Humor e crítica multimídias
Danilo Gentili colhe os frutos do sucesso de seu stand-up ao vivo e lança livro e DVD
Por André Cavallini
Politicamente Incorreto. Uma autodefinição ou o título de seus mais recentes trabalhos? Essa é a dúvida que fica no ar depois de uma rápida leitura das abas e da sinopse do segundo livro de Danilo Gentili. Mais conhecido por suas entrevistas divertidas e inteligentes no programa Custe o Que Custar, mais conhecido como CQC, que vai ao ar pela Rede Bandeirantes na TV, e por seus shows de comédia stand-up, Gentili inovou no final de 2010 quando teve seu mais novo espetáculo humorístico exibido ao vivo pelo portal UOL e foi visto por mais de um milhão de internautas, fora as centenas de milhares de acesso no YouTube e no próprio UOL posteriormente. O nome do show era justamente Politicamente Incorreto e seu timing para exibição foi minuciosamente planejado – foi ao ar no final de semana de eleições no Brasil.
Contudo, Danilo Gentili decidiu expandir seu novo trabalho e adaptou seu texto para outras mídias, como a literatura e o home vídeo, lançando Politicamente Incorreto na forma de livro, pela Panda Books, e DVD, de forma independente. Para lançar a versão impressa de seu stand-up, Gentili participou de um evento na Saraiva Megastore do Shopping Pátio Paulista, em São Paulo (SP), no início de fevereiro. Muitos fãs e curiosos lotaram a loja, inclusive uma jovem que passou mais de sete horas na fila para ser a primeira a ter seu exemplar autografado por seu ídolo.
Durante o evento de lançamento, Danilo Gentili conversou rapidamente com Ver Video e falou sobre seu recente trabalho chegando ao mercado de forma multimídia.
Ver Video – O que te motivou a escrever um livro baseado no seu show de stand-up e a produzir um DVD? Foi o sucesso do espetáculo ou já era um plano seu lançar ambos?
Danilo Gentili – O que me motivou na verdade foi a possibilidade ter mais um veículo para eu poder me expressar, para as pessoas ouvirem o que eu digo. Penso que no Brasil há muito pouco disso. Os comediantes nos Estados Unidos e na Europa, lugares em que a cultura do stand-up é mais difundida, têm o hábito de transformar seus shows em outros produtos depois, como livros e DVDs, os caras aproveitam como podem seus shows. Claro que é mais uma forma de capitalizar sobre um show que eu escrevi, mas também é outra ferramenta para atingir mais público. Acho que quem escreve para comunicar, tem sempre que achar novas formas de alcançar mais público. Além do livro, que pode ser lido em qualquer lugar, temos também o áudio-livro, que pode ser consumido pelo deficiente visual ou escutado dentro do carro; teremos o DVD, com um material bem completo. Tive muito cuidado para preparar o produto, escolhi bem os Extras – tem vários inéditos. Tudo isso, fora a internet, onde quem quiser pode acessar a qualquer momento, de graça, o show. Eu tentei alcançar todas as mídias possíveis com Politicamente Incorreto.
VV – Qual o conteúdo do livro? É diferente do show que foi visto pela internet no ano passado?
Gentili – O texto do livro é o mesmo que escrevi para o stand-up, mas como o lançamento está acontecendo depois da época das eleições, consegui incluir algumas piadas pós-eleições que não estavam no original.
VV – Você esperava tamanho sucesso? Foram mais de um milhão de acessos para ver sua apresentação no UOL.
Gentili – Eu não esperava, não (risos). Para te falar a verdade, eu nem imaginava que o livro pudesse sair, por causa do seu conteúdo.
VV – Sobre o DVD, como você planeja lançar? Já tem data definida?
Gentili – É um trabalho totalmente independente que estou fazendo com o DVD. A previsão era que estivesse disponível a partir da segunda quinzena de fevereiro. Inicialmente, fizemos duas mil cópias e já tínhamos diversas lojas interessadas em distribuir o produto. Com isso, acredito que o DVD de Politicamente Incorreto esteja nas lojas já no começo de março.
Entrevista publicada na edição 212 da revista Ver Video (março/11).
Foto de Marly Pereira.
Os bastidores do poder
A superprodução inglesa Os Pilares da Terra está chegando ao Brasil. Dividida em quatro partes, esta superprodução está chegando ao home vídeo em DVD e em Blu-ray
Por André Cavallini
Filmes que tratam de grandes momentos da história da humanidade chegam com frequência ao mercado brasileiro e são sempre requisitados pelo público, que gosta de ver como vivíamos no passado e como a sociedade se comportava em outros tempos. A Inglaterra foi palco de grandes mudanças ao longo dos séculos e tais eventos marcaram o rumo do nascimento de outras grandes nações, inclusive a nossa. Os Pilares da Terra retrata a Grã-Bretanha do século 12, quando uma guerra pela sucessão do trono tem início na família real, ao mesmo tempo em que a corrupção e a ambição tomam conta dos níveis mais altos da igreja. E a linha que conecta as duas histórias é a destruição de uma igreja e o início da construção de uma catedral.
