Pensamentos Cotidianos, por André L C Ferreira


Humor e crítica multimídias

Danilo Gentili colhe os frutos do sucesso de seu stand-up ao vivo e lança livro e DVD
Por André Cavallini

Lançamento do livro Politicamente Incorreto (Panda) na Saraiva Megastore do Pátio Paulista

Foto de Marly Pereira

Politicamente Incorreto. Uma autodefinição ou o título de seus mais recentes trabalhos? Essa é a dúvida que fica no ar depois de uma rápida leitura das abas e da sinopse do segundo livro de Danilo Gentili. Mais conhecido por suas entrevistas divertidas e inteligentes no programa Custe o Que Custar, mais conhecido como CQC, que vai ao ar pela Rede Bandeirantes na TV, e por seus shows de comédia stand-up, Gentili inovou no final de 2010 quando teve seu mais novo espetáculo humorístico exibido ao vivo pelo portal UOL e foi visto por mais de um milhão de internautas, fora as centenas de milhares de acesso no YouTube e no próprio UOL posteriormente. O nome do show era justamente Politicamente Incorreto e seu timing para exibição foi minuciosamente planejado – foi ao ar no final de semana de eleições no Brasil.

Contudo, Danilo Gentili decidiu expandir seu novo trabalho e adaptou seu texto para outras mídias, como a literatura e o home vídeo, lançando Politicamente Incorreto na forma de livro, pela Panda Books, e DVD, de forma independente. Para lançar a versão impressa de seu stand-up, Gentili participou de um evento na Saraiva Megastore do Shopping Pátio Paulista, em São Paulo (SP), no início de fevereiro. Muitos fãs e curiosos lotaram a loja, inclusive uma jovem que passou mais de sete horas na fila para ser a primeira a ter seu exemplar autografado por seu ídolo.

Foto de Marly Pereira

Durante o evento de lançamento, Danilo Gentili conversou rapidamente com Ver Video e falou sobre seu recente trabalho chegando ao mercado de forma multimídia.

Ver Video – O que te motivou a escrever um livro baseado no seu show de stand-up e a produzir um DVD? Foi o sucesso do espetáculo ou já era um plano seu lançar ambos?

Danilo Gentili – O que me motivou na verdade foi a possibilidade ter mais um veículo para eu poder me expressar, para as pessoas ouvirem o que eu digo. Penso que no Brasil há muito pouco disso. Os comediantes nos Estados Unidos e na Europa, lugares em que a cultura do stand-up é mais difundida, têm o hábito de transformar seus shows em outros produtos depois, como livros e DVDs, os caras aproveitam como podem seus shows. Claro que é mais uma forma de capitalizar sobre um show que eu escrevi, mas também é outra ferramenta para atingir mais público. Acho que quem escreve para comunicar, tem sempre que achar novas formas de alcançar mais público. Além do livro, que pode ser lido em qualquer lugar, temos também o áudio-livro, que pode ser consumido pelo deficiente visual ou escutado dentro do carro; teremos o DVD, com um material bem completo. Tive muito cuidado para preparar o produto, escolhi bem os Extras – tem vários inéditos. Tudo isso, fora a internet, onde quem quiser pode acessar a qualquer momento, de graça, o show. Eu tentei alcançar todas as mídias possíveis com Politicamente Incorreto.

VV – Qual o conteúdo do livro? É diferente do show que foi visto pela internet no ano passado?

Gentili – O texto do livro é o mesmo que escrevi para o stand-up, mas como o lançamento está acontecendo depois da época das eleições, consegui incluir algumas piadas pós-eleições que não estavam no original.

VV – Você esperava tamanho sucesso? Foram mais de um milhão de acessos para ver sua apresentação no UOL.

Gentili – Eu não esperava, não (risos). Para te falar a verdade, eu nem imaginava que o livro pudesse sair, por causa do seu conteúdo.

VV – Sobre o DVD, como você planeja lançar? Já tem data definida?

Gentili – É um trabalho totalmente independente que estou fazendo com o DVD. A previsão era que estivesse disponível a partir da segunda quinzena de fevereiro. Inicialmente, fizemos duas mil cópias e já tínhamos diversas lojas interessadas em distribuir o produto. Com isso, acredito que o DVD de Politicamente Incorreto esteja nas lojas já no começo de março.

Foto de Marly Pereira

Entrevista publicada na edição 212 da revista Ver Video (março/11).
Foto de Marly Pereira.

 

 

 

 

 

Anúncios

Seria o fim mesmo?

Posted in cinema,cotidianos,filmes,nota sobre DVD,pensamentos,texto por andre1979 em fevereiro 22, 2011
Tags:

Seria o fim mesmo?

A Imagem Filmes lançou nos cinemas Jogos Mortais – O Final, o segundo filme em 3D que a empresa coloca no mercado, o que traz de volta à mídia a famosa série de terror, iniciada em 2004

Por André Cavallini

Terror. O que para muitos significa um sentimento ruim, para uma indústria centenária como o cinema é sinônimo de lucratividade. Exemplo disso é a série de sete filmes da franquia Jogos Mortais, que no começo de novembro teve sua legião internacional de fãs renovada com a estreia de seu (suposto) derradeiro capítulo nos cinemas e em 3D, fazendo bastante sucesso nas bilheterias. Porém, não é só das bilheterias que se faz a fama de um filme, ou sequência de filmes, especialmente os de terror. É nas locadoras que nascem verdadeiros sucessos e o consumidor é quem espalha a novidade. E não foi diferente com Jogos Mortais.

