Pensamentos Cotidianos, por André L C Ferreira


Notas de Hollywood

Notas Hollywood
(produzidas para a revista Ver Video edição 184, mas que não foram publicadas por falta de espaço)

A força dos Jedis faz sucesso no Cartoon Network
O longa-metragem de animação Star Wars: The Clone Wars, primeira animação da série de filmes criada por George Lucas feita para a tela grande e que estreou nos cinemas nacionais em agosto, mostrou a que veio e faturou mais de 60 milhões de dólares nas bilheterias ao redor do mundo. Como se não bastasse o sucesso atingido até o momento, a Lucasfilm Animation, divisão da produtora de Lucas, a Lucasfilm, especializada em animação gerada por computador, desenvolveu uma animação que dá seqüência ao filme adaptada para as telinhas e sua estréia foi arrasadora.

Ambientada entre os Episódios II e III, a Guerra dos Clones (Star Wars: The Clone Wars) estreou no canal Cartoon Network dos EUA no dia 3 de outubro e conquistou o título de melhor estréia da história do canal, com mais de 4 milhões de espectadores, quebrando o recorde de audiência que antes era de 2,9 milhões, obtido pela animação Ben 10: Alien Force. Segundo levantamento da Nielsen Media Research, o público que mais assistiu ao lançamento foi o de crianças entre 2 e 11 anos (1,8 milhões). Outro número impressionante foi o de pré-adolescentes e adolescentes (faixa dos 9 aos 14 anos), cuja quantidade de espectadores (1,2 milhões) superou qualquer outra estréia do Cartoon e colocou o canal em primeiro lugar entre todas as redes focadas nesta faixa de público.

Vale ressaltar que, apesar do nome parecido e de se passar durante o mesmo período cronológico dentro da saga, a nova animação Star Wars: The Clone Wars não é uma continuação daquela que já esteve no ar em 2003, Star Wars: Clone Wars, no mesmo canal. Esta durou 25 episódios e não foi produzida em tecnologia 3D Digital, como a atual, além de ter sido uma empreitada do próprio canal Cartoon Network e não da Lucasfilm Animation. A notícia é de que o enredo da nova série de animação acontece paralelamente à anterior. Até o fechamento deste artigo ainda não havia informações sobre a exibição da animação no Brasil.

Homenagem Merecida
O ator James Earl Jones – famoso por ter emprestado sua voz a um dos vilões mais conhecidos da história do cinema, Darth Vader, na saga Star Wars, e ao pai do leão Simba, Mufasa, na animação O Rei Leão – receberá uma homenagem por sua carreira durante a entrega dos prêmios SAG Awards 2009, o SAG Life Achievement Award, o 45º da história da premiação.

Aos 77 anos, Jones já ganhou diversos prêmios importantes em sua longa carreira, incluindo dois Tony®, premiação máxima do teatro norte-americano, três Emmy®, que coroa as atuações em TV, mas que, contudo, nunca ganhou um Oscar®, apesar de ter recebido uma indicação.
A festa de premiação do SAG Awards acontece em 25 de janeiro de 2009.

O novo Sherlock Holmes
Com a confirmação da produção de uma nova aventura do detetive mais famoso da literatura em língua inglesa, para não dizer mundial, Sherlock Holmes, anunciada no final de setembro, criou-se o mistério de quem interpretaria o personagem-título e quem assumiria a responsabilidade de adaptar a história clássica sem perder o charme e o clima sério que os livros de seu criador, Sir Arthur Conan Doyle, criou. A resposta veio de forma surpreendente. Um time de grandes foi montado para realizar tal obra: no elenco, Robert Downey Jr. foi o escolhido para interpretar Holmes e Jude Law encarnará Dr. Watson; na direção, o ousado Guy Ritchie arregaçará as mangas para conduzir o filme, que será produzido por ninguém menos que Joel Silver, produtor com um currículo invejável, que inclui a trilogia Matrix, V de Vingança, Máquina Mortífera 4 e o recente RocknRolla – A Grande Roubada, em que também faz parceria com Ritchie.

