra Sua-mãe)
É pra Sua-mãe (é pra Sua-mãe)
É pra Sua-mãe (é pra Sua-mãe)É pra Sua-mãe
Esse é o rock de despedida pra cachorra “Sua-mãe)
Seja mais humano, seja menos canino
Dê güarita pro cachorro, mas também dê pro menino
Se não um dia desse você vai amanhecer latindo, uau, uau, uau
Troque seu cachorro por uma criança pobre (Baptuba, uap baptuba)
Sem parente, sem carinho, sem ramo, sem cobre (Baptuba, uap baptuba)
Deixe na história de sua vida uma notícia nobre
Troque seu cachorro por uma criança pobre (Baptuba, uap baptuba)
Sem parente, sem carinho, sem ramo, sem cobre (Baptuba, uap baptuba)
Deixe na história de sua vida uma notícia nobre
Baptuba, uap baptuba
Baptuba, uap baptuba
Baptuba, uau uau uau uau uau
Baptuba, uap baptuba
Baptuba, uap baptuba
Baptuba, uau uau uau uau uau
Parte III
“Recordar é viver… Novamente!”
Quando me foi dada a missão de pesquisar a origem do meu nome, pensei que havia encontrado um grande obstáculo pessoal. A origem do meu nome seria uma história tão complicada? Na verdade, não. A exposição, sim, seria problemática. Considero-me um bom orador, alguém que se expressa bem e tem boa retórica. Só que estas características se aplicam para assuntos relativos ao meu conhecimento, a temas que estão dentro do domínio profissional ou acadêmico, não da vida pessoal. Superada esta primeira fase, veio o segundo texto, cujo tema era um pouco mais delicado (e ainda mais pessoal) já que se tratava de uma música que trouxe à tona algumas memórias que estavam guardadas em cantos mais obscuros da cabeça e do coração. Com um pouco mais de tranqüilidade, o escrevi. Não pude ler para a sala por motivos de força maior, mas o mostrei à professora, que gostou e sugeriu aparar algumas arestas.
Chega agora a terceira fase do processo: escrever sobre algo que esteja guardado de recordação e o motivo pelo qual representa tanto para ser um tesouro que mantenho próximo de mim há tantos anos. Quase vinte anos, na verdade. Posso dizer que tenho muitos tesouros deste tipo guardados. Cartas, fotos, pequenas lembranças de tempos bons já passados, mas que ainda têm suas sementes gerando frutos hoje. Algumas até estão em meu corpo, como quando entrei na faculdade e resolvi fazer uma tatuagem para marcar na minha casca uma mudança no meu espírito. Contudo, nada disso serve como mote para este texto.
Minha relação com a literatura começou quando ainda era pequeno, antes da idade escolar. Comecei juntar as letras com três anos de idade, copiando letreiros ou seguindo as orientações da minha avó materna. Logo comecei a ler histórias em quadrinhos, livrinhos de contos e afins. Quando entrei na escola, os livros de História sempre foram minha paixão. A literatura propriamente dita não tinha tanto espaço – coisa que se repete ainda hoje – em minha prateleira. Mas, como não podia faltar um “mas”, já que sem ele não haveria o grande clímax do texto, tenho dois livros que simbolizam meu primeiro contato com clássicos mundiais (vale fazer uma ressalva neste ponto da prosa: o primeiro “clássico” nacional que tive o prazer de ler foi “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, mas não tenho mais esta edição comigo hoje. Continuando…). Em 1990, fiz uma visita a um sebo pela primeira vez. Lembro-me que vi uma publicação que me chamou a atenção porque tinha o mesmo nome de um desenho que eu adorava na TV: “A Volta ao Mundo em 80 Dias”. O autor, Julio Verne, eu já conhecia, pois já tinha visto os filmes de “20 Mil Léguas Submarinas” e “Viagem ao Centro da Terra”. Não tive dúvidas e o levei para casa. A primeira data que coloquei para começar a leitura foi 17 de janeiro de 1990, só que foi fajuta, já que não virei página alguma naquelas férias. A leitura começou mesmo nas férias seguintes, precisamente no dia 21 de julho (data também grafada na página, em garranchos não melhores do que os atuais). Neste mesmo ano, um dos que mais tenho lembranças, na verdade, ganhei o segundo livro a que me refiro como tesouro neste texto: “Moby Dick”, de Herman Melville. Foi no meu aniversário. Um vizinho meu, com quem eu não costumava brincar, mas que era meu fiel companheiro de leitura de quadrinhos (adultos, só para constar, nada de Turma da Mônica), foi quem me deu o presente. Em sua dedicatória, ele faz questão de ressaltar seus tímidos votos de felicidades em meu décimo primeiro aniversário.