Os seis primeiros filmes da criativa série sempre estiveram presentes nos rankings publicados por Ver Video, desde o primeiro a ser lançado, há pouco mais de cinco anos, pela Paris Filmes. Os desdobramentos dos sádicos e misteriosos jogos promovidos pelo serial killer Jigsaw ganharam audiência, caíram no gosto do público e tiveram fôlego para se estenderem por mais seis filmes, lançados nos cinemas sempre, nos EUA, na mesma data – o dia de Halloween (31 de outubro) – anualmente, sem falha.

Um dos segredos do sucesso da saga de armadilhas inventivas é o roteiro, que manteve a mesma linha, filme após filme, mesmo com as mudanças de diretor – foram quatro profissionais, ao todo. Outro ponto forte é o elenco, que sofreu poucas mudanças e podemos ver a volta de vários personagens dos primeiros filmes no último, Jogos Mortais – O Final, que está nos cinemas. No Brasil, três empresas distribuíram os filmes de Jogos Mortais. Os dois primeiros foram lançados pela Paris Filmes, uma verdadeira aposta; do terceiro ao sexto, quem cuidou da distribuição foi a Disney. O sétimo está nas mãos da Imagem Filmes, que informou que lançará a produção nas locadoras no dia 23 de fevereiro.

Jogos Mortais – O Final
Direção: Kevin Greutert
Roteiro: Patrick Melton e Marcus Dunstan
Elenco: Tobin Bell, Costas Mandylor, Betsy Russell, Cary Elwes, Sean Patrick Flanery

Duração: 110min

Sinopse: Bobby (Sean Patrick Flanery) é um dos sobreviventes das armadilhas de Jigsaw (Tobin Bell) e faz fama com livros de auto-ajuda. Ele está na mira de Hoffman (Costas Mandylor), que assumiu o controle dos jogos e testará a coragem de Bobby por meio de mais uma série de armadilhas mortais. Ao mesmo tempo, a polícia chega perto de Hoffman quando Jill (Betsy Russell) se entrega e tem provas contra ele. Mas a verdade nem sempre é o que parece.

Texto publicado na edição 209 da revista Ver Video.

Os bastidores do poder

A superprodução inglesa Os Pilares da Terra está chegando ao Brasil. Dividida em quatro partes, esta superprodução está chegando ao home vídeo em DVD e em Blu-ray
Por André Cavallini

Filmes que tratam de grandes momentos da história da humanidade chegam com frequência ao mercado brasileiro e são sempre requisitados pelo público, que gosta de ver como vivíamos no passado e como a sociedade se comportava em outros tempos. A Inglaterra foi palco de grandes mudanças ao longo dos séculos e tais eventos marcaram o rumo do nascimento de outras grandes nações, inclusive a nossa. Os Pilares da Terra retrata a Grã-Bretanha do século 12, quando uma guerra pela sucessão do trono tem início na família real, ao mesmo tempo em que a corrupção e a ambição tomam conta dos níveis mais altos da igreja. E a linha que conecta as duas histórias é a destruição de uma igreja e o início da construção de uma catedral.

A série de quatro filmes de Os Pilares da Terra teve origem no best-seller de Ken Follett, lançado no Brasil pela Editora Rocco, em dois volumes. Sua versão para o home vídeo chega em quatro discos, lançados separadamente. Os Pilares da Terra I – Destruição do Templo chegou em 19 de janeiro de 2011 (DVD e Blu-ray, com muitos extras e dublagem em português); o volume II – Redenção, em 31 de março; os números III – O Legado e IV – Obra dos Anjos chegam juntos em 18 de abril.

Para falar mais sobre estes como Os Pilares da Terra chegou ao país, entre outros assuntos, Ver Video conversou com Marcelo de Sousa, responsável por trazer esta série e vários outros épicos lançados pela Paramount. Confira!

Ver Video – Marcelo, como chegou às suas mãos o filme Pilares da Terra?
Marcelo de Sousa – Fui apresentado ao filme há dois anos. Naquela ocasião ele ainda estava em fase de projeto e os produtores fizeram uma apresentação em Cannes. Como ainda não tinha lido o livro, fiz uma pesquisa e descobri que era um best-seller de quase 20 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo – e também com um desempenho excelente no Brasil. Calcado nestas informaçõesm no ano seguinte, já tendo visto um promo de 5 minutos e sabendo do espetacular elenco e dos fantásticos realizadores que estavam por trás da produção, fiz a aquisição do filme.

VV – O material já veio dividido em partes ou foi opção de vocês lançarem Pilares em volumes separados?
Sousa – Originalmente, ele foi produzido em quatro filmes de 110 minutos, aproximadamente. E da mesma forma que O Senhor dos Anéis e Harry Potter, você pode assistir aos filmes separadamente, com começo, meio e fim individuais, mas todos têm uma ligação entre si.