A série de quatro filmes de Os Pilares da Terra teve origem no best-seller de Ken Follett, lançado no Brasil pela Editora Rocco, em dois volumes. Sua versão para o home vídeo chega em quatro discos, lançados separadamente. Os Pilares da Terra I – Destruição do Templo chegou em 19 de janeiro de 2011 (DVD e Blu-ray, com muitos extras e dublagem em português); o volume II – Redenção, em 31 de março; os números III – O Legado e IV – Obra dos Anjos chegam juntos em 18 de abril.
Para falar mais sobre estes como Os Pilares da Terra chegou ao país, entre outros assuntos, Ver Video conversou com Marcelo de Sousa, responsável por trazer esta série e vários outros épicos lançados pela Paramount. Confira!
Ver Video – Marcelo, como chegou às suas mãos o filme Pilares da Terra?
Marcelo de Sousa – Fui apresentado ao filme há dois anos. Naquela ocasião ele ainda estava em fase de projeto e os produtores fizeram uma apresentação em Cannes. Como ainda não tinha lido o livro, fiz uma pesquisa e descobri que era um best-seller de quase 20 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo – e também com um desempenho excelente no Brasil. Calcado nestas informaçõesm no ano seguinte, já tendo visto um promo de 5 minutos e sabendo do espetacular elenco e dos fantásticos realizadores que estavam por trás da produção, fiz a aquisição do filme.
VV – O material já veio dividido em partes ou foi opção de vocês lançarem Pilares em volumes separados?
Sousa – Originalmente, ele foi produzido em quatro filmes de 110 minutos, aproximadamente. E da mesma forma que O Senhor dos Anéis e Harry Potter, você pode assistir aos filmes separadamente, com começo, meio e fim individuais, mas todos têm uma ligação entre si.
VV – Este será o seu primeiro lançamento em Blu-ray? Qual a sensação de entrar na alta definição, ainda mais com uma produção dessa qualidade?
Sousa – Acho que é um processo natural e nada mais acertado do que começar com uma produção épica de 40 milhões de dólares. Os materiais importados do filme são de última geração, o que vai garantir uma perfeita qualidade de áudio e vídeo, o que vai agradar os clientes mais exigentes. Tanto o BD quanto o DVD vão estar recheados de extras e com som 5.1.
VV – Qual a sua expectativa com relação ao filme Pilares chegando ao mercado?
Sousa – A expectativa é enorme. Conversei com os produtores semana passada e eles disseram que as vendas de BD e DVD começaram quebrando recordes em alguns países da Europa. Na Alemanha, por exemplo, já foram pré-vendidas 100.000 unidades. Aqui, queremos bater nosso recorde e temos tudo pra isso.
VV – Além de Pilares, você também teve lançados pela Paramount uma série de filmes de teor histórico, como Arn – O Cavaleiro Templário e O Desafio de Darwin, entre outros. Este é um estilo da sua empresa ou foi a ocasião que propiciou os lançamentos?
Sousa – Buscamos os gêneros que o publico brasileiro mais gosta e um deles é os épicos. Arn – O Cavaleiro Templário, lançado ano passado, é até hoje nosso título mais vendido. E agora estamos trazendo, além de O Desafio de Darwin, Henrique IV – O Grande Rei da França, que é um filme impecável, uma grandiosa produção.
VV – Você tem planos para lançar outros filmes em Blu-ray?
Sousa – Sim, já estamos programando o filme O Retrato de Dorian Gray, com Ben Barnes e Colin Firth, que entra em cartaz no cinemas no início de 2011.
Texto publicado na edição 209 da revista Ver Video.
Entrevista com Lella Smith, da Disney
Texto escrito para a edição 201 de Ver Video, mas publicado parcialmente na edição 204.
Tesouros bem guardados
Durante a preparação da versão restaurada de mais um clássico, os arquivistas da Disney encontraram raridades. Lella Smith, diretora de criação deste departamento conversou com VER VIDEO e falou um pouco sobre o assunto e muito mais!
Imagine a quantidade de personagens, roteiros, recortes de filmes, rabiscos originais e uma infinidade de papéis que fazem parte do processo criativo para a produção de uma animação da Disney. Na era dos computadores, em que tudo é feito na tela e com um mouse na mão, fica fácil pensar em gigabytes e HDs para guardar tudo. Porém, quando se trata de produções do início do século 20, a história muda um pouco. Dezenas de milhares de itens circulavam pelas mãos dos envolvidos nos projetos e, ao final de tudo, isso precisa ser guardado em algum lugar. É neste momento em que entravam em ação os arquivistas do estúdio, que tentavam organizar as coisas de modo que ficassem facilmente acessíveis no momento em que forem necessárias novamente. Com o passar do tempo, o acúmulo era inevitável e um problema acabou se formando: o que fazer com tudo? Outro sério assunto relacionado aos arquivos da Disney é a conservação dos materiais. Como fazer para manter tudo preservado e nas melhores condições para o uso futuro, ainda mais quando não há um prazo para isso?
