Pensamentos Cotidianos, por André L C Ferreira


Lançamentos de março nos cinemas

Um remake com a tecnologia 3D

Um remake com a tecnologia 3D

Dia dos Namorados Macabro

Os jovens da cidade de Harmonia se divertem comemorando o Dia dos Namorados. Um grupo de mineiros trabalha à noite, não participando de toda a curtição. Um jovem operário, Tom Hanniger, causa um acidente que mata cinco dos homens, restando apenas vivo apenas Harry Warden, que fica em coma. Um ano depois do ocorrido, Warden desperta e, com uma picareta, assassina brutalmente 22 pessoas pela cidade antes de ser morto. Hanniger volta ao local depois de 10 anos e reencontra um velho amor, agora casada com um grande amigo. Ao mesmo tempo, uma nova onda de homicídios violentos assola a população. Dia dos Namorados Macabro é uma refilmagem de um clássico slasher de 1981. Com cópias tanto em 2D quanto em três dimensões, a produção chega ao cinemas nacionais em 13 de março. Distribuição: PlayArte. André Cavallini.

Adaptação francesa do livro de François Bégaudeau

Adaptação francesa do livro de François Bégaudeau

Entre os Muros da Escola

Com a Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2008, uma indicação ao Oscar® 2009 como Melhor Filme Estrangeiro e cinco indicações ao Cesar (premiação da academia francesa) no currículo, Entre os Muros da Escola chega ao Brasil embalado pelo sucesso internacional e com uma história muito similar ao que vivemos por aqui. Baseado no livro de François Bégaudeau, que também roteiriza e atua na produção, o filme narra as dificuldades e as alegrias que um grupo de professores de uma escola pública parisiense enfrenta em seu dia-a-dia. Todos os problemas sociais que França suporta em seu cotidiano refletem dentro da sala de aula: racismo, pobreza, desemprego e falta de esperança para uma classe menos provida de recursos. Mesmo assim, o professor François insiste em sua jornada de levar aos jovens o conhecimento e as ferramentas para buscarem uma vida melhor. Contudo, nem sempre os estudantes respondem com a mesma dedicação e respeito, o que resulta em um drama ético sobre seus métodos. Entre os Muros da Escola tem estréia nacional prevista para o dia 13 de março. Distribuição: Imovision. André Cavallini.

Kevin Smith (diretor, à esquerda) e Seth Rogen nos bastidores do filme

Kevin Smith (diretor, à esquerda) e Seth Rogen nos bastidores do filme

Pagando Bem, Que Mal Tem?

Zack (Seth Rogen) e Miri (Elizabeth Banks) moram juntos e se conhecem desde quando eram crianças. Grandes amigos, vivem na pindaíba e fazem o que podem para manterem um teto sobre suas cabeças, pois vivem juntos e dividem todas as contas. Certo dia, coincidentemente, na mesma data do encontro de ex-alunos do colegial na escola em que estudaram, a luz e a água são cortados do apartamento deles, sem o menor aviso. Na festa, os dois reencontram alguns colegas e descobrem que realmente não fizeram nada de suas vidas até o momento. Em casa, agora já sem aquecimento também, o rapaz percebe que a única forma que eles têm para pagar as contas e saírem do vermelho é fazer um filme pornô. Reunindo alguns colaboradores inusitados, atores com habilidades bizarras e adaptando o café em que Zack trabalha como o cenário, o grupo leva a cabo a produção do filme, aos trancos e barrancos. O que os dois parceiros não esperavam era que certos sentimentos que guardavam um pelo outro fossem se revelar justamente durante as filmagens de suas cenas, o que pode colocar tudo a perder. Pagando Bem, Que Mal Tem? é dirigido por Kevin Smith, famoso por ser politicamente incorreto e sarcástico, e tem seu lançamento previsto para o dia 20 de março. Distribuição: Imagem Filmes. André Cavallini.

