Pensamentos Cotidianos, por André L C Ferreira


Estréias de Cinema – Hellboy II: O Exército Dourado

Posted in cinema,cotidianos,filmes,pensamentos,texto por andre1979 em setembro 9, 2008
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Bom de Briga

Ao contrário do que ocorreu nos EUA, onde o filme estreou antes dos grandes heróis do verão, Hellboy II: O Exército Dourado esperou a passagem de todos os concorrentes da DC e da Marvel por aqui e chega sozinho em setembro aos cinemas do País.

Em uma temporada de competição acirrada entre blockbusters, que se digladiam incansavelmente pelo primeiro lugar no Box Office mundial, uma enxurrada de produções baseadas em quadrinhos tomou conta do verão norte-americano. O líder absoluto, como não poderia deixar de ser, foi a nova aventura do Homem-Morcego, que contava com diversos trunfos, positivos e negativos, e uma campanha de marketing muito bem-sucedida. Para a surpresa de todos, o recém-criado Marvel Studios correu por fora e emplacou dois bons filmes, ambos com excelentes números nas salas de cinema – Homem de Ferro (vice-campeão da temporada, até o momento, derrubando o novo de Indiana Jones) e O Incrível Hulk ganharam o público e garantiram a produção de novas adaptações de personagens do mesmo universo para as telonas nos próximos anos. Levando em conta outras obras de ficção que também possuem público fiel e garantiram sua fatia do bolo, exemplos de Arquivo X – Eu Quero Acreditar e Hancock, sobrou pouco espaço para que Guillermo del Toro (O Labirinto do Fauno) e sua nova aventura de Hellboy tivesse um ótimo desempenho. Em quatro semanas em cartaz em terras ianques, a seqüência da primeira aparição cinematográfica do gigante vermelho (Hellboy, 2004) travou uma difícil batalha contra seus concorrentes e segurou-se bravamente entre os dez primeiros do ranking das bilheterias dos EUA durante seus quase vinte dias de exibição. Em seu fim de semana de abertura, desbancou o concorrente estrelado por Will Smith, que já estava em queda de público, e havia abocanhado mais de US$ 35 milhões. Esta foi a melhor estréia da carreira de del Toro (o dono do recorde anterior era Blade II). A película acabou caindo para o décimo primeiro posto passada a quarta semana, mordiscando um total de cerca de US$ 72 milhões nas bilheterias (até o início de agosto) – quase 20% a mais que o primeiro filme em seu total arrecadado, lançado em 2004. O estúdio espera que o produto ultrapasse a marca dos 100 milhões de dólares, uma cifra mediana para a época de lançamento e o custo da produção.

Contando com o mesmo elenco e um orçamento mais abundante (cerca US$ 85 milhões), investido em excelentes efeitos visuais, marca registrada do diretor mexicano, Hellboy II: O Exército Dourado humaniza um pouco a figura do anti-herói que havia ficado na cabeça dos fãs, sem perder o tom ácido e sarcástico do personagem. Logo no início, aprendemos sobre a história do Exército Dourado do título em um flashback que mostra a infância de Hellboy. O infante demônio e nós, espectadores, descobrimos uma fábula sobre uma guerra travada entre os mundos humano e místico – cuja maior arma era o tal pelotão de soldados dourados e indestrutíveis. Depois de um massacre sofrido pelo lado dos homens, a paz é selada entre os mundos através da destruição de um artefato, responsável pelo comando dos guerreiros dourados, dividindo-se as partes dele entre os dois universos e deixando o exército místico em estado dormente – mas ainda vivo. Nos dias atuais, um novo vilão é apresentado: Príncipe Nuada (Luke Goss), uma versão maléfica e sombria do personagem de Orlando Bloom na trilogia baseada em Tolkien – esta pode ser uma das primeiras pistas que o diretor dá sobre seu próximo projeto, The Hobbit. O Príncipe invade um evento, um leilão, em busca da parte do artefato destruído que coube aos humanos e que, porém, estava desaparecida. Na sede do BPRD (sigla em inglês para Bureau de Pesquisa e Defesa Paranormal), Hellboy (Ron Perlman), cansado de viver à margem da sociedade, está com o humor pior que o de costume. Depois de brigar com Liz (Selma Blair) e destruir parte de seu dormitório, o casal junta-se à equipe que é enviada ao local atacado. Nos destroços, o grupo encontra pistas sobre o artefato roubado e aprende sobre a existência dos soldados místicos, além de haver um vilão novo na área. No local, acontece um combate entre os membros do BPRD e as criaturas místicas, e Hellboy acaba indo parar nas ruas durante a luta. Ocorre uma batalha no meio da cidade – em uma seqüência das mais impressionantes do filme – e toda a cena é captada pelas câmeras das redes de TV e sai nos noticiários, pondo fim ao supersecreto projeto do governo.