A notícia da escolha dos profissionais, dada no início de outubro, chamou a atenção da imprensa internacional, que recebeu com surpresa a escolha de Downey Jr como o detetive, papel que já foi de atores célebres como o britânico Peter Cushing e o irlandês Peter O’Toole. Segundo o próprio ator, sua escalação se deve muito ao fato de ter estrelado Homem de Ferro e a enorme quantia arrecadada por ele (mais de meio milhão de dólares). Durante o anúncio oficial aos jornalistas, que aconteceu em Londres, muito falou-se sobre a intenção de manter o máximo de fidelidade aos livros e ao ambiente criado pelo autor. Também especulou-se sobre a criação de uma nova franquia no cinema e, talvez, de uma série de TV.

Atualmente, o filme está em processo de filmagem e produção. A estréia está prevista para 2010. Todavia, o calendário pode ser antecipado. O motivo: também no início de outubro foi anunciada a realização de uma produção que satiriza Sherlock Holmes, que será estrelada por Sacha Baron Cohen e Will Ferrell, e que tem mesma previsão de estréia. Ao saber deste fato, Guy Ritchie mostrou bom humor e afirmou que fará de tudo para boicotar o filme concorrente.

Separação amigável?
Duas das maiores empresas do ramo do entretenimento mundial, especificamente do cinema, a DreamWorks e a Paramount, anunciaram o término de uma joint venture criada para a produção e distribuição de mais de quarenta projetos. Com isso, uma nova empresa deverá ser criada pelos remanescentes da DreamWorks, que ficará com cerca de 20 dos projetos da antiga parceria. À Paramount fica a opção de distribuir e co-financiar estas obras. Entre os produtos afetados pela separação estão os dois próximos filmes de Steven Spielberg e o próximo do comediante Sacha Baron Cohen, entre muitos outros.

Ao que parece, a situação é interessante para ambas. A Paramount se beneficia do fato de eliminar uma série de projetos que sobrecarregavam o estúdio, e suas contas, além de manter as grandes produções em suas mãos. Já a DreamWorks tem a oportunidade de começar uma nova empreitada, com uma equipe já conhecida, sem mencionar o fato de retirar-se da área criativa e financeira da sua ex-parceira, o que a impedia de dedicar-se aos próprios objetivos.

Apesar das negociações da separação ainda terem previsão de se prolongarem até o final do ano, sabe-se que a DreamWorks acabou de fechar um acordo com a Reliance, uma produtora situada na Índia, para criar uma nova empresa, além de outras negociações importantes com outros estúdios. Contudo, o acerto com a Paramount não parece impedir que a nova empresa constituída por sua ex-parceira negocie uma nova distribuidora para seus futuros produtos, possivelmente, a Universal seja uma delas. Conforme já mencionado, há uma cláusula contratual que prevê a preferência de distribuição de quase duas dezenas de projetos iniciados durante a época da união pela Paramount, independentemente do desfecho da situação.

Para manter a boa relação com Spielberg, que está envolvido em quase todos os blockbusters em produção em seus estúdios, a Paramount está inclinada a manter a paz entre as empresas e tudo parece que correrá sem maiores entraves. Visto que sem a cooperação dela, a nova empresa do cineasta começaria do zero, o que seria um péssimo negócio para os dois lados.

Depois da produção deste artigo, a Variety publicou em sua página que o acordo especulado entre a DreamWorks e a Universal foi de fato concluído e a major será a distribuidora dos novos filmes produzidos pela DW, excluindo-se os que já estiverem em produção e forem de opção da Paramount para comercialização.

Valorização Merecida
Diversas vezes premiada no Emmy®, tanto por sua participação no famoso e consagrado Saturday Night Live (no ar no Brasil pelo canal por assinatura Sony), quanto por sua presença em 30 Rock (também transmitido pela Sony), atual hit do momento na televisão norte-americana, Tina Fey é uma artista multifacetada. Além de ser boa atriz, é uma roteirista de mão cheia e uma das principais responsáveis pelo sucesso de ambos programas em que participa.

