O início de tudo – Um artigo sobre o filme Che

Benicio Del Toro é Ernesto Che Guevara no filme de Steven Soderbergh
O início de tudo
Parte importante da história política e social mundial, Ernesto “Che” Guevara, tem sua história contada em Che, divido em duas partes e que tem seu início estreando este em fevereiro
Mostrar o lado psicológico e humano de um líder revolucionário que inspirou milhares de pessoas há décadas com a mesma intensidade que o faz até hoje, mesmo passados mais de quarenta anos de sua morte. Este foi o objetivo do cineasta norte-americano Steven Soderbergh e do ator e produtor Benicio Del Toro. Adeptos do cinema independente e com diversas produções cult no currículo, a dupla viu na história de Ernesto “Che” Guevara uma série de desafios que topou encarar para transpor tal personagem para o cinema.
A complexidade da história contada no filme expressa a enorme quantidade de informações que a equipe de produção conseguiu reunir em aproximadamente sete anos de envolvimento com o projeto. A idéia de realizar o filme partiu dos produtores Laura Bickford e Benicio Del Toro, que conseguiram mobilizar diversas fontes diretamente ligadas ao revolucionário argentino, inclusive pessoas que lutaram ao seu lado em Cuba e na Bolívia. Além da vastidão de dados e depoimentos, o autor do roteiro, Peter Buchman, fez um excelente trabalho de pesquisa e compilou passagens importantes que poucas pessoas conheciam da trajetória do líder.
A primeira parte da produção, denominada Che, tem início no dia em que Ernesto Guevara, um médico argentino idealista, conhece Fidel Castro no México durante uma reunião organizada para discutir a situação de Cuba e como ajudar sua população a se libertar do atual regime. A simpatia de ambos pela causa do povo cubano fez com que eles reunissem um pequeno grupo de revolucionários em um barco e rumassem para a ilha. Chegando lá, a ‘milícia’ começa sua trajetória se estabelecendo no terreno acidentado e montanhoso das serras em que vive uma parcela muito pobre da população local. Sofrendo abusivas coletas de impostos e torturas administradas por um governo ameaçado, os camponeses recebem os revolucionários de braços abertos. Durante a campanha para conseguir mais partidários – entenda-se soldados – e os combates violentos com o exército pela mata fechada, Guevara passa pelas mais diferentes situações e através da convivência com pessoas tão sofridas ele, segundo suas próprias palavras, descobre o real motivo pelo qual uma revolução é feita. Depois de muitas alianças, perdas e conquistas sangrentas no decorrer do percurso, os guerrilheiros seguem para Havana acabando com qualquer resistência do governo que se opuser a eles, sem nunca deixar de respeitar a dignidade do povo cubano, mesmo daqueles que se opõem aos seus ideais. Entrecortado por passagens marcantes ocorridas depois da tomada de Cuba, durante a estada de Che nos EUA para falar aos líderes mundiais em uma conferência da ONU, uma mescla de lições de vida e momentos históricos marcantes mostra uma face diferente de um médico idealista que se torna um símbolo político e social internacional.
A primeira parte de Che tem estréia nacional prevista para o dia 20 de fevereiro. Distribuição: Europa Filmes. André Cavallini.
007 Quantum of Solace – Resenha
007 Quantum of Solace
Depois do sucesso de 007 Cassino Royale, silenciando as críticas que recebeu, Daniel Craig ganhou mais uma oportunidade para viver o inesquecível espião britânico. Explorando mais a ação do que o mistério, o que valoriza ainda mais a presença de Craig no filme, foi escalado o alemão Marc Forster para a cadeira de diretor. Com a experiência de adaptar um best-seller para o cinema e ter uma boa recepção mundial (O Caçador de Pipas fez mais de US$ 70 milhões), além de já ter trabalhado com grandes astros do cinema, como Johnny Depp, Kate Winslet, Will Ferrell, Naomi Watts e Ewan McGregor, esta é sua primeira oportunidade de dirigir um verdadeiro blockbuster.
Também no casting, Quantum conta com Judi Dench retornando como “M”, a chefe de Bond, reprisando o papel que interpreta desde 007 Contra GoldenEye (1995), As novas bond-girls são Olga Kurylenko, atriz ucraniana que fez sucesso na adaptação cinematográfica do game Hitman (2007) e que também participou de outra adaptação de um jogo de videogame, Max Payne, que ainda não chegou aos cinemas; e Gemma Arterton, que não tem ainda nenhum hit em sua carreira, mas já está nas telas com RocknRolla – A Grande Roubada.
