Pensamentos Cotidianos, por André L C Ferreira


Crônicas e Agudas de um Hospital

Saudações,

Depois de ter uma experiência divertida, ontem, 15 de abril, em uma instituição particular de saúde, provocada por alguns problemas respiratórios oriundos do velho e bom ar-condicionado, resolvi dissertar um pouco sobre o que vi e experimentei. Caso o leitor não esteja interessado em ouvir reclamações ou críticas ao sistema de saúde, sugiro que vá dar uma volta e retorne mais para o final da semana, quando pretendo postar mais textos técnicos de gramática.

Semana passada, mais precisamente no dia 09 de abril, fiz uma visita a um Hospital particular de grande porte de Santo André. Não direi o nome dele nem o endereço, afim de evitar possíveis complicações. Estive lá durante duas horas, da 8 às 10 da manhã, fui atendido pelo balcão, pela enferemeira que faz a triagem (pré-consulta), pelo médico, tirei umas chapas do pulmão e do rosto e, por fim, passei com o médico novamente. Em duas horas, fiz este trajeto. Levando em conta que havia cerca de seis pessoas à minha frente, demorou, não concordam? Tudo bem, não era urgente, era através do convênio (que não é barato, é um de grande porte, cortesia do meu pai), dois fatores que não motivam o atendimento de uma empresa, digamos, não filantrópica.

Todavia, ontem a experiência foi absurda. Desde minha entrada, às 20h30, até minha saída, aproximadamente, às 23h50, vi uma total desordem. As pessoas não sabiam sequer como proceder para preencher a ficha, onde pegar a senha respectiva, pois, exitem alguns tipos de senhas diferentes. Para quem estava procurando a emergência, o nervosismo tomou conta. A maioria das pessoas chegava com crianças ou idosos. Como não poderia ser diferente, a prioridade era delas. Entretanto, o que eu vi foi um bando de pessoas preenchendo fichas a rodo, apenas repassando o problema para o próximo estágio, a pré-consulta.

Uma enfermeira cuidava da pré-consulta. Uma moça simpática e delicada, que mediria os sinais vitais, a temperatura e a pressão arterial do futuro paciente. Supõe-se que, depois desta pré-consulta, haveria o direcionamento dos doentes para o respectivo local. Porém, o mesmo processo da recepção ocorria, desta vez, ela definia a prioridade do atendimento. Ao que parece, a prioridade ainda eram as crianças e os idosos, seguidos de casos de pessoas passando mal ou que deram entrada através de ambulância. Será que se um médico fizesse esta ‘triagem’ não pouparia tempo? Depois de conversar com outras pessoas na sala de espera, concordamos que era um desperdício de tempo, uma burocracia, passar por lá antes de ir ao consultório. Se um ‘doutor’ já fizesse o trabalho, exames poderiam ser feitos de antemão, antecipando filas e mais demora.

Depois de conversar com a enfermeira, fiquei sabendo que haviam três médicos para atender quatorze pacientes antes da minha vez. Matematicamente, cinco para cada, já que eu era o décimo quinto (olha que raciocínio elaborado!). Se cada médico perdesse quinze minutos com cada atendimento, em menos de uma hora e meia eu seria atendido. Supimpa! Como já mencionei os horários anteriormente, quem ainda não se encheu desta história sabe que não demorou apenas isso.

Fui atendido pelo médico de plantão já havia visto o Jornal Nacional, a novela das ‘8’ e o Casseta. Ele olhou para mim, perguntou o que havia comigo e eu respondi que havia o mesmo que na semana passada, quando estive lá, no mesmo procedimento. Ele olhou para mim e perguntou novamente o que acontecia. Na minha ignorância, imaginei que os pacientes que passam pelo atendimento possuem prontuários ou fichas, arquivadas para o uso posterior. Será? Depois de explicar para o ‘cura’ o que já tinha dito à sua companheira de ofício alguns dias antes, para minha surpresa, fui encaminhado para a radiografia. Dou um real para quem adivinhar de onde. Dou mais outro real para quem adivinhar se na última consulta eu já tinha feito isso. Algumas dezenas de minutos depois, o diagnóstico: Infecção Pulmonar. Sabe qual a diferença para o diagnóstico da semana passada? Dou mais um real para quem souber.

Então, pelo menos, ganhei uma p… injeção na veia e uma inalação. Sim, estou melhor hoje. Vou continuar tomando o mesmo antibiótico que antes, outro xarope para expectorar e evitar o gelado. Pelo menos, já sei o que vou fazer na próxima quarta.

A crônica e o agudo de um hospital são os diversos problemas que a saúde do nosso País tem e que, quando pensamos que os convênios e os hospitais particulares são uma ótima alternativa, nos enganamos. Se eu estivesse com suspeita de dengue, teria ficado algumas horas na fila, da mesma forma que ficaria num posto de saúde. Não é certo que isto aconteça, nem em uma instituição particular, muito menos em uma pública. O mesmo vale para todos os outros serviços. As ‘receitas’ práticas dominam o mundo. Para tudo se tem uma fórmula, uma solução prática. Do ponto de vista administrativo, funciona muito bem. Do ponto de vista humanitário, quem pode definir a receita ou a fórmula de uma pessoa? Qual a lógica que uma pessoa tem? Apesar de sermos seres racionais, quando nossa saúde (ou integridade física, de um modo mais sério de se ver as coisas) ou a de um ente querido estão em questão, perdemos a calma, a razão. A lógica é receber o socorro e evitar o pior. Dou um… melhor, dois reais para quem souber a receita, ou fórmula, para lidar com as pessoas em situações extremas.

Vejam que esta reflexão se aplica a tudo, todas as áreas. Na saúde, na educação, na segurança pública, no trânsito. Tudo aquilo que é básico, essencial para a existência de uma sociedade em processo de evolução, está dissolvido entre o caos e o lucro. De um lado, quem quer uma fatia do bolo. Do outro, quem precisa comer o bolo. A analogia do bolo é um pouco estúpida, mas veja que é realista: quem usa o serviço e precisa dele, sofre. Quem possui recursos e não precisa se sujeitar às filas quer controlar o serviço. Simples assim. Realmente, a sociedade brasileira está no caminho certo. Nosso próximo passo para sermos um país de primeiro mundo será invadir um dos vizinhos e tomar o poder, como nosso melhor exemplo das fronteiras ao norte do continente.

Desculpe pelo texto ser um tanto chato e enfadonho. Mas acredito que um blog também sirva para opinar e criticar. Além do mais, ele é meu mesmo e eu escrevo o que me der na telha, não é mesmo? Agora já estou mais leve, reclamei bastante.

Até o próximo texto!

Um abraço,

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