Pensamentos Cotidianos, por André L C Ferreira


Atualizando clássicos [nota e entrevista]

A Disney lança a versão em DVD de A Montanha Enfeitiçada, uma nova edição que retoma a história contada em dois filmes clássicos dos anos 70

Duas crianças, Sara (AnnaSophia Robb, de A Fantástica Fábrica de Chocolate) e Seth (Alexander Ludwig, de Seis Signos da Luz), entram no taxi de Jack Bruno (Dwayne Johnson, de Treinando o Papai), um motorista com um passado misterioso, e partem para uma aventura que envolve alienígenas, agentes do governo e cenas de ação alucinantes. Fato é que os dois garotos precisam chegar a um determinado lugar e somente Jack pode ajudá-los a escapar dos vilões que os perseguem. A Montanha Enfeitiçada é um filme que dá uma nova cara a uma história já conhecida pelos fãs da Disney. A trama é derivada das aventuras de Tia e Tony, vividos por Kim Richards e Ike Eisenmann, respectivamente, duas crianças que protagonizaram dois grandes sucessos da Disney no final da década de 70: A Montanha Enfeitiçada (1975) e Perigo na Montanha Enfeitiçada (1978), duas produções que fizeram parte dos filmes inesquecíveis da matine brasileira dos anos 80.

O astro de ação Dwayne Johnson, também conhecido como The Rock, repete a parceria com o diretor Andy Fickerman – os dois trabalharam juntos em Treinando o Papai – e o resultado é um filme agitado que pode ser visto por toda a família.

Confira a seguir um bate-papo realizado por mim por telefone com os dois garotos que protagonizaram A Montanha Enfeitiçada – AnnaSophia Robb e Alexander Ludwig:

Dupla de protagonistas durante première de A Montanha Enfeitiçada

Dupla de protagonistas durante première de A Montanha Enfeitiçada

Ver Video: Como você chegou até o projeto do filme A Montanha Enfeitiçada?
AnnaSophia Robb: Eu conversei com o meu representante e contei a ele o meu desejo de participar de algum filme do Andy Fickman, eu já conhecia o seu trabalho e gostei muito do filme Treinando o Papai, que ele fez em 2007. Quando soube que ele queria conversar comigo sobre a produção de A Montanha Enfeitiçada, quase explodi de felicidade! Enfim, conversamos e eu topei na hora fazer o filme. Fiquei muito feliz.
Alexander Ludwig: Meu empresário já havia conversado com Andy Fickman ainda na época em que Fickman havia dirigido Treinando o Papai, da Disney. Eles conversaram e, quando surgiu o roteiro de A Montanha Enfeitiçada, marcamos um teste. Fui lá, fiz e passei.

VV: Você já havia assistido aos primeiros filmes da série, realizados nos anos 70? Isso fez parte da sua preparação para o trabalho?
AnnaSophia: Eu já havia visto os dois filmes (A Montanha Enfeitiçada, de 1975, e Perigo na Montanha Enfeitiçada, de 1978), e saber que eu estaria no novo capítulo da saga me motivou ainda mais a vê-los novamente. Na verdade, assistir aos filmes não fazia parte da preparação, apenas os laboratórios e as leituras do roteiro, tradicionais. Esse processo foi muito divertido e pude conhecer o Alexander Ludwig lá, nos tornamos grandes amigos. É muito fácil se tornar amiga dele, é uma pessoa muito especial. Isso sem falar no Dwayne Johnson e no próprio diretor, o Andy Fickman.
Ludwig: Como toda criança dos EUA, eu já havia visto os dois filmes há alguns anos. Quando ouvi sobre a possibilidade de fazer um teste e fazer parte do projeto, fiquei muito empolgado em ter a oportunidade de estar em uma terceira parte da história. Na verdade, não nos pediram para assistir aos anteriores. Nossa preparação durou alguns meses e foi até rápida, já que logo começamos os testes de câmera, maquiagem e figurino – sem falar no laboratório com o elenco. Foi tudo muito rápido!