O enredo, como já mencionado, retoma a trama iniciada em Cassino Royale e mostra James Bond em busca de vingança, tentando descobrir quem foi o responsável pelo ocorrido com Vésper. Com a ajuda de M, ele descobre que há um traidor dentro do MI6 e a aventura parte para diversos cantos do mundo. O título do filme vem do nome da organização que o espião enfrenta, a Quantum, cuja meta é tomar o controle da maior reserva natural de água da América do Sul, além de ajudar um ditador a tomar o controle de um país em conflito.
A estréia da vigésima segunda aventura de James Bond está prevista para o dia 31 de outubro na Grã-Bretanha, França e Suécia, e deve chegar aos cinemas brasileiros apenas em 14 de novembro. Com isso, o público nacional terá uma boa chance de medir a recepção que a produção terá antes de ir ao cinema. De qualquer forma, Bond é sempre Bond, ou seja, há a eterna garantia de entretenimento e de salas cheias pelo País. Distribuição: Sony.
Rede de Mentiras – Resenha
Rede de Mentiras
A bem-sucedida dupla formada por Ridley Scott e Russell Crowe encontra-se mais uma vez e leva aos cinemas mais um filme polêmico e com traços de concorrente ao Oscar® em 2009. Parceiros de longa data, os dois uniram-se para um trabalho ambicioso e, ao lado de Leonardo DiCaprio, realizaram Rede de Mentiras, um thriller de ação que aborda o terrorismo e a ameaça constante que os EUA enfrentam depois da guerra no Iraque.
Com o roteiro baseado em um romance de David Ignacius, adaptado por William Monahan, Scott retoma a temática ‘ocidente versus oriente’ que já havia abordado em outras produções, Falcão Negro em Perigo (2001) e Cruzada (2003). Um dos pontos fortes da produção é mostrar que nem sempre a tecnologia de ponta que algumas agências governamentais de segurança possuem consegue burlar a comunicação boca-a-boca que os terroristas utilizam. Em suma, a falta de tecnologia dos inimigos dos ocidentais é sua maior vantagem. É neste ponto fraco que o filme toca e explora.
Leonardo DiCaprio interpreta o agente da CIA Roger Ferris, que vive no Oriente Médio, mudando-se constantemente de país, investigado as operações de comandos terroristas da região. Seu chefe, Ed Hoffman, vivido por Russell Crowe, que viveu uma enorme transformação para encarar o papel, está nos situado nos EUA e de lá comanda as operações de Ferris em território hostil. Quando uma organização islâmica ataca diversos alvos civis, mas não assume os atentados, o Roger decide mudar de estratégia para forçar os extremistas a saírem do esconderijo. Para tal, resolve fazer uso da mesma ferramenta deles, a comunicação popular, e cria uma nova, e imaginária, rede terrorista. Apesar da estratégia bem sucedida, o agente perde a cooperação de seu superior, cuja meta não é desmantelar a célula local, mas monitorar as atividades em um âmbito bem mais amplo.
Focando bastante nas diferenças culturais e nas falhas dentro dos objetivos da ocupação ocidental no Oriente Médio, o filme tinha muitas chances de conquistar o público e ser um grande sucesso, mesmo tratando de um tema já excessivamente explorado. Contudo, a recepção que o filme teve nos EUA não foi das melhores da carreira dos astros que estão nele e teve uma abertura de quase US$ 13 milhões. Até o presente momento, arrecadou pouco mais de US$ 30 milhões, o que não chega na metade de seu custo de produção. Uma pena.
Rede de Mentiras tem estréia nacional prevista para 28 de novembro. Distribuição: Warner.
Max Payne – Resenha
Max Payne
Um oficial da polícia de Nova York passa por momentos turbulentos em sua vida. Depois de encontrar sua família assassinada e perder seu parceiro, também morto, ele mergulha em uma jornada obsessiva em busca de vingança e descobre uma conspiração que envolve não apenas o submundo do crime, mas forças muito além de sua compreensão – além de uma rede de traições e violência. Este é o enredo de Max Payne, um game que conquistou inúmeros fãs e que estréia sua versão para o cinema tentando repetir a dose. Inicialmente lançado para o Microsoft Windows e avançando para os consoles Xbox e PS2, entre outros, ficou claro que a versão cinematográfica era uma questão de tempo. Em 2001, logo depois do lançamento do jogo, a produtora Collision Entertainment adquiriu os direitos para realizar a adaptação para as telonas, querendo encontrar um parceiro para desenvolver o projeto. Alguns anos e muitos problemas depois, a empresa resolveu levar a idéia para a 20th Century Fox, que aceitou participar do projeto, com a condição de desenvolver outro roteiro. Negócio fechado e mãos à obra.