O tempo passa e o volume de itens arquivados nunca diminui, pelo contrário. Na década de 1990, entra no time Lella Smith, que havia dedicado boa parte de sua vida até o momento a trabalhar em museus e institutos de arte, e era especialista em administrar acervos grandes, como o da Disney. E ela tratou de colocar a casa em ordem, o que foi fundamental para a evolução que surgiu nos últimos anos com o advento da alta definição e o enorme espaço que se tem para Extras nos discos.
Atualmente, a Disney tem investido em restaurar e lançar de forma especial seus clássicos animados, como fez com Branca de Neve e os Sete Anões, A Bela Adormecida, Pinóquio, e próximo lançamento, Dumbo, que tem previsão de chegada para o início de junho em DVD e Blu-ray. Com isso, o trabalho da equipe de Lella Smith aumentou e foi necessário incluir um time especializado em digitalização e tratamento de imagens para imortalizar o trabalho de arte dos antigos desenhistas e coloristas. Lella conversou com VER VIDEO e falou sobre o processo de trabalho dela e seu departamento, e muito mais. Veja a seguir!
Ver Video – Muita gente no Brasil nunca ouviu falar da ARL antes. Conte-nos um pouquinho sobre este departamento da Disney, por favor.
Lella Smith – Quanto tempo você tem disponível para essa entrevista? (risos) A ARL é responsável por guardar e preservar todos os arquivos de “artwork” (desenhos e rascunhos) de todos os filmes de animação realizados pela Walt Disney Studios desde da década de 1920. Isso para materiais físicos. Os arquivos digitais que resultam das animações mais recentes são arquivados em outro departamento, relacionado a tecnologia.
VV – Vocês lidam com a restauração também?
Lella – Nosso trabalho começa antes e termina depois da restauração. Quando é feito um projeto de relançamento de algum filme clássico, como o caso de Dumbo, que é o mais recente, os restauradores vêm ao ARL e escolhem a dedo o que querem do nosso acervo. Depois, digitalizamos os originais e partimos daí para a parte “tecnológica” do processo. Então, quando tanto vídeo quanto áudio são restaurados, começa a parte de preparação dos Extras dos produtos. Novamente, os técnicos escolhem o material que utilizarão e o processo se repete até que o produto que chegará ao home vídeo esteja completo.
VV – Quantas pessoas trabalham no seu departamento?
Lella – Cerca de 25 profissionais, incluindo aqueles que lidam com os materiais físicos e com a digitalização. Hoje temos mais de 800 mil arquivos digitais em nossa central de computação, já restaurados ou em processo de revitalização.
VV – E qual o tamanho do acervo físico?
Lella – Temos mais de 60 milhões de itens de arte guardados. Portanto, ainda temos um longo caminho pela frente!
VV – Você tem viajado pelo mundo levando consigo uma exposição com algumas das peças mais interessantes do acervo do estúdio. Como tem sido essa experiência?
Lella – É incrível como as pessoas têm curiosidade em conhecer como era feito o trabalho de arte das animações de antigamente. Boa parte dos jovens olha para clássicos como Branca de Neve ou Cinderella e não pensa que cada frame do filme foi desenhado manualmente e é composto por diversas páginas individuais. Afora os adultos, que resgatam um pedacinho de sua infância ao olhar para as telas.
VV – Alguma previsão de quando essa exposição chega ao Brasil?
Lella – Ainda não, infelizmente. Eu adoraria vir ao Brasil. Sei que nossos personagens são muito queridos por aí.
VV – O que você pode nos dizer sobre a recente descoberta de um personagem perdido de Dumbo? Como ele foi encontrado?
Lella – Isso é algo incrível, de fato. Quando uma animação está sendo criada, os artistas acabam testando diversos aspectos do trabalho produzido, incluindo cores e explorando as possibilidades de cada um dos personagens, que podem entrar ou sair do corte final. E foi justamente nesse processo que o “Doutor I Hoot” acabou desaparecendo. Ele é um médico um tanto doidinho e que teria uma participação pequena, porém, divertida em Dumbo. E ele reapareceu de forma espontânea, já que foi encontrado durante o processo de restauração para a edição de aniversário do filme.
VV – E qual será o próximo projeto de restauração depois de Dumbo?
Lella – O próximo da lista é Fantasia, que deve ser restaurado até o final deste ano. Em seguida, provavelmente, A Bela e a Fera será trabalhado. Não posso falar ainda a respeito disso, mas já adianto que tem uma cena perdida que está sendo remasterizada e é bem bacana.
Entrevista com porta-voz da Redbox
Na mesma edição em que entrevistei o executivo da Netflix Steve Swasey (Ver Video 200), bati um papo com o porta-voz da Redbox. Eis abaixo o que ele me disse.
