Pensamentos Cotidianos, por André L C Ferreira


Lendas do cinema – 23/01/2008

Posted in 23-01-2008,cinema,cotidianos,heath ledger,pensamentos,texto,will smith por andre1979 em janeiro 23, 2008

Sábado passado, 19/01, fomos assistir O Caçador de Pipas no cinema. A expectativa era bem grande já que tenho o livro, a Li já tinha lido e eu estava em processo de leitura (ainda incabado na presente data). Pelo que já absorvi do livro, o filme não foge muito do enredo, apenas o adapta para caber em cerca de duas horas de duração.

Sobre o livro, como ainda não acabei de degustá-lo, deixo para outro texto minha opinião. Ressalto que, apesar da campanha de marketing em torno dele, está valendo a pena dedicar algumas horas da minha vida a consumi-lo. Fica a lição contra o preconceito cultural, algo que tenho, não nego, contra as “modas” que surgem de tempos em tempos.

Sobre o filme, gostei muito do que vi. A primeira supresa ficou por conta da qualidade da interpretação dos garotos durante a primeira fase da história. É impressionante como o Hassan ficou parecido com o livro. Seus gestos e a inocência do personagem foram muito bem transpostas. O único pecado foi a falta do lábio leporino que o livro descreve como característica do garoto hazara.

Para finalizar o assunto e revelar a segunda surpresa sobre o filme, o pai de Amir rouba a cena. O Baba ficou fantástico. O ator Homayoun Ershadi foi muito bem e quase fez minhas lágrimas descerem na cena em que o personagem morre (que conste nos autos que fiz muito esforço para que tal fato não ocorresse, besteira minha). Enfim, vale a pena ir ao cinema e conferir o filme. Uma pena que apenas 75 salas estão exibindo o filme no País (contra as 400 que exibem o filme de Will Smith).

Falando em Will Smith, estava com muita vontade de ir ao Cinemark e descobrir o porquê de Eu Sou A Lenda ser esse fenômeno de bilhereria. Até o presente momento, segundo fontes confiáveis, a produção hollywoodiana chegou a quase 250 milhões de dólares apenas nos EUA. Impressionante. Pelo que vi sobre a película, ele é o único sobrevivente de um vírus que dizimou a humanidade. Porém, Smith descobre não estar sozinho e se vê cercado por mutantes e blá blá blá… Acho que perdi a vontade de ver o filme.

Ontem tive a oportunidade de apreciar uma produção coreana que me surpreendeu. O Hospedeiro é um filme diferente. Quando os créditos finais aparecem e quase duas horas se passaram, fica um misto de sensações. A primeira que me veio à cabeça foi uma crítica às intervenções de certo presidente oriundo do norte da América, sem citar nomes, nos países que lhe parecem uma ameaça. É óbvio que os novos romanos querem o mundo. A diferença para os antigos romanos é a mídia, as pessoas podem se comunicar muito mais rapidamente do que outrora. A seguir, extrairei do filme um exemplo e você poderá ter uma idéia do que estou dizendo.

O enredo da produção conta a história de uma criatura que surge de um rio, ponto turístico de uma cidade, e causa pânico na população. O destaque é uma família que trabalha e vive às margens do tal rio, personagens centrais do enredo. A forma como eles sofrem a interferência do bicho, são separados, presos, internados e acabam sendo os únicos a enfrentar a situação de forma efetiva, computando, ao mesmo tempo, os prejuízos de tais ações. Tudo isso, observados pelo governo, submisso aos interesses norte-americanos, que fazem uma mal-sucedida intervenção na situação.