No final de agosto deste ano, na Comic Con®, uma das mais badaladas reuniões de fãs de quadrinhos e afins, realizada nos EUA, ocorreu a apresentação oficial de Max Payne, com direito a presença do elenco e do diretor, além da apresentação de vários vídeos (N.R.: A versão completa do filme só chegou em terras ianques no final de outubro, com abertura de US$ 17 milhões e total até o momento de US$ 29 milhões) e dos pôsteres de divulgação. Em entrevistas durante o evento, a maior preocupação do diretor John Moore (Além das Linhas Inimigas) era a de não decepcionar os fãs. Já Mark Wahlberg (Fim dos Tempos) disse que o filme foi sua oportunidade para retornar aos filmes de ação e explorar seu lado mais sombrio. Além dele, também integram o elenco os atores Chris O’Donnell (Limite Vertical), Beau Bridges (Stargate: Continuum); as atrizes Mila Kunis (Ressaca de Amor) e Olga Kurylenko (007 Quantum of Solace); e o rapper/ator Ludacris (RocknRolla – A Grande Roubada).
A versão de Max Payne para os cinemas tem estréia prevista no Brasil para o dia 21 de novembro. Distribuição: Fox.
Queime Depois de Ler – Resenha
Queime Depois de Ler
Com o impressionante sucesso de Onde os Fracos Não Têm Vez, vencedor de quatro Oscar® na última edição da premiação, criou-se grande expectativa com relação àquele que seria o próximo trabalho dos irmãos Coen. E a dupla não poderia ter escolhido um melhor lugar para realizar a estréia do filme: o 65º Festival de Veneza. No dia 27 de agosto, a imprensa ficou a postos para receber Queime Depois de Ler (Burn After Reading) em terras italianas. Para dar aos jornalistas e ao público que compareceu ao teatro uma resposta à altura da calorosa recepção, boa parte do elenco e os diretores do filme estiveram no tapete vermelho para prestigiar o Festival e conversar com os presentes depois da exibição do filme. A presença de Brad Pitt, George Clooney, Frances McDormand e Tilda Swinton, além de Ethan e Joel Coen, foi uma das sensações do evento.
Depois de estrear em grande estilo, Queime Depois de Ler começou a ser exibido em território norte-americano no dia 12 de setembro e foi o mais visto na data, com faturamento de quase US$ 20 milhões. Mantendo-se entre os dez mais vistos nos EUA até o fechamento desta edição (Ver Video 184, na qual este texto deveria ter sido publicado, porém, não houve espaço tal) e com as bilheterias ultrapassando a marca dos 50 milhões de dólares (no ato da publicação deste artigo neste blog, o filme já havia atingido a marca de US$ 58 milhões), o filme passou por diversos festivais como o de Toronto e o do Rio antes de ganhar as bilheterias do circuito mundial, o que aconteceu no início de outubro.
Com cara de independente e não de blockbuster, o filme dos irmãos Coen conquistou bastante audiência nos EUA, mas foi recepcionado com controvérsia pelos críticos locais. Inevitáveis comparações relacionadas à escolha da dupla Brad Pitt/George Clooney e sua participação nos três filmes da franquia Onze Homens e Um Segredo foram feitas e foi deixada de lado toda a essência do filme, que em comum com os filmes de Steven Soderbergh tem apenas a preferência dos realizadores por produções não-hollywoodianas. Comentários dos especialistas à parte, o barulho e as especulações feitas sobre a escalação do elenco não foram o bastante para evitar que o público fosse às salas de cinema para conferir o filme. Apenas em exibição por lá, o filme já superou seu orçamento em quase o dobro sem sequer ter sua exibição mundial iniciada. Com bastante humor negro e personagens caricatos e irreverentes, características tradicionais dos roteiros da dupla Coen, fica difícil não gostar do resultado.
A trama mostra algumas trapalhadas do governo e o que acontece quando um segredo de estado cai nas mãos dos empregados de uma academia de musculação. Este é o resumo da história de Osbourne Cox (John Malkovich), um analista da CIA que pede as contas na agência depois de ser repreendido por seus superiores devido ao alcoolismo. Além disso, sua esposa, Katie (Tilda Swinton), quer o divórcio e, sob a orientação de seu advogado, faz cópias de todos os arquivos que ele tinha em casa, inclusive o que havia escondido ilegalmente sobre o governo. O motivo da separação é o amante de Katie, Harry (George Clooney), que não agüenta mais a situação deles. Em uma seqüência de coincidências, o disco acaba indo parar nas mãos de Chad (Brad Pitt) e Linda (Frances McDormand), que trabalham em uma academia. Com as informações nas mãos, a dupla resolve chantagear Cox. As conseqüências da atitude dos dois iniciam uma série de eventos bizarros e cômicos, incluindo envolvimento político, homicídio, traição e muita paranóia, a fórmula tradicional que os diretores utilizam para mostrar as peculiaridades das pessoas e dar uma leve cutucada na sociedade.
Queime Depois de Ler chega aos cinemas nacionais em 28 de novembro. Distribuição: Universal.