Pensamentos Cotidianos, por André L C Ferreira


Forças antagônicas

Posted in cotidianos,pensamentos por andre1979 em janeiro 10, 2008
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Depois de muito relutar em voltar a este blog, já que a criatividade ficou no bolso da outra calça, resolvi falar sobre algumas coisas que vejo pelo caminho que faço durante minha viagem para o trabalho, diariamente. Enquanto observo os detalhes de cada movimento que acontece à minha volta (como não consigo ler em movimento, preciso ocupar meus olhos com outras coisas…), dentro e fora dos transportes coletivos, e fico imaginando as causas que resultam no caos em que nos encontramos atualmente.

Para aquele que leu o título e imediatamente pensou que estivesse falando das forças produzidas pelas antas, pode ficar tranqüilo, pois não irei escrever sobre você hoje, muito menos sobre suas forças.

Qual a verdadeira causa que leva as pessoas a tomarem as atitudes absurdas que vemos diariamente? Ontem, li no site da Folha sobre um rapaz que foi atropelado por um trem entre as estações da Lapa e da Barra Funda. Que diabos ele estava fazendo lá se é proibido transitar nos trilhos? Afinal, é para isso que fizeram aqueles muros lá, correto? Longe de mim julgar os motivos das pessoas, muito menos suas atitudes. O ponto que quero levantar é justamente qual a força que nos leva a fazer tais coisas, como matar alguém por causa de centavos ou caminhar entre estações de trem achando que o farol vai fechar e o trem parar para o pedestre passar.

A força antagônica, para quem não está familiarizado com o termo, é aquela que serve como contrapeso, como oposição à estrutura ou pensamento dominante. Dentro da literatura ou do cinema, por exemplo, tudo aquilo que impede o protagonista de atingir suas metas é uma força deste tipo. Em nossas vidas, quem é o antagonista? Para os mais politizados, pode ser o sistema, com suas enormes falhas e a corrupção que domina todas as camadas do poder na sociedade. Para a sociedade, de um modo geral, é a violência que toma conta de todas as cidades e que obriga o cidadão de bem a ficar em casa e se privar de uma vida mais plena.

De fato, a violência é uma das maiores forças antagônicas do progresso da sociedade, em minha opinião. Todavia, quais são as causas da violência? O que nos leva a agir de tal maneira?

Longe de ser uma opinião definitiva, acredito que a força antagonista da sociedade é ela própria. Afinal, colhemos o que plantamos, sem possibilidade de mencionar um clichê melhor. Todos possuímos teorias sobre as causas dos problemas que nos cercam. Contudo, sempre voltaremos ao ponto de partida, nós mesmos. Quando questionamos nossas próprias atitudes com relação aos outros, vemos que todos contribuímos, por menor que seja a parcela disso, para o estado das coisas hoje.

Relacionando o tema ao que escrevi no início do texto, diariamente, vejo as pessoas se transformando em animais dentro dos coletivos. Já vi gente brigando por causa de uma mochilada involuntária, por um pisão no pé e por causa da pressa que algumas pessoas têm para entrar ou sair da composição. A grosseria domina, as pessoas ficam em estado de alerta, os homens retornam momentaneamente às origens primitivas (em alguns casos, mantém-se nelas) , batendo nas portas e grunhindo (!) antes delas se abrirem. E isso não se restringe aos homens. As mulheres também entram no clima e empurram, agem com violência. Eu mesmo já tomei algumas cotoveladas de mulheres durante minhas viagens cotidianas. Tudo aquilo que as pessoas defendem dentro de suas casas, e ensinam (ou não!? Esse é assunto para outro post) a seus filhos, é a bagagem levada para o transporte, esse estado instintivo das pessoas – agredir antes de ser agredido – é o resultado dessa educação.

Ao que me parece, esse instinto toma conta de uma parcela muito grande da sociedade e explica muitos dos fatos que vislumbramos nos noticiários. A violência gratuita é apenas um reflexo, uma resposta automática que as pessoas possuem e que se aflora de forma desproporcional contra o objeto de nossa fúria. O resultado é esse que vemos todos os dias. Tudo é levado ao extremo. Eu tenho medo de sequer olhar para outra pessoa dentro de um ônibus, com medo de receber uma agressão como resposta. Se alguma pessoa toca seu ombro, aquele tapinha, como quem vai pedir uma informação, a primeira atitude é esquivar antes de olhar. Estes são outros reflexos defensivos que desenvolvemos como resposta ao pavor que a situação causa. Mas, afinal, quem quer correr riscos? Melhor mesmo é tomar as precauções que achamos necessárias e evitar o contato direto com as pessoas, levando em conta que nunca sabemos o que nos espera como resposta. Desse modo, a sensação de segurança é maior e nos privamos de agressões. Assim como nos privamos de possíveis amizades e relacionamentos positivos que possam surgir pelo caminho.

Sei que o texto soa pessimista e é essa mesma a intenção. Prometo que o próximo texto será otimista ou, pelo menos, com uma temática menos controversa e pesada.

Até mais!

Uma resposta to 'Forças antagônicas'

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  1. Sublime said,

    Muito bom , muito interessante e esclarecedor seu ponto de vista ,achei cómico quando falou da pobre “anta” eu ri rsrs , se a carapuça cair ne verda de rsr.
    Sucesso


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