Pensamentos Cotidianos, por André L C Ferreira


17/04/2008 – Regências

Saudações,

Hoje de manhã, quando fui verificar as estatísticas deste blog, tive uma ótima surpresa. O número de visitas do dia de ontem, 16 de abril de 2008, foi o maior durante estes quatro meses de existência. Esta página já teve mais de 1.300 acessos até ontem e isto me deixa muito contente. Obrigado a quem lê, gosta e faz uso do que exponho neste espaço. Muito obrigado!

Ainda com base no que vi nas estatísticas, notei que esta página foi acessada diversas vezes por causa de mecanismos de busca, tais como google, e uma das tags (palavras-chave) mais procuradas foi ‘o que são regência verbal e nominal’. Infelizmente, estas informações ainda não estavam disponíveis neste blog. Até agora. Para ajudar a solucionar estas dúvidas, o texto a seguir será breve, porém, explicativo sobre tal temática. Faço votos de que as informações sejam úteis para o leitor.

-x-x-x-

Regência Verbal e Regência Nominal

Antes de mais nada, é necessário saber o significado da palavra regência quando nos referimos à gramática. De acordo com o dicionário Houaiss, regência, significa a relação de dependência entre os termos de uma oração ou as orações de um período. As definições de oração e período são bem simples, porém, não tratarei delas agora. A definição do Curso Prático de Gramática, de Ernani Terra, para regência indica quase o mesmo que o dicionário, porém, de uma forma um pouco mais simples: Regência é a parte da gramática que trata das relações entre os termos da frase, verificando como se estabelece a dependência entre eles. Fiquemos com a segunda explicação.

Tendo como ponto de partida a explicação de Ernani Terra, as relações de depndência entre os termos de uma frase, oração ou entre orações podem ser classificadas como verbais ou nominais, dependendo do termo em análise. Para começarmos a falar sobre os tipos de regência, vamos conhecer o nome dos termos. O termo que pede o complemento é conhecido como regente. Seu complemento é conhecido como regido. Estes nomes servem tanto para o caso verbal quanto para o nominal.

Chamamos de regência nominal a situação na qual o termo regente é um nome. Por ‘nome’ entenda um substantivo, que pode aparecer na forma de sujeito, objeto direto ou indireto, predicativo, entre outros. Veja no exemplo:

Ex.: Os amigos tinham necessidade de apoio. – O termo regente é o substantivo necessidade e seu termo regido é apoio.

A denominação regência verbal é aplicada quando a análise se refere ao verbo como termo regente. O exemplo ilustra isto.

Ex.: Os amigos necessitavam de apoio. – O termo regente é o verbo necessitar e seu termo regido também é apoio.

OBS: Veja que nos dois exemplos são apresentados como termo regente palavras parecidas, com o mesmo radical (necess-), mas com funções diferentes. No primeiro exemplo, a forma substantivada – um nome. Já no segundo, a forma verbal – um verbo. Espero que isto não confunda o leitor. Caso haja alguma dúvida, mande-me um e-mail, OK?

Infelizmente, não há muito o que explicar sobre regências, especificamente. Em linhas gerais, a teoria está dada. Em cada caso, de um verbo ou de um substantivo, em especial, seria necessário desenvolver uma listagem de cada caso, de cada regência, de cada aplicação. Para acabar com estas dúvidas, consulte os dicionários específicos de regência nominal e verbal. Tenho como hábito consultar os publicados por Celso Pedro Luft. Para quem é estudante, fica mais fácil ir à biblioteca e pesquisar, pois tais livros custam uma nota (mais de 80 reais cada).

Para tentar ajudar um pouco mais, veja nos links a seguir duas listas com algumas das regências mais comuns e algumas explicações. O site é bem interessante e tem bases teóricas para vários pontos de gramática.

– Regência verbal: http://www.graudez.com.br/portugues/ch07s02.html

– Regência nominal: http://www.graudez.com.br/portugues/ch07s01.html

Note que ter uma boa noçao de regência é de grande valia quando falamos sobre outro tema bastante chato na hora de escrever um texto: a crase. O uso correto das preposições que acompanham verbos e nomes é essencial para fazer o bom uso deste recurso. Pretendo colocar um texto sobre Crase neste espaço, em breve. Por enquanto, divirta-se com as regências e aguarde por novidades gramaticais futuras.

Um abraço e até o próximo texto!

Anúncios

22-02-2008 – Regência do verbo ‘assistir’

Posted in 22-02-2008,cotidianos,pensamentos,regência verbal por andre1979 em fevereiro 22, 2008
Tags: , ,

É isso aí. Depois de quase um mês sem postar nada de novo, cá estou eu, retornando com um novo texto para quem quiser ler. Tenho muito sobre o que escrever, vi muitos filmes, li muitas prints e revisei muito texto. Também tive várias idéias, umas boas, outras um lixo. Na verdade, muito mais lixo do que boas, para ser sincero. Uma das boas eu digo mais para o final deste post.

Para quem leu o título deste texto, de fato escreverei a seguir sobre regência verbal. O leitor que teve contato com os escritos anteriores poderá lembrar-se da proposta deste blog. Uma delas era a de falar sobre Língua Portuguesa. Este, portanto, trata-se do primeiro tópico sobre o assunto.