Vermelho forte
O mercado de locação de filmes nos EUA possui muitas opções diferentes e o público tem respondido muito bem aos novos modelos de negócio. Assim tem sido com o Redbox. Saiba mais sobre isso agora!
Em um universo de formatos e tipos de serviço disponíveis para o entretenimento, os EUA são o maior campo de provas para as novas tecnologias que estão surgindo de que se tem notícia. O público norte-americano é o melhor termômetro para se saber quando um modelo de negócio pode ou não ser bem-sucedido em outros países, como o Brasil, por exemplo, entre muitos outros. É verdade também que nem sempre o que funciona por lá pode ser aproveitado aqui, já nossa cultura e nosso poder aquisitivo não são os mesmos. No entanto, um sistema diferente de locação de DVDs tem funcionado muito bem por lá e não é de hoje. O Redbox é uma mescla de locação feita via Internet e que tem a entrega do produto físico por meio de quiosques, que ficam espalhados por lojas de conveniência e também em lanchonetes de fast-food. Ver Video conversou com o porta-voz da Redbox e conheceu um pouco mais sobre como nasceu este sistema inovador e a forma como ele funciona nos EUA. Veja a seguir a entrevista completa!
Ver Video – Como funciona o processo de locação da Redbox? Quem pode alugar filmes pelo sistema da empresa?
Redbox – O processo é muito simples e leva apenas alguns minutos. O cliente precisa ter mais de 18 anos de idade, ter a habilidade para manusear um teclado com a tecnologia touchscreen, que equipa nossos quiosques, e possuir um cartão de crédito.
VV – Quem desenvolveu este conceito de locação de DVDs? Como surgiu a ideia de usar os quiosques?
Redbox – Quem criou o primeiro quiosque para aluguel de DVDs foi a McDonald’s Ventures LLC, que administra a rede de lanchonetes desta marca. Isso aconteceu em 2002. Eles trabalhavam em um conceito de entretenimento que trouxesse mais público para as lojas de fast-food. O quiosque foi um sistema que passou pela realização de diversos testes, entre muitos outros que trabalhavam a distribuição de lançamentos em DVD, e que teve maior aceitação. E com o sucesso dele, uma série de melhorias e inovações foram integradas ao produto, criando um novo tipo de “auto-serviço”, que funciona segundo a conveniência do cliente.
VV – Quantos quiosques a Redbox possui em operação hoje e quantos associados o sistema possui?
Redbox – Atualmente, trabalhamos com uma rede de 19 mil quiosques, espalhados por todo o território dos EUA, situados nas maiores lanchonetes da rede McDonalds, lojas de conveniência, algumas unidades da rede Walmart e Walgreens, além de outros pontos estratégicos. Já atendemos milhões de clientes e milhares aderem ao nosso sistema a cada dia.
VV – O que difere a Redbox dos demais fornecedores de entretenimento doméstico? Qual o segredo do sucesso da empresa?
Redbox – Somos uma combinação de recursos diferenciados. Entre eles, podemos citar o preço de locação muito atrativo e acessível, nossa política de “alugue-e-devolva em qualquer lugar” (rent-and-return anywhere®), reservas que podem ser feitas via Internet e o fato de estarmos literalmente espalhados por todo o país. Até o momento, não há nenhum sistema similar no mercado que ofereça isso aos clientes e este é o ponto-chave do sucesso. Nossos clientes estão sempre contentes.
VV – Qual o perfil de um usuário tradicional deste tipo de serviço?
Redbox – O apelo deste tipo de serviço não se restringe a um segmento específico de público, sendo por faixa etária, escolaridade, sexo ou rendimento. Tudo muda de acordo com a região e com os fornecedores de conteúdo de cada lugar do país. Nossa abrangência é enorme.
VV – Quantos títulos estão disponíveis para locação atualmente?
Redbox – Cada quiosque, totalmente equipado, armazena cerca de 630 discos, somando aproximadamente 200 títulos em DVD diferentes.
VV – Quanto à quantidade de locações por mês, em média, são realizadas pela Redbox?
Redbox – Não temos números exatos disponíveis, mas calculamos que quase um milhão de DVDs são alugados por dia. Em 2009, nosso recorde de locações aconteceu na véspera do ano novo, que chegou perto dos dois milhões de discos locados.
VV – Como está a Redbox em outros países?
Redbox – Concentramos nossos negócios apenas nos EUA, estando presentes em 48 Estados e em alguns pontos de Porto Rico (território norte-americano na América Central). Nosso foco está em expandir os quiosques internamente, sem planos para fora do país.
VV – Quais eram as metas para 2009 e o que foi alcançado? O que esperam para 2010?
Redbox – Não temos o hábito de fornecer este tipo de informação à imprensa, porém, a Redbox sempre teve como meta o crescimento de seus serviços. Ela sempre pensa na frente na hora de oferecer mais comodidade a seus usuários.
VV – Que tipo de impacto no mercado do entretenimento doméstico vocês acreditam que tenham causado até hoje?