VV: Vocês já haviam trabalhado juntos antes? Vocês tiveram um ótimo entrosamento em cena. Como chegaram a isso?
AnnaSophia: Isso é fruto do nosso trabalho de preparação e da amizade que criamos no set, que levarei para a vida toda. Alex é uma ótima pessoa. Não tem como não gostar dele. Nos tornamos grandes amigos durante as filmagens e isso transparece no filme. Foi amizade à primeira vista!
Ludwig:
Não simpatizei nem um pouco com Anna… Brincadeira! Comigo não foi diferente com relação a ela. Nos comunicamos muito bem e, durante os laboratórios e as filmagens, essa afinidade só aumentou. De fato, nos tornamos bons amigos.

VV: Como foi a convivência com o Dwayne Johnson? E com o restante do elenco?

AnnaSophia: O Dwayne é um cara muito engraçado, muito fácil de trabalhar. Ele fez com que nossos dias fossem muito mais agradáveis, mesmo com a grande quantidade de cenas sendo rodadas no mesmo dia. Ele tem aquele tamanho todo, mas é um grande ator, muito sensível e talentoso. Foi uma ótima experiência. A Carla Gugino é um doce de pessoa e nos ajudou muito nas cenas, o Garry Marshall é uma pessoa muito divertida, enfim, todos os envolvidos contribuíram para um ambiente muito gostoso.
Ludwig: Quem assiste aos filmes do Dwayne e vê o nome “The Rock” se assusta. Não tem como não relacionar a figura dele nas telas com sua imagem pessoal. É pura enganação! Nos bastidores, fora das câmeras, ele é um cara muito simples, simpático e trabalhador, que faz de tudo para que todos estejam confortáveis para trabalhar. Fora isso, é um cara muito profissional, que leva a sério o que faz e se prepara muito para cada cena. Mas sempre com um tempinho para uma brincadeira ou uma piadinha. A Carla Gugino é um doce de pessoa e uma atriz excelente, muito profissional e focada no trabalho. Foi uma grande fonte de aprendizado também.

VV: Vocês estiveram presentes em muitos filmes de sucesso nos últimos anos. Como isso afetou rotina de vocês? Como estão suas vidas hoje?
AnnaSophia: Olha, minha vida mudou muito, não tem nem como comparar com antes desses trabalhos. E a dos meus pais também! Mas eu já me acostumei com isso. A escola que frequento foi super tranquila em adaptar algumas aulas para o meu dia-a-dia, meus amigos também me apoiam muito. Não sei muito bem como serão as coisas daqui para a frente, mas pretendo me dedicar um pouco mais aos estudos nos próximos meses antes de entrar em outro projeto.
Ludwig: Eu assino embaixo! Tudo é diferente. Não somos estrelas de Hollywood, mas nossos rostos estão ficando conhecidos. Têm paparazzi em todo o lugar e temos que sempre vigiar nossos passos. Tirando isso, o trabalho nem sempre colabora com os horários da escola. Então, depois que terminei Os Seis Signos da Luz, em 2007, tirei um tempo para colocar os estudos em ordem. Neste ano, pude voltar a trabalhar e fazer A Montanha Enfeitiçada sem ter que me preocupar em me formar. Dá-se um jeitinho para fazer as coisas darem certo.

VV: Vocês pretendem fazer faculdade? Continuarão na área de cinema?
AnnaSophia: Ainda não sei bem o que vou fazer. Sei que atuar é o que quero da minha vida, mas se isso quer dizer ir para a faculdade, não sei. Ainda estou no segundo ano do Ensino Médio, então, ainda tenho tempo para me decidir. Quero fazer isso com calma.
Ludwig: Eu quero seguir carreira de ator. Não tenho pretensão de me tornar um cineasta. Não agora. O que devo fazer é me especializar como ator e deixar as coisas fluírem. Se meu destino for o cinema e portas se abrirem para trabalhar atrás das câmeras, que seja! E também quero ser um “rockstar”! (risos)

VV: Estamos ansiosos para ver a versão em DVD e Blu-ray de A Montanha Enfeitiçada. Vocês podem nos adiantar o que há de material adicional nesta versão?
AnnaSophia: Olha, eu sei que temos várias cenas de bastidores, muitas cenas deletadas e erros de gravação, além de clipes musicais do filme. Não sei se esse material chegará às versões brasileiras, mas creio que deve ter muito mais coisas bacanas no Blu-ray também.
Ludwig: Eu digo o mesmo. Há várias cenas de bastidores, como erros de gravação e cenas que acabaram sendo editadas (ou cortadas) na sala de edição, por motivos diversos. São materiais muito divertidos e interessantes. De resto, não sei dizer o que planejaram. Estamos tão curiosos como vocês!