Kirsten Dunst e Simon Pegg

Kirsten Dunst e Simon Pegg

Um Louco Apaixonado

O jornalista Simon Young vive em Londres, onde trabalha em uma revista alternativa e tem uma carreira sem sal. Quando ele tenta invadir uma festa de celebridades e dá tudo errado, Simon recebe o inesperado convite para trabalhar em Nova York, na revista Sharp, e adentrar o mundo do glamour que tanto desejava. Porém, ele tem uma completa mudança de atitude e, de um pacato seguidor de regras, passa a ser impulsivo e desvairado, criando uma série de situações embaraçosas que colocam em risco seu tão querido emprego. E a situação tende a ficar pior, já que Young se apaixona por uma bela atriz e cria algumas inimizades em seu local de trabalho. No meio deste caos todo, Simon pode ter a chance de conhecer – e conquistar – um amor verdadeiro. Um Louco Apaixonado tem um grande elenco, que conta com Alec Baldwin, Kirsten Dunst, Megan Fox, Jeff Bridges e Simon Pegg. Sua estréia nacional está prevista para o dia 27 de março. Distribuição: California Filmes. André Cavallini.

Sally Hawking, ganhadora do Globo de Ouro de Melhor Atriz em 2009

Sally Hawking, ganhadora do Globo de Ouro de Melhor Atriz em 2009

Simplesmente Feliz

Poppy (Sally Hawkins) é uma professora de 30 anos incrivelmente feliz, otimista e amistosa. Sua energia contagia quem chega perto dela. Ela vive com seu melhor amigo em um apartamento em Londres. Sua alegria é testada quando ela conhece um instrutor de auto-escola com sérios problemas para controlar sua raiva. Além deste encontro inusitado, a moça vive situações diferentes a cada momento e cruza com diversos personagens do cotidiano. O romance fica por conta de sua relação com um assistente social que está orientando um aluno de Poppy. A produção inglesa Simplesmente Feliz é um retrato positivo de caracteres peculiares londrinos e tem em sua protagonista a maior força que motiva o público a assistir ao filme. Sally Hawkins já ganhou 10 prêmios por seu papel nesta película, tendo entre eles um Leão de Prata em Berlim e um Globo de Ouro®. Este filme tem estréia nacional prevista para o dia 27 de março. Distribuição: Imagem Filmes. André Cavallini.

Frank Langella e Michael Sheen (à esq.)

Frank Langella e Michael Sheen (à esq.)

Frost/Nixon

Depois de três anos de silêncio após sua deposição do cargo de presidente dos EUA, Richard Nixon concordou em conceder uma entrevista exclusiva a um jornalista e falar publicamente sobre os fatos ocorridos no escândalo de Watergate e o fim de sua passagem pela Casa Branca. Nixon surpreendeu a mídia ao escolher o britânico David Frost como aquele que realizaria o esperado evento. Sob grande desconfiança de sua equipe, Frost provou sua desenvoltura e protagonizou, ao lado do famoso político, um duelo nunca antes visto na televisão. Esta produção mostra os bastidores do programa, bem como a fragilidade dos personagens ao lidar com os segredos que abalaram o cenário político mundial na década de 1970. Estrelado por Michael Sheen, Frank Langella e Kevin Bacon, Frost/Nixon recebeu cinco indicações ao Oscar®, inclusive para Melhor Ator (Frank Langella), Melhor Diretor (Ron Howard) e Melhor Filme. A estréia nacional está prevista para o dia 6 de março. Distribuição: Universal. André Cavallini.

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Ganhamos um Oscar, e agora?

O começo de ano sempre tem um ritmo diferente. As distribuidoras ao redor do mundo roem as unhas e imaginam se fizeram as escolhas certas ao promover determinada produção. A causa disso é a avalanche de premiações que o primeiro trimestre acumula e o desempenho dos concorrentes. Mas será que estes resultados influenciam o mercado tanto assim?