Redbox – Tivemos a capacidade de criar um modelo de negócio extremamente eficiente e popular entre os consumidores de home video e os resultados falam por si próprios com relação ao impacto no mercado. Nosso crescimento tem acontecido a passos largos desde o momento em que a empresa foi criada.
VV – Na opinião de vocês, quais são as melhores fontes de entretenimento para a casa do norte-americano hoje?
Redbox – Competimos tanto com as lojas físicas como com os serviços de entrega em domicílio, afora outros fornecedores de quiosques, que adaptaram nosso modelo de negócio e estão se expandido também. Isso sem falar em outras formas de entretenimento, que não são filmes ou seriados, como games e afins.
VV – A locação de discos de Blu-ray está nos planos da empresa para este ano?
Redbox – Atualmente, estamos estando a receptividade do mercado para este novo produto. Tudo depende da resposta do público, da demanda pelo Blu-ray em nossos quiosques.
VV – Recentemente, a Redbox se envolveu em problemas jurídicos envolvendo grandes estúdios de Hollywood por causa dos preços praticados pela empresa. Em que pé estão estas ações?
Redbox – Atualmente, estamos em litígio com a Universal Pictures, a 20th Century Fox e com a Warner Home Video. Não podemos comentar com a imprensa os resultados ou qualquer outra informação relacionada.
Entrevista realizada por André Cavallini
Atualizando clássicos [nota e entrevista]
A Disney lança a versão em DVD de A Montanha Enfeitiçada, uma nova edição que retoma a história contada em dois filmes clássicos dos anos 70
Duas crianças, Sara (AnnaSophia Robb, de A Fantástica Fábrica de Chocolate) e Seth (Alexander Ludwig, de Seis Signos da Luz), entram no taxi de Jack Bruno (Dwayne Johnson, de Treinando o Papai), um motorista com um passado misterioso, e partem para uma aventura que envolve alienígenas, agentes do governo e cenas de ação alucinantes. Fato é que os dois garotos precisam chegar a um determinado lugar e somente Jack pode ajudá-los a escapar dos vilões que os perseguem. A Montanha Enfeitiçada é um filme que dá uma nova cara a uma história já conhecida pelos fãs da Disney. A trama é derivada das aventuras de Tia e Tony, vividos por Kim Richards e Ike Eisenmann, respectivamente, duas crianças que protagonizaram dois grandes sucessos da Disney no final da década de 70: A Montanha Enfeitiçada (1975) e Perigo na Montanha Enfeitiçada (1978), duas produções que fizeram parte dos filmes inesquecíveis da matine brasileira dos anos 80.
O astro de ação Dwayne Johnson, também conhecido como The Rock, repete a parceria com o diretor Andy Fickerman – os dois trabalharam juntos em Treinando o Papai – e o resultado é um filme agitado que pode ser visto por toda a família.
Confira a seguir um bate-papo realizado por mim por telefone com os dois garotos que protagonizaram A Montanha Enfeitiçada – AnnaSophia Robb e Alexander Ludwig:

Dupla de protagonistas durante première de A Montanha Enfeitiçada
Ver Video: Como você chegou até o projeto do filme A Montanha Enfeitiçada?
AnnaSophia Robb: Eu conversei com o meu representante e contei a ele o meu desejo de participar de algum filme do Andy Fickman, eu já conhecia o seu trabalho e gostei muito do filme Treinando o Papai, que ele fez em 2007. Quando soube que ele queria conversar comigo sobre a produção de A Montanha Enfeitiçada, quase explodi de felicidade! Enfim, conversamos e eu topei na hora fazer o filme. Fiquei muito feliz.
Alexander Ludwig: Meu empresário já havia conversado com Andy Fickman ainda na época em que Fickman havia dirigido Treinando o Papai, da Disney. Eles conversaram e, quando surgiu o roteiro de A Montanha Enfeitiçada, marcamos um teste. Fui lá, fiz e passei.
VV: Você já havia assistido aos primeiros filmes da série, realizados nos anos 70? Isso fez parte da sua preparação para o trabalho?
AnnaSophia: Eu já havia visto os dois filmes (A Montanha Enfeitiçada, de 1975, e Perigo na Montanha Enfeitiçada, de 1978), e saber que eu estaria no novo capítulo da saga me motivou ainda mais a vê-los novamente. Na verdade, assistir aos filmes não fazia parte da preparação, apenas os laboratórios e as leituras do roteiro, tradicionais. Esse processo foi muito divertido e pude conhecer o Alexander Ludwig lá, nos tornamos grandes amigos. É muito fácil se tornar amiga dele, é uma pessoa muito especial. Isso sem falar no Dwayne Johnson e no próprio diretor, o Andy Fickman.
Ludwig: Como toda criança dos EUA, eu já havia visto os dois filmes há alguns anos. Quando ouvi sobre a possibilidade de fazer um teste e fazer parte do projeto, fiquei muito empolgado em ter a oportunidade de estar em uma terceira parte da história. Na verdade, não nos pediram para assistir aos anteriores. Nossa preparação durou alguns meses e foi até rápida, já que logo começamos os testes de câmera, maquiagem e figurino – sem falar no laboratório com o elenco. Foi tudo muito rápido!