VV: Dos filmes em que vocês trabalharam, quais vocês destacariam como seus favoritos? Algum que não gostaram?
AnnaSophia: Eu não gosto de me ver na tela, sabe? Mas posso dizer que um dos filmes que fiz e que foi muito importante para minha carreira e que posso sentar e assistir, sem problemas, é o A Fantástica Fábrica de Chocolate (2005). Adorei fazê-lo. Meu papel não é de protagonista, mas me colocou em evidência no mundo do cinema e foi muito divertido de ser realizado. Contudo, o filme que mais tenho orgulho de ter feito é o Sleepwalking (2008). Nele, pude me realizar como atriz, foi o mais profissional, por assim dizer.
Ludwig: Os maiores filmem em que participei foram o Os Seis Signos da Luz e A Montanha Enfeitiçada. Não tenho muitos parâmetros como a Anna (risos), mas posso dizer que me diverti – e aprendi – muito com esses dois grandes sucessos.

VV: Algum novo projeto no horizonte?
AnnaSophia: Tenho vários projetos em vista, mas quero me dedicar um pouco mais aos estudos nos próximos meses. Ainda estou avaliando bem o que quero fazer em seguida.
Ludwig: Ainda não sei o que me aguarda. Também estou planejando me formar no colegial e entrar na faculdade. Se pintar algo nesse meio-tempo, vou considerar junto com meu agente e minha família e veremos!

Nota publicada na edição 194 (setembro, 2009) e entrevista publicada na edição 196 (novembro, 2009) da revista Ver Video.

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Carreira Sexagenária

Posted in Uncategorized por andre1979 em outubro 20, 2009
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Uma figura importante no cenário cultural brasileiro, Lima Duarte ganha homenagem por sua longa carreira, que faz aniversário

Completando 60 anos de carreira cinematográfica, Ariclenes Venâncio Martins, mais conhecido como Lima Duarte, viveu personagens marcantes em mais de 30 produções levadas ao cinema. Em sua longa jornada profissional, Lima Duarte já ocupou o posto de ator, diretor e até de dublador. Seu primeiro filme foi Quase no Céu, de 1949, dirigido por Oduvaldo Vianna. Daí para a frente, ele não parou mais. Mesclando grandes papéis na televisão e no cinema, Duarte construiu um sólido legado na cultura brasileira. Entre os diversos prêmios que acumulou nestes 60 anos, pode-se destacar as seis vezes em que foi reconhecido como melhor ator pela Associação dos Críticos de Arte de São Paulo. Também ganhou o troféu de melhor ator no Festival de Havana, em 1983, como o protagonista de Sargento Getúlio – papel que também o deu o Kikito dourado em Gramado no mesmo ano.

Celebrando tão importante momento, foi realizado em São Paulo um ciclo de exibição com 32 filmes de Duarte, que aconteceu no Centro Cultural Banco do Brasil entre os dias 28 de julho e 2 de agosto. No embalo, VER VIDEO preparou uma relação com os filmes que contam com a participação de Lima Duarte e que estão disponíveis no mercado do home entertaiment nacional. Confira!

Os filmes de Lima Duarte: O Sobrado (1952, Amazonas Filmes) – Paixão de Gaúcho (1957, Amazonas Filmes) – Guerra Conjugal (1974, VideoFilmes) – Lua Cheia (1989, Sony) – A Ostra e o Vento (1997, Som Livre) – Boleiros – Era Uma Vez o Futebol (1997, Paris Filmes) – Eu Tu Eles (2000, Sony) – O Auto da Compadecida (2000, Sony) – O Preço da Paz (2003, Riofilme) – Espelho Mágico (2005, Paris Filmes) – Depois Daquele Baile (2005, VideoFilmes) – 2 Filhos de Francisco (2005, Sony) – Boleiros 2 – Vencedores e Vencidos (2006, Paris Filmes) – A Ilha do Terrível Rapaterra (2006, California Filmes)

Nota publicada na edição 194 da revista Ver Video (setembro, 2009).

