Pensamentos Cotidianos, por André L C Ferreira


Dois pastéis, um caldo de cana e um atestado médico, por favor

Frustração.

Você se considera uma pessoa que ‘veste a camisa’ da empresa em que trabalha? Definamos melhor o que é isso. Por acaso você segue seu horário à risca, exatamente de acordo com seu contrato de trabalho? Você falta muito, sem justificativa? Quantos atestados médicos você trouxe até hoje? Quantos deles eram falsos? Nenhum? Todos? E quanto aos trabalhos extras que você faz? Você se limita a realizar sua função apenas ou dá o sangue em seu serviço? Você realmente se importa com o desempenho do todo ou apenas cuida da sua vida?

Em um dia normal, eu diria que ‘visto a camisa’, com certeza. É claro que todos nós fazemos o jogo que nos é favorável. Uma mão lava a outra e todos ficam felizes, certo? Em minha opinião, sim. É o modo como as coisas funcionam. Todos são políticos. Eu sou, você é. Isto não quer dizer que sejamos corruptíveis ou que estejamos fazendo algo errado, de fato. A verdade é que sempre buscamos uma conveção que seja boa para a empresa e boa para nós. Correto? Se hoje eu fizer duas horas extras, mas precisar ir ao banco na hora do almoço e pegar uma fila um pouco maior, podemos negociar. Nada mais normal. Se você precisa sair mais cedo e tem um trabalho urgente e pede minha ajuda para cobrir sua saída, tenho certeza de que poderei contar com sua ajuda quando for a minha vez. São contratos de troca de favores que ficam subentendidos e que são típicos e inofensivos dentro do mundo corporativo. Saber a hora de fazer concessões e de cobrá-las.

O que acontece quando a mão do outro está cada vez mais limpa e a sua está imunda?

O que acontece quando uma empresa não cumpre um contrato? Normalmente, se um acordo não funciona, as medidas legais são tomadas e logo esta atitude é punida. Normalmente. E quando o contrato é moral, como ficamos? Se as leis estão sendo cumpridas e chega o momento de uma mão já lavada encarar sua parte e pegar o sabão, mas ela não o faz?

Fé.

O que é a fé na sua opinião? Literalmente. Sem falar sobre religião, mas o sentido mais amplo do verbete. O que a fé significa? Acreditar? Confiar? Ter a crença em algo ou alguém, não importa o que aconteça? Você tem fé nas pessoas perto de você? Você acredita que seu próximo, mesmo que desconhecido, pode ser confiável? Hipoteticamente falando, se você deixa cair do bolso seu telefone ou sua carteira. Você realmente acredita que a pessoa que anda atrás de você devolverá seus pertences perdidos? Você confia que se um carro for te atropelar na rua, um estranho pode ver a cena e puxar seu braço, livrando sua vida de um final trágico?

Isto é fé. Isso é acreditar nas pessoas. Agora, traga estes sentimentos para a empresa em que você trabalha. Você acredita que as pessoas que a conduzem olham para você e acreditam, têm fé em você? Você faria isso por eles? Teria a coragem de pegar um erro que não foi seu e que prejudicaria a empresa inteira e tentaria evitar o problema? E se você fizesse tudo direito e mais um pouco, estando sempre à disposição para ajudar no que fosse necessário. Você tem fé na empresa ao ponto de ter a certeza de que quando chegasse a vez deles pegarem o sabão e lavarem a sua mão eles o fariam?

Cuidado.

De homem para homem, de pessoa para pessoa, de empregado para empregado. Cuidado.

Pode parecer errado. Pode até soar presunçoso e mesmo egoísta, mas tenha fé em você. E só. Todo este discurso é apenas para mostrar o que é a fé nas pessoas e o que significa honrar seu compromisso de ser parte da equipe. Entretanto, nem sempre isso conta. Pode acreditar. Tenha em mente o que é um emprego para você. Quando se é dono do próprio negócio, ter fibra, garra e dar o sangue para manter os negócios e ter seu pagamento no final do mês é essencial para sobreviver. Todavia, quando o emprego é ser parte de uma equipe da qual se é apenas um membro, tome muito cuidado com o modo como você encara as coisas. Outra pessoa é a dona e outra pessoa ganha os lucros do que você está fazendo. Saiba que no momento em que sua parte na geração do lucro não está mais satisfatória, outras estarão babando para tomar seu lugar. E tomarão. Faz parte da vida corporativa. É fato. Portanto, encare as coisas como elas são. Da mesma forma que procuramos o que nos é mais favorável, quem nos contrata também busca o mesmo. A diferença é que eles estão no controle. Somos apenas parte do conjunto, peças que podem ser repostas.

Sejamos profissionais. Se nos tratam pelas regras escritas, que morram as regras morais. Dancemos conforme a música e sigamos com nossas vidas. Se não nos dão o valor que achamos ser o mais justo, devemos ter coragem para erguer a cabeça e buscar novos horizontes e melhores chances. Se não tivermos fé em nós mesmos, se não confiarmos em nós mesmos, não serão os outros que o farão. Nunca faça nada esperando reconhecimento. Faça seu trabalho, não deixe de fazer sua obrigação. Mas não espere que seja exaltado. O único resultado disso é a decepção. Pode acreditar, eu sei disso.

Desculpem pelo texto pessimista depois de tanto tempo sem postar nada. Muita coisa aconteceu e tenho muito na cabeça. Prometo textos melhores e mais divertidos no próximo post.

Até o próximo texto!

Uma resposta to 'Dois pastéis, um caldo de cana e um atestado médico, por favor'

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  1. romahribeiro said,

    Acredite, Dé, nada é tão ruim que não possa ficar pior.

    Lamento muito o que aconteceu, mesmo.

    Beijos!


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