VV: Vocês já haviam trabalhado juntos antes? Vocês tiveram um ótimo entrosamento em cena. Como chegaram a isso?
AnnaSophia: Isso é fruto do nosso trabalho de preparação e da amizade que criamos no set, que levarei para a vida toda. Alex é uma ótima pessoa. Não tem como não gostar dele. Nos tornamos grandes amigos durante as filmagens e isso transparece no filme. Foi amizade à primeira vista!
Ludwig: Não simpatizei nem um pouco com Anna… Brincadeira! Comigo não foi diferente com relação a ela. Nos comunicamos muito bem e, durante os laboratórios e as filmagens, essa afinidade só aumentou. De fato, nos tornamos bons amigos.
VV: Como foi a convivência com o Dwayne Johnson? E com o restante do elenco?
AnnaSophia: O Dwayne é um cara muito engraçado, muito fácil de trabalhar. Ele fez com que nossos dias fossem muito mais agradáveis, mesmo com a grande quantidade de cenas sendo rodadas no mesmo dia. Ele tem aquele tamanho todo, mas é um grande ator, muito sensível e talentoso. Foi uma ótima experiência. A Carla Gugino é um doce de pessoa e nos ajudou muito nas cenas, o Garry Marshall é uma pessoa muito divertida, enfim, todos os envolvidos contribuíram para um ambiente muito gostoso.
Ludwig: Quem assiste aos filmes do Dwayne e vê o nome “The Rock” se assusta. Não tem como não relacionar a figura dele nas telas com sua imagem pessoal. É pura enganação! Nos bastidores, fora das câmeras, ele é um cara muito simples, simpático e trabalhador, que faz de tudo para que todos estejam confortáveis para trabalhar. Fora isso, é um cara muito profissional, que leva a sério o que faz e se prepara muito para cada cena. Mas sempre com um tempinho para uma brincadeira ou uma piadinha. A Carla Gugino é um doce de pessoa e uma atriz excelente, muito profissional e focada no trabalho. Foi uma grande fonte de aprendizado também.
VV: Vocês estiveram presentes em muitos filmes de sucesso nos últimos anos. Como isso afetou rotina de vocês? Como estão suas vidas hoje?
AnnaSophia: Olha, minha vida mudou muito, não tem nem como comparar com antes desses trabalhos. E a dos meus pais também! Mas eu já me acostumei com isso. A escola que frequento foi super tranquila em adaptar algumas aulas para o meu dia-a-dia, meus amigos também me apoiam muito. Não sei muito bem como serão as coisas daqui para a frente, mas pretendo me dedicar um pouco mais aos estudos nos próximos meses antes de entrar em outro projeto.
Ludwig: Eu assino embaixo! Tudo é diferente. Não somos estrelas de Hollywood, mas nossos rostos estão ficando conhecidos. Têm paparazzi em todo o lugar e temos que sempre vigiar nossos passos. Tirando isso, o trabalho nem sempre colabora com os horários da escola. Então, depois que terminei Os Seis Signos da Luz, em 2007, tirei um tempo para colocar os estudos em ordem. Neste ano, pude voltar a trabalhar e fazer A Montanha Enfeitiçada sem ter que me preocupar em me formar. Dá-se um jeitinho para fazer as coisas darem certo.
VV: Vocês pretendem fazer faculdade? Continuarão na área de cinema?
AnnaSophia: Ainda não sei bem o que vou fazer. Sei que atuar é o que quero da minha vida, mas se isso quer dizer ir para a faculdade, não sei. Ainda estou no segundo ano do Ensino Médio, então, ainda tenho tempo para me decidir. Quero fazer isso com calma.
Ludwig: Eu quero seguir carreira de ator. Não tenho pretensão de me tornar um cineasta. Não agora. O que devo fazer é me especializar como ator e deixar as coisas fluírem. Se meu destino for o cinema e portas se abrirem para trabalhar atrás das câmeras, que seja! E também quero ser um “rockstar”! (risos)
VV: Estamos ansiosos para ver a versão em DVD e Blu-ray de A Montanha Enfeitiçada. Vocês podem nos adiantar o que há de material adicional nesta versão?
AnnaSophia: Olha, eu sei que temos várias cenas de bastidores, muitas cenas deletadas e erros de gravação, além de clipes musicais do filme. Não sei se esse material chegará às versões brasileiras, mas creio que deve ter muito mais coisas bacanas no Blu-ray também.
Ludwig: Eu digo o mesmo. Há várias cenas de bastidores, como erros de gravação e cenas que acabaram sendo editadas (ou cortadas) na sala de edição, por motivos diversos. São materiais muito divertidos e interessantes. De resto, não sei dizer o que planejaram. Estamos tão curiosos como vocês!
VV: Dos filmes em que vocês trabalharam, quais vocês destacariam como seus favoritos? Algum que não gostaram?