Como muitos já haviam previsto, o grande vencedor do Oscar®, e da maioria dos prêmios cinematográficos neste crítico início de ano, foi Quem Quer Ser um Milionário? (Europa Filmes). Os resultados não surpreenderam, porém, seus efeitos nas bilheterias foram notáveis e a campanha do filme de Danny Boyle nos cinemas norte-americanos ganhou um novo fôlego, que deve impulsionar sua estréia em muitos outros países, inclusive no Brasil. Na prática, antes da cerimônia e da consagração (concorreu a dez estatuetas e conquistou oito delas), sua carreira nas telonas era modesta, apesar de já ter superado seu orçamento em muitos milhões de dólares. Ainda em 2008, o filme teve uma estréia limitada, que rendeu pouco mais de US$ 5 milhões em quatro semanas – o que é considerado um valor normal para uma obra estrangeira. Porém, com a ventilação da notícia de suas inúmeras indicações, sua estréia ‘wide’ quase igualou o número acumulado até o momento (quase 5 milhões a mais). Na última semana de 2008, Quem Quer Ser um Milionário? Já havia superado seu orçamento: faturou mais de US$ 19 milhões e seu custo foi de aproximadamente US$ 15 milhões. Já em 2009, sua distribuição norte-americana aumentou e o filme ganhou lançamento digno de blockbusters hollywoodianos, chegando a 2.943 salas. O ponto de mudança foi muito próximo do anúncio dos indicados ao Oscar®, na segunda quinzena de janeiro, quando estava em exibição em 582 salas e passou a figurar em 1.411. Até o fechamento desta edição, o filme já havia alcançado a excelente marca de US$ 115 milhões nos EUA (3º lugar no ranking) e mais de US$ 96 milhões ao redor do globo.
O caso analisado prova que o reconhecimento da Academia, e dos demais sindicatos, tem muito valor para o público. É claro que o estudo acima envolve apenas o filme que mais prêmios faturou. Entretanto, a quantidade de prêmios conseguidos não é o único modo de impulsionar o desempenho de uma produção no Box Office. O fato de uma produção ser lembrada pelos membros dos júris ou sindicatos – e isso valer uma indicação – já motiva o público a conferir a película. Veja o exemplo de O Curioso Caso de Benjamin Button (Warner), que recebeu 13 indicações e levou apenas 3 prêmios. Até o fechamento deste artigo, o filme estrelado por Brad Pitt (indicado ao Oscar®) estava em cartaz há dez semanas, o que é uma respeitável carreira. Apesar de estar aquém do esperado, seu rendimento se manteve estável durante todo o período e, mesmo em ritmo de saída de cartaz, rendeu muito mais do que outras produções que estrearam ao longo destes últimos meses. Fora dos EUA, sua arrecadação foi excelente. Enquanto somou cerca de US$ 125 milhões em território norte-americano, faturou mais de US$ 175 milhões mundo afora e superou seu alto custo de produção.
Internacionalmente, diversos ‘oscarizados’ ganharam mais vigor nas bilheterias e aumentaram seu faturamento. Uma informação diferente: os ganhadores do Oscar® de melhor ator e atriz estrelaram produções que não tiveram a mesma abertura de outros blockbusters. Milk – A Voz da Igualdade (Universal), que consagrou Sean Penn, foi exibido em pouco mais de 800 salas nos EUA e arrecadou pouco mais de US$ 40 milhões mundialmente. O Leitor (Imagem Filmes), que rendeu o merecido reconhecimento a Kate Winslet como a grande atriz que é, também teve pouca expressão numérica nas bilheterias globais: somou US$ 48 milhões. E ambos estão em cartaz há mais de dez semanas. Performance similar foi a de O Lutador (Paris Filmes), que trouxe de volta aos holofotes o ator Mickey Rourke, que levou o Globo de Ouro® e o BAFTA de melhor ator, com justiça.
No Brasil, os efeitos desta balança de premiações, indicações e desempenho não tiveram grande influência, já que uma produção nacional estreou em dezembro do ano passado e não deu chances para ninguém chegar ao topo até a primeira semana de março. Se Eu Fosse Você 2 (Fox) desbancou qualquer outro filme que foi lançado. O único que se aproximou foi O Curioso Caso de Benjamin Button, que ostenta a segunda colocação entre as maiores bilheterias do ano por aqui. Deve ser levado em consideração o fato de que o grande hit do momento, Quem Quer Ser um Milionário?, só chegou aos cinemas nacionais em 6 de março e os resultados das bilheterias ainda não haviam sido divulgados até o fechamento desta seção, portanto, não foi possível verificar o desempenho do filme por aqui.
Concluindo, quanto mais distante do centro nervoso do cinema internacional se está, menor o efeito que um prêmio importante tem nos cinemas e nos lares dos amantes da Sétima Arte. Todavia, nem sempre este foco está concentrado nos EUA. Festivais que acontecem na Europa também influem na escolha do público. O mesmo vale para o Brasil, cujas mostras atraem cada vez mais público. Entretanto, mesmo com este crescimento, a atenção da audiência é frequentemente conduzida pela divulgação que determinada produção tem em círculo social, ou seja, o boca-a-boca. Nos tempos atuais, o eficiente ‘marketing viral’, que invade como uma tempestade os veículos de comunicação e induzem as pessoas a prestigiar determinado filme, tem sido muito mais eficiente do que o reconhecimento acadêmico e artístico das películas. Para espectador, que é a força motriz deste mercado, quanto mais parâmetros para avaliar melhor o que escolher como entretenimento, melhor. E quem ganha é sempre o mercado. André Cavallini