Chegando agora ao grande ponto, ao real mote deste texto, guardo estes dois livros com muito carinho por duas razões distintas. A primeira delas, e mais sentimental, é o fato de que ambos entraram em minha vida no mesmo ano e são as únicas lembranças físicas que me restaram de toda a minha infância e adolescência. De verdade. Minha vida já mudou de lugar muitas vezes, literalmente. Já mudei de casa mais de 15 vezes em meus 30 anos de existência, sem grandes explicações sobre o caso. Logo, fica complicado estocar grande quantidade de artigos que não são “essenciais” e que servem apenas como excesso de bagagem. E essa é uma cultura que eu mesmo desenvolvi, sem força maior como motivação. Minha imaginação e minha memória são muito grandes (tenho um grande HD na minha cabeça) e totalmente funcionais. Por isso, prefiro manter tudo guardado lá dentro – onde nunca se perderão, se forem realmente significativas para mim.
Rumando para o final desta terceira parte do meu “Portfólio Autobiográfico”, chega a segunda razão pela qual mantenho dos dois livros até hoje. Antes de mais nada, devo dizer que não tenho nada contra quem gosta da literatura “moderna”, ou voltada para os jovens de hoje, caso dos “Crepúsculos” da vida e afins. Eu não gosto. Na verdade, levo muito a sério o que leio e não acho que este tipo de “literatura” acrescente nada para ninguém. São todos muito bonitinhos, muito simpáticos e entretém. Fato. Todavia, são tão efêmeros quanto o dia de ontem, que já passou e muito pouca gente vai se lembrar sequer do que tomou no café da manhã. Simples assim. Títulos como “Memórias Póstumas”, “Moby Dick” e “A Volta ao Mundo em 80 Dias” são ultrapassados, concordo. Seus temas já não fazem hoje o mesmo sentido que faziam na época em que foram escritos – um período de grandes mudanças e de incertezas do futuro. Mesmo assim, quando eu tiver o prazer de sentar ao lado da cama de meus filhos (que ainda chegarão, tenho certeza, um dia) e ler para eles uma história, estes títulos serão alguns dos muitos que estarão na lista, ao lado de muitas outras obras que estimulem a imaginação e resgatem um pouco do que é ser criança e viver sob o escudo da inocência enquanto ainda for possível.
Parte IV
“Construindo o futuro, literalmente!”
Três etapas deste trabalho já se foram. Três pedaços de uma história que sempre está em mudança – afinal, o presente ainda está em movimento, sujeito ao que o destino nos reserva. Isso para mim é balela e essa declaração me faz cair em contradição, admito. Não creio em destino. Acredito que isso seja uma desculpa para justificar os erros injustificáveis. Quando se faz as coisas corretamente e acertamos bem no meio do alvo dos nossos objetivos, é sorte. Se isso for verdade e eu decidir me guiar com esta bússola, atesto e reconheço firma de que não sou dono do meu nariz, não conduzo o meu barco ou o meu “destino”, deixo na mão do acaso, outra força popular para justificar histórias que se cruzam, que dão certo ou errado. Filosofias à parte, os textos anteriores serviram para agitar a garrafa e misturar aquele pozinho que fica no fundo do vidro, nossas lembranças que já não estão mais perto dos olhos ou da memória de mais fácil acesso, cotidiana. Isso tudo me fez refletir sobre o que estou fazendo hoje, para onde estou indo.