Celebrando a vida

O mundo do cinema perdeu John Hughes, um cineasta que marcou os anos 80 com grandes comédias que embalaram a adolescência de muitos brasileiros

Quem nunca viu clássicos de matinê como Curtindo a Vida Adoidado, Mulher Nota 1000 e A Malandrinha? E comédias muito divertidas como Dennis, o Pimentinha, Quem Vê Cara Não Vê Coração e Ninguém Segura Esse Bebê? Pois todos esses filmes são frutos do trabalho de um talentoso cineasta norte-americano chamado John Hughes. Infelizmente, no dia seis de agosto ele partiu e deixou para trás um legado cultural que não se limita apenas à imagem, mas ao conteúdo verdadeiro de seus filmes: histórias de vida. Celebrando sua carreira, que não se limitou apenas à direção, contemplando dezenas de roteiros bem-sucedidos e filmes produzidos, veja abaixo uma pequena lista dos trabalhos de Hughes que podem ser encontrados nas locadoras e lojas do Brasil.

O melhor de John Hughes no Brasil: 101 Dálmatas (1996, Disney) – A Malandrinha (1997, Warner) – Beethoven 3 – Uma Família em Apuros (2000, Universal) – Beethoven 4 (2001, Universal) – Beethoven 5 (2003, Universal) – Beethoven, O Magnífico (1992, Universal) – Clube dos Cinco (1985, Universal) – Curtindo a Vida Adoidado (1986, Paramount) – Dennis, O Pimentinha (1993, Warner) – Encontro de Amor (2003, Sony) – Esqueceram de Mim (1990, Fox) – Esqueceram de Mim 2: Perdido em Nova York (1992, Fox) – Esqueceram de Mim 3 (1997, Fox) – Férias Frustradas (1983, Warner) – Férias Frustradas de Natal (1989, Warner) – Flubber – Uma Invenção Desmiolada (1997, Disney) – Gatinhas e Gatões (1984, Universal) – Meu Nome é Taylor, Drillbit Taylor (2008, Paramount) – Milagre na Rua 34 (1994, Fox) – Mulher Nota 1000 (1985, Universal) – Os Viajantes do Tempo (2001, Sony) – Piratas das Ilhas Selvagens (1983, Paramount) – Quem Vê Cara Não Vê Coração (1989, Sony)

Nota publicada na edição 194 da revista Ver Video (setembro, 2009)

Mexendo com o público

Misturando títulos de comédia e terror, a Prime Pictures leva os extremos da emoção ao espectador no mês de setembro

Poster internacional do filme InconcebívelAs locadoras do País terão mais três boas opções para o consumidor. Com dois gêneros muito distintos, mas que são do gosto da maior parte dos clientes, os três títulos oferecidos em setembro pela Prime Pictures tem tudo para agradar nas prateleiras. Para provocar risos na platéia, chega Inconcebível, uma trama divertida sobre os bastidores do mercado da fertilização artificial, onde a vida começa em um tubo de ensaio. O elenco conta com a participação de grandes atores, como Andie MacDowell, Colm Feore, Greta Scacchi, Elizabeth MacGovern, Geraldine Chaplin, entre outros.

Para assustar – no bom sentido! – o público, a Prime traz dois filmes: Mutações e Profeta. O primeiro trata de um futuro apocalíptico, em que uma pandemia toma conta da sociedade e faz com que as pessoas busquem refúgio e passem a viver na marginalidade. Os infectados se tornam criaturas mortíferas e violentas, que perseguem os “normais” se piedade. Um casal, Marco e Sonia, tentam sobreviver para que a moça possa ter o filho deles em paz, em um lugar seguro. Já o segundo título mostra um serial killer investigado pela polícia, que está tentando descobrir o que o motivou a matar e como isso aconteceu. Na trama, a vida do maníaco é mostrada, detalhando a ideologia dele, o que ele usa para justificar as atrocidades que comete. Sustos não faltarão nos dois filmes. Já nas locadoras.

Nota publicada na edição 194 da revista Ver Video (setembro, 2009).