A cena-exemplo mencionada acima se passa em um necrotério coreano. O chefe do local, um novo romano, começa a inspecionar o trabalho de limpeza de um funcionário, nativo, e reclama da sujeira sobre os móveis e sobre umas garrafas estocadas pela sala. O empregado tenta se explicar, mas o superior não lhe dá ouvidos e manda que o conteúdo das garrafas seja despejado na pia, já que estão imundos e ele não gosta disso. O subordinado se recusa e explica que o esgoto será jogado no rio, o mesmo em que a criatura se origina futuramente, e os produtos são tóxicos e a poluição será inevitável. O chefe não quer saber e manda o homem dar cabo de suas ordens. Com a palavra final dada, o líquido se esvai pelo esgoto e acaba no destino previsto pelo funcionário. O que acontece depois fica óbio: uma mutação ocorre e uma criatura surge depois da mistura do tal líquido com a população animal do ambiente contaminado. Fica claro o recado para o governo e de quem é a culpa do que virá a acontecer durante o filme.

Como o chefe da cultura popular manda, todos acabam ficando curiosos em conferir Will Smith no cinema. E o tóxico desce pelo esgoto novamente. A crítica aplaude o filme. Os números na bilheteria provam isso. Até agora, não ouvi uma palavra de quem, de fato, foi ver de perto a obra cinematográfica.

O que fica na minha cabeça é o fato do livro que deu origem ao filme, escrito por Richard Matheson, não ser conhecido pelo grande público, apesar de ser bastante digno. As versões para o cinema feitas anteriormente, protagonizadas por Charlton Heston [71] e Vincent Price [64], não fizeram o mesmo barulho. Com certeza, depois do estouro da versão de 2007, as prateleiras os esperam novamente.

No fim das contas, sabe o que vende o filme? WILL SMITH. Sem sombra de dúvidas. Se o cara aparecesse na televisão vendendo chiclete, seria o chiclete mais vendido da história. É tudo uma questão de marketing. O pior é que eu gosto do cara. Deve ser o Tico… Ou o Teco…

Por falar em atores apreciados, ontem morreu um dos meus favoritos, Heath Ledger. Aos 28 anos (mesma idade deste que digita o presente texto). Isso me chateia profundamente. Ver um cara talentoso, que tem um filme para ser lançado no meio do ano, The Dark Knight (o novo do Batman), que tem tudo para ser um sucesso, perder a vida assim. Ainda não se sabe como isso aconteceu, de fato. Contudo, está consumado e o cinema perdeu um grande talento, que não se vendeu à indústria das comédias e dos romances pré-fabricados e se dedicava a papéis desafiadores, como em Brokeback Mountain, entre outros.

É isso. Os artistas do cinema vêm e vão. Os filmes continuam e as campanhas para seduzir o público também. O objetivo deste texto era apenas colocar algumas reflexões no ar e ver o que acontece. Ainda não sei se vou ver o WILL SMITH e o tal filme novo dele… Tudo depende de três fatores: Tico, Teco e se minha namorada topará a parada. O que sei é que não podemos deixar nossa atenção toda em cima de um ícone e ver outras produções muito boas como O Caçador de Pipas e O Hospedeiro passarem por nós sem serem notadas. O mercado oferece boas opções, com certeza. Só precisamos procurar melhor e preparar a pipoca para quem as merece.

Até o próximo texto

3 Respostas to 'Lendas do cinema – 23/01/2008'

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  1. romahribeiro said,

    André,

    tento não ver cinema como ideologia. Gosto da diversão, do fato de me fazer relaxar. Até por isso, normalmente durmo em filmes “cabeça”: se quiser pensar, leia, vá para a faculdade, algo assim…

    Quanto ao Heath, também fiquei inconsolável. Pra mim, ele é e sempre será o Patrick Verona, jovem e fofo.🙂

    Beijos!

  2. Karina said,

    Oi Dré,

    Achei legal o seu blog e especialmente q vc comentasse sobre cinema.
    Sobre o filme de Will Smith, bem… eu assisti e realmente esperava muito mais dele, não somente pelo ator se não tb pela mega produção.
    Não recomendaria mas td mundo tem direito a assistir, né?
    Bom, é isso. Se cuida e não perde contato.

  3. Li said,

    E aí, rapaz?! Mudou de idéia depois de assistir esta ‘maravilha’ do cinema?!
    Bjos Li


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