A criação do mundo de Hellboy
Para a produção dos efeitos visuais, houve grande disputa para definir o que seria feito por meio de computação gráfica e o que seria real. Sabe-se que Guillermo del Toro é especialista em trabalhar com bonecos, maquiagem e todo o tipo de equipamento manual para criar seu mundo imaginário. Neste caso não foi diferente. O cineasta deu preferência para o trabalho artesanal e os efeitos que envolviam tecnologia digital foram coadjuvantes na montagem do filme. Aplicados no contexto, os efeitos surgem juntos durante lutas e nas investigações sobre o artefato e a missão de Nuada, momento em que o grupo de heróis adentra um mundo diferente do usual, no qual habitam muitas criaturas folclóricas, como elfos e trolls (em outra inserção que pode ser referenciada ao novo projeto do diretor del Toro), oriundas do mundo místico e que não podiam ser vistas sem o equipamento desenvolvido pelo novo chefe da equipe, Johann Krauss (Seth MacFarlane), uma entidade de energia, contida em uma roupa especial. Não é preciso dizer que Hellboy sente-se em casa quando está entre estes seres, que também não o enxergam como a aberração vista pelos humanos. E esta não é a única surpresa que o roteiro reserva para o herói vermelho – a outra fica por conta de Liz -, que também não será o único a viver conflitos. Abe (Doug Jones), o homem-peixe dotado de extrema inteligência e sensibilidade, cuja maquiagem é uma incógnita – seria manual ou digital? -, tem participação mais efetiva neste filme e também terá sua parcela de situações diferentes para enfrentar: além de lutar ferozmente ao lado de seus companheiros, deve encarar um problema com o qual nunca havia encontrado antes. Estas são apenas partes dos novos conflitos que Guillermo del Toro, aliado a Mike Mignola, criador do personagem e dos quadrinhos que deram origem a ele, inclui no enredo. A película não conta apenas com cenas de ação e brigas, ela abre um novo leque para os sentimentos e os conflitos existenciais dos personagens, que aumentam em número e em complexidade.

Heróis versus herói nos cinemas
Apesar de Hellboy II ter sido lançado no mercado norte-americano simultaneamente aos outros grandes, momento em que teve como concorrentes diretos Hancock, Viagem ao Centro da Terra e Procurado, também teve que lidar com a ressaca que seguiu o período após os lançamentos de Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, Kung Fu Panda, Wall-E e o remake de Agente 86 – tendo em vista que a grande estréia da temporada ainda não havia chegado e o público estava ansioso à sua espera -, seu desempenho foi aquém do esperado. O filme não desagradou ao público, entretanto, não o cativou por lá. Se os espectadores norte-americanos são exigentes, o público brasileiro não fica atrás. A estratégia de lançá-lo no País depois de todos os blockbusters com super-heróis como ponto central pode ser tanto um tiro no pé quanto uma jogada de mestre. A esperança do estúdio é que a produção supere a marca dos 100 milhões de dólares, somando-se o mercado mundial; e, ao que parece, isto mesmo acontecerá. No Brasil, a produção enfrentará nas bilheterias oponentes não tão poderosos quanto os que enfrentou no hemisfério Norte. Este fator, aliado ao fato do povo brasileiro ser fã de quadrinhos e ter recepcionado bem o primeiro filme da franquia, pode ser um indicador de que o Brasil ajudará o diretor a ter mais tranqüilidade enquanto trabalha em seu novo projeto, que parece ser o mais ambicioso de sua carreira – The Hobbit. Por enquanto, nada ainda há de oficial sobre enredo, elenco e data de estréia, prevista para meados de 2011. O que sabemos é que o competente cineasta mexicano está escalado para a direção e foi endossado por Peter Jackson, que produzirá não apenas um, mas dois filmes desta que parece ser uma nova parte franquia.
Sobre uma possível continuação da presente franquia, há rumores sobre Hellboy 3. Todavia, não passa disso. Na opinião de Ron Perlman, não seria ruim: “Cruzo meus dedos para isso”, disse o ator na première do segundo filme. Já o diretor dos dois filmes despista sobre a possibilidade de um terceiro e afirma que é uma questão de calendário. Em seus projetos, diversas produções independentes aparecem engatilhadas enquanto a produção na Nova Zelândia não recebe o sinal verde. A Universal pretende lançar Hellboy II: O Exército Dourado no Brasil em 5 de setembro.

O Mundo de Hellboy em DVD
Além de conferir nos cinemas o novo filme do demônio vermelho, Hellboy também figura nas videolocadoras e lojas do País em três DVDs diferentes – o primeiro filme lançado nos cinemas em 2004 e dois longas-metragens em animação.

A Sony lançou uma edição dupla da produção que abriu a franquia contendo um DVD dedicado inteiramente aos extras. O disco adicional contém itens como comentários e entrevistas com o elenco, produção e com o criador do personagem, além de diversos vídeos sobre os quadrinhos em que personagem nasceu. O disco com o filme também possui informações adicionais, como storyboards e visita ao set.

As duas opções de animação com Hellboy foram lançadas pela Focus Filmes e estão recheados de adicionais interessantes. Os títulos são Hellboy Animated: Sangue e Ferro e Hellboy Animated: Espada das Tempestades. Os extras dos DVDs incluem materiais muito divertidos sobre o processo de criação dos personagens, que aproveitou o elenco da versão live action para a dublagem e caracterização dos desenhos animados. Também estão na lista alguns featurettes com trabalhos de Mike Mignola e uma entrevista com o elenco nos estúdios de dublagem. Os DVDs são vendidos separadamente e têm a opção com o áudio original, legendada, e a versão dublada em português em ambos.

André L. C. Ferreira, agosto de 2008. Publicado na revista Ver Video, edição 182.

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