AnnaSophia: Eu não gosto de me ver na tela, sabe? Mas posso dizer que um dos filmes que fiz e que foi muito importante para minha carreira e que posso sentar e assistir, sem problemas, é o A Fantástica Fábrica de Chocolate (2005). Adorei fazê-lo. Meu papel não é de protagonista, mas me colocou em evidência no mundo do cinema e foi muito divertido de ser realizado. Contudo, o filme que mais tenho orgulho de ter feito é o Sleepwalking (2008). Nele, pude me realizar como atriz, foi o mais profissional, por assim dizer.
Ludwig: Os maiores filmem em que participei foram o Os Seis Signos da Luz e A Montanha Enfeitiçada. Não tenho muitos parâmetros como a Anna (risos), mas posso dizer que me diverti – e aprendi – muito com esses dois grandes sucessos.
VV: Algum novo projeto no horizonte?
AnnaSophia: Tenho vários projetos em vista, mas quero me dedicar um pouco mais aos estudos nos próximos meses. Ainda estou avaliando bem o que quero fazer em seguida.
Ludwig: Ainda não sei o que me aguarda. Também estou planejando me formar no colegial e entrar na faculdade. Se pintar algo nesse meio-tempo, vou considerar junto com meu agente e minha família e veremos!
Nota publicada na edição 194 (setembro, 2009) e entrevista publicada na edição 196 (novembro, 2009) da revista Ver Video.
Bate-papo com Hector Babenco
Saudações,
Depois de oitenta anos sem postar (!), resolvi voltar a colocar nesta página os textos que escrevo para a revista em que trabalho. O texto a seguir é fruto de uma entrevista que fiz em julho com o grande cineasta Hector Babenco, responsável por pérolas do cinema internacional, como Pixote – A Lei do Mais Fraco e Carandiru, citando apenas alguns. O mote do nosso bate-papo foi o lançamento em DVD de algumas de suas obras. Confira e comente!
OBS: O material abaixo é a primeira versão da entrevista e não está editado. O texto sofreu grandes “adaptações” para ser publicado, portanto, quem ler a versão impressa sentirá grande diferença entre os dois.

Lançamento pela Europa Filmes
Histórico e restaurado
Considerado um marco do cinema nacional, Pixote – A Lei do Mais Fraco está sendo lançado em DVD pela Europa Filmes e o diretor Hector Babenco bateu um papo com Ver Video sobre o assunto
O ano de 1981 foi marcante para o cinema brasileiro. Foi nele que o cineasta Hector Babenco levou paras telas uma obra-prima: Pixote – A Lei do Mais Fraco. O filme emocionou e chocou platéias e ganhou diversos prêmios, sendo, inclusive, indicado ao Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro, em 1982. A produção conta a história de um menino pobre, que vivia nas ruas e vai parar na FEBEM, onde faz amigos e volta para o crime depois de se envolver com um traficante e uma prostituta, o que leva a um final trágico.
O tempo passou, o filme chegou às prateleiras nacionais em VHS e continuou sua bem-sucedida jornada pela cultura brasileira. Quando a “Era do VHS” acabou e o DVD se tornou a mídia do momento, Pixote ficou esquecido e não foi lançado… Até agora! A Europa Filmes lançará, ao longo dos próximos meses, diversos filmes de Babenco e o primeiro da lista é justamente este, que marcou época. A versão para locação, que chega agora em setembro, no dia 9, não terá material extra (que será adicionado para o lançamento no varejo, em 2010), mas conta com uma versão totalmente restaurada, um verdadeiro trabalho de arte, como nos conta o próprio diretor Hector Babenco, em um bate-papo exclusivo.
Ver Video – O senhor tem uma longa carreira e diversos filmes lançados nos cinemas. Porém, poucos desses filmes chegaram ao DVD. Por que o senhor demorou tanto para lançá-los?
Hector Babenco – Todos os meus filmes mais antigos saíram em VHS e nunca mais foram editados. Eu recebi várias propostas para relançá-los, mas eu nunca me senti seguro para fazer isso com elas empresas que me procuraram. Havia muitas lojas pequenas, a pirataria estava crescendo muito nas locadoras, ainda no VHS. Fui deixando o tempo passar e não me interessei mais por isso. Quando chegou o DVD, lancei os filmes novamente, mas não reeditei mais nenhum, esperando surgir uma grande oportunidade para lançar todos os meus filmes, inclusive os americanos, entende? E foi o que eu consegui fazer agora com a Europa. Com ela, não estou lançando apenas os filmes, mas também os making ofs, que foram sendo produzidos ao longo do tempo. Por exemplo, o de Pixote, que levou quatro anos para ser feito e tem entrevistas com todo mundo, e o de O Beijo da Mulher Aranha, que levou oito anos para ser concluído. Rodamos o mundo inteiro entrevistando pessoas, inclusive o autor do livro, que já morreu. São histórias fantásticas que acompanham o DVD.
VV – Os filmes foram todos restaurados, remasterizados, para o lançamento em DVD, certo? Como foi o processo?