Confira quais os vencedores do Oscar 2009:

Melhor Filme
Quem Quer Ser um Milionário? (Europa Filmes)

Melhor Diretor
Danny Boyle, por Quem Quer Ser um Milionário?

Melhor Ator
Sean Penn, por Milk – A Voz da Igualdade (Universal)

Melhor Atriz
Kate Winslet, O Leitor (Imagem Filmes)

Melhor Ator Coadjuvante
Heath Ledger, por Batman – O Cavaleiro das Trevas (Warner)

Melhor Atriz Coadjuvante
Penélope Cruz, por Vicky Cristina Barcelona (Imagem Filmes)

Melhor Roteiro Adaptado
Simon Beaufoy, por Quem Quer Ser um Milionário?

Melhor Roteiro Original
Dustin Lance Black, por Milk – A Voz da Igualdade

Melhor Animação
Wall-E (Disney)

Melhor Filme em Língua Estrangeira
Departures (Japão)

Melhor Edição
Chris Dickens, por Quem Quer Ser um Milionário?”

Melhor Mixagem de Som
Ian Tapp, Richard Pryke e Resul Pookutty, por Quem Quer Ser um Milionário?

Melhor Edição de Som
Richard King, Batman – O Cavaleiro das Trevas

Melhor Canção Original
Jai Ho, de A. R. Rahman e Gulzar, por Quem Quer Ser um Milionário?

Melhor Trilha Sonora Original
A. R. Rahman, por Quem Quer Ser um Milionário?”

Melhor Direção de Fotografia
Anthony Dod Mantle, por Quem Quer Ser um Milionário?

Melhores Efeitos Visuais
Eric Barba, Steve Preeg, Burt Dalton e Craig Barron, por O Curioso Caso de Benjamin Button (Warner)

Melhor Maquiagem
Greg Cannom, por O Curioso Caso de Benjamin Button

Melhor Figurino
Michael O’Connor, por A Duquesa (Paramount)

Melhor Direção de Arte
Donald Graham Burt e Victor J. Zolfo, por O Curioso Caso de Benjamin Button

Melhor Documentário
O Equilibrista (California Filmes), de James Marsh e Simon Chinn

Melhor Documentário de Curta-metragem
Smile Pinki, de Megan Mylan

Melhor Curta-metragem Live Action
Spielzeugland (Toyland), de Jochen Alexander Freydank

Melhor Curta-metragem de Animação
La Maison en Petits Cubes, de Kunio Kato