Encontros e desencontros acontecem, fazem parte da vida. Sempre fui um rapaz tímido. Cheio de idéias e de pensamentos profundos sobre as coisas, mesmo que nem sempre coerentes e dignos de lógica sustentável. Acontece. Quando entrei na faculdade, estava buscando uma saída para a grande dúvida que define a vida – o que ser quando crescer? Pode soar absurdo que um cara de 25 anos não saiba o que quer da vida. Com um quarto de século já completo, um já havia passado por um considerável número de experiências, coisa que pessoas não passam em uma existência média inteira. Só que eu sempre fui o suporte, aquele que ajudou outras pessoas a se levantarem e a se manterem de pé. Não digo isso pensando mal, aprendi muito com isso e o fiz por amor, de verdade. Até os 25 anos, fui o “escudeiro” de muita gente. Aproveitando a imagem, havia chegado a hora de carregar minha própria armadura e enfrentar a vida. Assim o fiz, com a cara e com a coragem, e encarei o desafio de estudar Letras e mudar totalmente o rumo da minha história.
No primeiro ano do curso, muita coisa nova, oportunidade de conhecer gente nova. De peito aberto, me permiti conhecer as pessoas. Com essa atitude, conheci alguém que seria fundamental nesta mudança de atitude. Depois de três encontros e da minha total falta de noção do que fazer para conquistá-la, o primeiro beijo aconteceu. Uma troca de carinho que me motiva até hoje. Deste dia em diante, passados mais de cinco anos, encontrei alguém para dividir meus sonhos e criar novos, em conjunto.
Tempos difíceis vieram em seguida, tanto para ela quanto para mim. Porém, mesmo com sofrimento, juntos passamos por tudo, inteiros e firmes, crescendo cada vez mais. Entre nós, não há escudeiros, somos iguais e lutamos por nossos ideais comuns. Deve ser por isso que deu – e dá! – certo. O maior símbolo do que conseguimos juntos é nossa casa. Em 2007, quando nós dois havíamos acabado de começar em novos empregos e tivemos nossas esperanças de uma vida melhor renovadas, surgiu a chance de comprarmos nosso canto, muito simples e ainda no projeto, mas nosso. Novamente, com coragem, fizemos acontecer nosso futuro e assinamos o contrato. Hoje, já não está mais no papel e já não é mais sonho, é concreto e de alvenaria, é um endereço de verdade.
O que vem pela frente, não posso afirmar com certeza. O que sei é que tenho as rédeas da minha vida em minhas mãos e depende de mim, e só de mim, fazer acontecer o que planejo. É claro que os percalços surgem, que cabe a mim (e a nós) ter a cabeça fria e a inteligência de saber a melhor forma de seguir em frente. Não há tempo para retroceder e remoer o que já passou. As conseqüências do que fizemos ontem e o que fazemos hoje sempre estarão presentes, sei disso. Só que elas me fizeram ser quem sou hoje e o que quero para mim amanhã. Portanto, cabe a mim aproveitar o que de melhor – e de pior – passou de forma positiva e buscar meus objetivos. Quem constrói o meu futuro sou eu (e os pedreiros que estão quase terminando meu apartamento!).
Epílogo
“Páginas abertas e páginas viradas”
Quando se propõe um exercício de reflexão como este que realizei e concluo com estas palavras, há prós e contras, muitos, na verdade. Escrever nem sempre é um exercício que as pessoas estão acostumadas a fazer. No meu caso, é uma prática diária, apesar da motivação ser diferente, já que as palavras que coordeno textualmente pagam as contas, inclusive deste curso que se conclui hoje. Entendo perfeitamente que articular um texto falando sobre si próprio não é tarefa fácil. Nunca pensei que falaria sobre tantas coisas pessoais e nunca refletiria sobre minha vida dessa forma, visando uma nota – e meu crescimento intelectual. Funcionou!
Olhando para trás, tudo o que vivi, mesmo quando ainda não era consciente do que fazia, faz parte do que sou hoje, do meu caráter e da minha personalidade. Arrisco dizer que minha “habilidade” (entre aspas, já que isso é relativo segundo cada leitor) só existe por causa dessa história. Saio dessa experiência sabendo que sou quem eu sou hoje por causa de cada experiência que vivi e que esta, hoje, é mais uma etapa que venço e que me faz mais forte, maior.
Agradeço à mentora que me proporcionou a oportunidade de fazer este exercício – e muitos outros implícitos no processo, claro! – e à minha cara-metade, que me inspirou hoje a sentar-me na frente do computador e conseguir juntar os vocábulos de forma coerente. Digo isso porque a semana que antecedeu a entrega deste trabalho me foi uma das raras fases de escassez de criatividade. Tanto no trabalho quanto no estudo, é como se as páginas da minha mente estivessem em branco até a presente sexta-feira. Contudo, as linhas foram se preenchendo – até de forma inteligente, diga-se de passagem – e termino este epílogo agora, certo de que estou no caminho certo e que estou pronto para o que vem pela frente.
em novembro 17, 2009 em 11:43 am
Meu poeta, não é a toa que sempre te chamei assim… mais uma vez voce está reafirmando isso! Mas voce não explicou a razão disso, além de ser muito esperado por todos, voce trouxe poesia para a minha vida.