Babenco – Correto. Os negativos já haviam sido muito manuseados, estavam muito gastos, muito velhos. Nós restauramos todos os filmes digitalmente, quadro por quadro, refez o som de todos eles, que agora estão em Dolby 5.1. A cópia do Pixote – A Lei do Mais Fraco que vocês poderão ver no DVD está melhor que a original que lançamos no cinema, nos anos 80. Não foi apenas uma rematerização deles, foi um processo de restauração mesmo, algo artístico, que deu muito trabalho. É importante que se saiba isso.
VV – Sobre o material adicional que chegará com os DVDs que serão distribuídos no varejo, o senhor já os havia feito na época do VHS ou são informações reunidas e produzidas mais recentemente?
Babenco – Os dois. Na verdade, reunimos um material que fomos produzindo na época e fomos adicionando coisas com o passar dos anos. Tem muito material que é amador mesmo, que foi capturado nos bastidores na época e que fomos melhorando para lançar agora.
VV – Com relação aos filmes mais recentes do senhor, como O Passado e Carandiru, que já foram lançados em DVD, haverá algum material adicional inédito para eles?
Babenco – Não produzimos nada de diferente, temos apenas os making ofs mesmo.
VV – O senhor poderia apontar quais dos filmes do senhor que estão sendo lançados e que teriam mais destaque para o público?
Babenco – Olha, o Pixote é considerado um dos 100 melhores filmes da história do cinema, um verdadeiro clássico. Acredito que ele seja tão importante quanto um filme de Antonioni, de Truffaut, Bruñel, que já foi visto no mundo todo. Por isso, acho que ele se destaca. Também tem O Beijo da Mulher Aranha, que foi muito comentado internacionalmente. Os dois merecem estar na coleção do apreciador brasileiro.
VV – Quais são os próximos projetos do senhor?
Babenco – Estou trabalhando em dois projetos ao mesmo tempo. Um deles se chama A Brasileira e o outro, Cidade Maravilhosa.
VV – Qual deles chegará primeiro? O senhor tem alguma previsão?
Babenco – Na verdade, não! Estou fazendo os dois ao mesmo tempo, estão correndo um atrás do outro. O que ficar pronto primeiro, sai antes. Não estou priorizando um ou outro. Tenho trabalho para os próximos três anos, pode ter certeza! Os dois são longas-metragens. O A Brasileira está sendo rodado bastante na Espanha e o outro, no Rio de Janeiro. Mas ambos estão ainda em processo de pré-produção.
VV – Com relação ao Blu-ray, o senhor tem planos de lançar os seus filmes nesta nova tecnologia no Brasil?
Babenco – O filme O Beijo da Mulher Aranha já saiu em Blu-ray nos EUA. Não pensei em lançar assim aqui no Brasil, ainda. Acredito que a tecnologia ainda está sendo absorvida lentamente aqui, mas quem sabe? Vamos ver.
VV – O que o senhor pensa deste grande mercado cinematográfico que está se abrindo no Brasil, com vários grandes títulos fazendo sucesso, a comédia em especial?
Babenco – As comédias sempre reinaram. Desde a época da Atlântida, das chanchadas. O povo brasileiro é um povo muito feliz, mesmo com todas as dificuldades que enfrenta na vida. Sempre há uma coisa pícara, uma coisa sensual, que acaba funcionando no Brasil. Acredito que é por isso que os filmes mais cômicos que estão saindo caem no gosto do público. E eles também se aproximam muito do que se vê na televisão, o que motiva também as pessoas a irem ao cinema. Ainda há o apelo mais erótico e sensual, que a televisão não pode mostrar e que instiga o público a ver isso também. Mas não é só a comédia. Veja o Carandiru, por exemplo. Não é uma comédia e fez muito mais sucesso que vários destes filmes que estão estourando hoje. Eu diria que o público brasileiro é muito sábio, que escolhem os filmes a que assistem. O Divã é um bom filme, o A Mulher Invisível é uma ideia genial, Se Eu Fosse Você é muito bem feito. Não apenas por serem divertidos, mas por serem ótimos filmes é que fazem sucesso.
VV – O senhor acredita que essa é apenas uma fase passageira do cinema no Brasil ou podemos esperar que seja uma situação duradoura a procura do público pela produção nacional? A gente continuará vendo filmes brasileiros melhores e com maior resposta do público?
Babenco – Acredito que o público seja como clientes de loja, que sai em busca daquilo que lhe agrada mais e, quando encontra, volta sempre. Se você é bem atendido e se sente feliz com isso, certamente vai voltar lá. O mesmo funciona com os filmes. O mito de que filme brasileiro é chato, mal feito, que não tem o som bom, já caiu. Nossas produções estão tão competitivas quanto as estrangeiras, nosso áudio é tão bom quanto o deles. E estamos em alta no mercado hoje. Temos que aproveitar essa onda e mantermos o nível alto por aqui.
Entrevista realizada por André Cavallini