Para quê falar sobre a regência do verbo ‘assistir’? Qual o motivo, se é que houve algum? O que me levou a escolher este verbo, em especial? Inicialmente, eu sempre tive curiosidade de pesquisar sobre o assunto. Particularmente, este verbo é um tanto confuso para quem não sabe seus macetes. Quem nunca ficou curioso em saber a forma correta de usá-lo?

OBS: Se você nunca teve essa curiosidade, pode ir direto ao último parágrafo, por favor. O que virá a seguir não será do seu interesse. 

Voltando ao assunto. Por exemplo, qual a forma correta de falar: ‘assisti um filme’ ou ‘assisti a um filme’? Boa pergunta, não é? Pois, o correto é utilizar a segunda opção. Mas qual o motivo? Para quem não aceita ‘porque sim’ como resposta, meus parabéns. A explicação vem logo a seguir.

OBS: Se você aceita o termo ‘porque sim’ como resposta, pode parar de ler o texto aqui e ir direto para o último parágrafo, por favor. O que virá não será do seu interesse.

A regência de ‘assistir’ é bem simples, porém, as pessoas quase não se recordam de quando colocar a preposição junto a ele. Este verbo possui diversas significações. De acordo com uma pequena pesquisa feita, pude chegar a cinco diferentes sentidos, divididos em quatro tópicos. Observem as diferenças.

Sem OBS dessa vez.

1. Como verbo transitivo indireto, com o sentido de ver, observar ou presenciar, deve ser preposicionado = ‘assistir a’. Por exemplo, ‘assistir ao jogo’ ou ‘assistir à peça no teatro’;

2. Também como verbo transitivo indireto, pode funcionar como sinônimo para caber (quando relacionado ao ‘direito de alguém’) ou pertencer = ‘assiste a’. Exemplificado nos casos ‘assiste ao paciente o direito de…’ ou ‘assiste à mulher o direito de…’;

Nestes dois casos apresentados até o momento, a preposição que rege é ‘a’. A diferenciação dos significados, além de contextual, pode ser feita com a substituição desta preposição pelo pronome oblíquo ‘lhe’, tanto plural como singular. A forma do verbo que aceitar esta modificação é a cujo significado é pertencer. Logo, caso haja dúvida, faça o teste da substituição e verá se está correto o significado desejado.

Continuando os casos:

3. Quando o verbo tiver o sentido de socorrer, de prestar assistência, ajudar, terá a função de verbo transitivo direto. Na ocorrência deste caso, não há necessidade do uso de preposição, salvo no caso da regência nominal a requisitar = ‘assistir’. Exemplos: ‘o advogado assistiu o cliente de forma soberba’ ou ‘o Secretário assistiu ao Ministro no momento exato’. Nas duas formas, o que rege o uso ou não de uma preposição é o substantivo, não o verbo.

Uma pequena OBS sobre o terceiro caso é que pode ocorrer a bitransitividade do verbo quando o substantivo pedir uma preposição.

4. Para finalizar o assunto, dois significados para ‘assistir’ que fogem um pouco do conhecimento da geração atual são o de ‘morar em’, ‘estar localizado em’, e ‘comparecer a’ e ‘estar presente em’. Ambos tratam de localização, portanto, as preposições que são exigidas são as de referência de lugar, preferencialmente, a preposição ‘em’. Suas apresentações acontecem na forma de verbos intransitivos ou com transitividade dupla. Contudo, este caso está mais presente na literatura e nos textos mais antigos. Qualquer exemplo dado parecerá fora de contexto.

-x-x-x-

Agora, sobre a idéia boa que havia sido mencionada no iníco deste post, não sei se ela será do agrado dos leitores deste blog. Quem me conhece sabe que sou um aficcionado por filmes de terror. Simplesmente gosto, sem maiores explicações ou detalhes. Talvez, em um outro post, eu possa falar mais sobre esta paixão. Voltando à idéia. Enquanto corrijo os textos das revistas, freqüentemente, deparo-me com diversos guias e sites especializados em filmes, cujos conteúdos são de extrema confiança para verificar informações e sinopses. Todavia, falta alguma coisa.

Diversas páginas julgam os filmes, como se sua função fosse a de dar opinião sobre o assunto. Não tenho nada contra isso, pelo contrário, faço o mesmo e gosto disso. Contudo, nem sempre quem busca estes sites quer opinião sobre o filme. Sobretudo sobre este gênero de produção, com conteúdos muito controversos, que, muitas vezes, ferem a moral ou causam indignação às pessoas por sua violência e temática.

Afinal, qual a idéia? O ponto em que quero chegar é que falta uma fonte de informações que seja imparcial, que trate os filmes como são. Para quem conhece, o site imdb.com é um desses. Os filmes são colocados com fichas técnicas, sinopses e outras curiosidades. A opinião é dada em um espaço para os visitantes, que comentam e classificam as películas. Minha idéia é criar um guia de filmes de terror nesses moldes. Estou amadurecendo a idéia e, por enquanto, um blog parece ser o formato mais simples para isso. Minha vondade é de gerar uma versão impressa desse material. Mas ainda é cedo para pensar nisso. Nas próximas semanas pretendo dar uma olhada em meus arquivos e começar com os filmes que possuo. Conto com a opinião de todos aqueles que lêem este blog para criar um formato legal para as informações. Em breve, postarei o endereço do ‘guia’ para quem possa interessar.

Até o próximo texto!