Viajei com voce, mergulhei na nossa história (sofrida as vezes), mas construída com muito amor.
Voce não imagina o orgulho que sinto, além da emoção que toma conta de mim.
Sua trajetória sempre foi brilhante e linda, e tenho certeza de que voce crescerá muito mais em todos os aspectos da vida, porque a sua essencia é grandiosa.
Te amo,
Mamis
em novembro 18, 2009 em 10:08 pm
É isso aí campeão! Alfafa!
Eduardo Dusek era demais mesmo!
Sua trajetória reflete muito a minha, afinal são 28 anos de parceria. Depois de ler sobre a origem do seu nome não pude me furtar de pensar na origem do meu, e se eu fosse falar do meu nome só poderia dizer que foi você quem deu (confesso que isso me emocionou!). Afinal, eu era seu boneco…e hoje companheiro eterno.
EEE Não se esqueça que além de poeta, você é o “Barbudinho da mamãe” rsrs
Quando crescer quero ser como você!
Te Amo!
Jão!
em novembro 23, 2009 em 12:03 pm
André, parabéns!
Não sabia desse seu veio artístico, que curiosamente coincide com o meu!
Esse é um ótimo começo. O caminho é bastante extenso e exige dedicação e aperfeiçoamento constante. Mas como já está nele, fica mais fácil. Continue lendo e escrevendo. Ler aumenta nossos recursos literários teóricos, enquanto que escrever nossas habilidades práticas.
Esteja aberto às críticas, afinal de contas, escrevemos sempre para um leitor, que tem opinião própria, nem sempre coincidente com a nossa. Respeite-as, mas respeitando também a sí próprio, o que você é e o que pretende ser.
Seja fiel aos seus ideais e não permita que alguém menos afortunado os roube desafortunadamente.
Escreva bastante pois quando escrevemos conseguimos organizar melhor nossos próprios pensamentos e sentimentos, o que nem sempre fica claro pra gente.
Se quiser compartilhar novas escritas, fique à vontade, pois assim saberei que também poderei fazê-lo, de minha parte.
em novembro 23, 2009 em 8:08 pm
André,parabéns!Sempre soube que voce é um grande talento.Acreditamos em voce e em sua capacidade não só como profissional,mas também como ser humano.
Tia Cris
em setembro 14, 2010 em 3:12 pm
Oi meu amor!
Estava mostrando seu blog para um dos meninos do trabalho e me deparei com seus textos para a pós. Senti vontade de deixar meu comentário, coisa que não tinha acontecido naquela época, mas antes tarde do que nunca, não?!
Sempre disse que você escreve bem e que deveria colocar no papel – no seu caso, na tela, já que somos pessoas totalmente opostas nesse sentido – suas ideias e pensamentos. E eu estava certa! Conhecendo bem essa sua mente (um tanto insana, eu diria), que nunca para de funcionar, consigo te ver claramente em cada palavra, em cada piadinha infame, em cada ironia camuflada nos seus textos.
Fico muito feliz por poder assistir de camarote a sua evolução! Do rapaz tímido da faculdade, você se transformou em um profissional que fala, com total segurança, do seu trabalho e dos seus projetos, e sempre quer mais e melhor! Mas o seu “mais e melhor”, seu talento e sua inteligência não sobem à cabeça, e posso, ao mesmo tempo, ter ao meu lado o “Profissional Senhor Texto” e o “Menino André”, com todas as palhaçadas, vozes estranhas, piadinhas internas e dancinhas ridículas que só você sabe fazer.
Amo-te muito e espero que nossas conquistas – que foram várias, mas especiais em 2010 – nos tragam novos caminhos e muita vontade de desbravar novos horizontes do conhecimento, sempre juntos, claro!
É um privilégio poder compartilhar minha vidinha com você, mino!!
Bjo (no coração?!?!?-kkk) da Pqna