Colhendo os frutos de seu trabalho, Fey acabou de assinar um contrato milionário, segundo reportaram a Reuters e o The New York Post, para publicar um livro. Ainda não há informações se será uma autobiografia, ficção ou humorístico. O assunto mesmo gira em torno das cifras espantosas que o contrato pode conter – aproximadamente US$ 5 milhões. A obra ainda não tem data para ser lançada. A editora responsável pela publicação do livro é a Little, Brown, que possui em seu rol de autores figuras consagradas como Candace Bushnell, autora de Sex and the City, livro que originou o seriado televisivo e o longa-metragem, sem contar autores consagrados como Anne Rice, Clive Barker e Nora Roberts, cujos livros já ganharam adaptações para o cinema.

Atualmente, Tina Fey está sob os holofotes por realizar uma divertida imitação da candidata a vice-presidente dos EUA, Sarah Palin, no Saturday Night Live. Nas telonas, escreveu o roteiro do bem-sucedido Meninas Malvadas (Mean Girls), em 2004, e estrelou, ao lado de sua colega de TV, Amy Poehler, Uma Mãe Para Meu Bebê (Baby Mama), em 2008.

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Notas de Cinema – 20/09/2008

No caminho certo
A distribuidora brasileira California Filmes acertou a mão na escolha de dois lançamentos recentes no País. Pelo menos é o que indica a recepção que as duas produções tiveram no mercado norte-americano em suas estréias. Um dos lançamentos é Mulheres – O Sexo Forte (The Women, 2008), que estreou em 26 de setembro em circuito nacional, exceto no Rio de Janeiro, cujas protagonistas são Meg Ryan e Eva Mendes. Ele foi muito bem recepcionado nos EUA, onde faturou mais de US$ 10 milhões apenas no final de semana de estréia – 12 de setembro. A trama de Mulheres tem como centro um grupo de socialites, que passam seus dias entre visitas aos salões de beleza e os desfiles de moda. O problema começa quando Mary Haines (Meg Ryan), membro deste seleto grupo, tem seu marido seduzido por Crystal Allen (Eva Mendes) e passa a ser o centro das fofocas em seu círculo de amizades.
A outra produção que a California leva aos cinemas nacionais é As Duas Faces da Lei (Righteous Kill, 2008), que reedita a parceria entre os astros Robert De Niro e Al Pacino. A parceria de sucesso já havia funcionado em Fogo Contra Fogo, de 1995. Em seu fim de semana de estréia em terras ianques, também em 12 de setembro, o filme arrecadou a impressionante soma de US$ 16,5 milhões. Com estréia prevista no Brasil para 10 de outubro, a película narra a trajetória de Turk (De Niro) e Rooster (Pacino), detetives da polícia de Nova York e parceiros de investigação. O foco é a busca da dupla por um serial killer que ataca criminosos que escapam da justiça e voltam às ruas.
Os dois filmes ficaram em 3o (As Duas Faces da Lei) e 4o (Mulheres – O Sexo Forte) lugares no resultado do Box Office nos EUA, desbancando grandes produções, como Trovão Tropical, estrelado por Ben Stiller e Robert Downey Jr, e o megasucesso Batman – O Cavaleiro das Trevas, que há nove semanas está presente entre os 10 mais vistos no cinema em território norte-americano.

Bem representados
O Ministério da Cultura anunciou em 16 de setembro qual será o filme que representará o País na disputa por uma indicação ao Oscar® de Melhor Filme Estrangeiro de 2009: Última Parada 174, de Bruno Barreto. A produção concorreu com outras treze indicadas e foi anunciada como a selecionada pelo secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura, Silvio Da-Rin, na cidade do Rio de Janeiro (RJ). A votação foi realizada por uma comissão formada por seis jurados, escolhidos pela Secretaria, e o vencedor deixou para trás grandes produções, como Meu Nome Não É Johnny, de Mauro Filho, e O Passado, de Hector Babenco. A data prevista para a entrega do resultado da votação aos indicados é 22 de janeiro de 2009. A cerimônia de premiação ocorrerá em fevereiro de 2009.