VV – Este será o seu primeiro lançamento em Blu-ray? Qual a sensação de entrar na alta definição, ainda mais com uma produção dessa qualidade?
Sousa – Acho que é um processo natural e nada mais acertado do que começar com uma produção épica de 40 milhões de dólares. Os materiais importados do filme são de última geração, o que vai garantir uma perfeita qualidade de áudio e vídeo, o que vai agradar os clientes mais exigentes. Tanto o BD quanto o DVD vão estar recheados de extras e com som 5.1.

VV – Qual a sua expectativa com relação ao filme Pilares chegando ao mercado?
Sousa – A expectativa é enorme. Conversei com os produtores semana passada e eles disseram que as vendas de BD e DVD começaram quebrando recordes em alguns países da Europa. Na Alemanha, por exemplo, já foram pré-vendidas 100.000 unidades. Aqui, queremos bater nosso recorde e temos tudo pra isso.

VV – Além de Pilares, você também teve lançados pela Paramount uma série de filmes de teor histórico, como Arn – O Cavaleiro Templário e O Desafio de Darwin, entre outros. Este é um estilo da sua empresa ou foi a ocasião que propiciou os lançamentos?
Sousa – Buscamos os gêneros que o publico brasileiro mais gosta e um deles é os épicos. Arn – O Cavaleiro Templário, lançado ano passado, é até hoje nosso título mais vendido. E agora estamos trazendo, além de O Desafio de Darwin, Henrique IV – O Grande Rei da França, que é um filme impecável, uma grandiosa produção.

VV – Você tem planos para lançar outros filmes em Blu-ray?
Sousa – Sim, já estamos programando o filme O Retrato de Dorian Gray, com Ben Barnes e Colin Firth, que entra em cartaz no cinemas no início de 2011.

Texto publicado na edição 209 da revista Ver Video.


Jogos Mortais – O Final, em 3D

Saudações,

Na última quarta-feira, dia 3 de novembro, tive o prazer de estar presente à cabine de imprensa realizada pela Imagem Filmes para a exibição de Jogos Mortais – O Final, em 3D. Esta é a segunda produção em três dimensões sendo lançada pela Imagem em sua história (a primeira foi o remake de Piranha, cult trash). Curiosamente, ambas são fitas de terror.

A pretensão de Jogos Mortais – O Final, além de fechar uma série de peso que se estendeu demais, em minha opinião, era levar a franquia para a nova era do cinema e aproveitar o boom do 3D, que tem dado bons lucros para os estúdios e distribuidores.

O fechamento da saga de Jigsaw

Derradeiro filme da série encerra, em 3D, uma das mais sanguinárias e inteligentes sagas de terror.

Falando sobre o filme, ele tem todos os elementos já tradicionais, com duas tramas correndo paralelas, armadilhas criativas, visual sombrio, violento e com muito gore, e uma reviravolta que deixa o espectador tenso até o fim. E asseguro que tensão não falta ao filme, enfatizado pelo uso do 3D, que está aplicado na medida certa, sem exageros de objetos e tripas voando no público, dando muito valor aos cenários, que parecem cercar a sala de exibição.

Não darei detalhes maiores sobre a trama, mas já dou algumas dicas do que será visto na telona. Uma adição interessante é a presença de vítimas do passado (ou dos seis primeiros filmes da série) que sobreviveram a Jigsaw e suas armadilhas e jogos, inclusive do primeiro filme. Alguns encontros geram o conflito que dará o estarte para a trama secundária do filme, aquela que liga os jogos mortais, correr – de modo um tanto simples, objetivo e sem surpresas. Do outro lado, na trama que se estica, diga-se de passagem, demasiadamente, por sete filmes, um fechamento de saga não tão óbvio, concluindo mesmo a história.

Recomendo aos bravos (e bravas) que vejam em 3D para dar pulos maiores na cadeira. Baldes para conter o sangue são recomendados! 😉

Abraços e boa diversão!

PS: Logo mais postarei aqui a matéria que estou escrevendo sobre a série Jogos Mortais para publicação.

Entrevista com Lella Smith, da Disney

Texto escrito para a edição 201 de Ver Video, mas publicado parcialmente na edição 204.

 

Tesouros bem guardados

Durante a preparação da versão restaurada de mais um clássico, os arquivistas da Disney encontraram raridades. Lella Smith, diretora de criação deste departamento conversou com VER VIDEO e falou um pouco sobre o assunto e muito mais!

Imagine a quantidade de personagens, roteiros, recortes de filmes, rabiscos originais e uma infinidade de papéis que fazem parte do processo criativo para a produção de uma animação da Disney. Na era dos computadores, em que tudo é feito na tela e com um mouse na mão, fica fácil pensar em gigabytes e HDs para guardar tudo. Porém, quando se trata de produções do início do século 20, a história muda um pouco. Dezenas de milhares de itens circulavam pelas mãos dos envolvidos nos projetos e, ao final de tudo, isso precisa ser guardado em algum lugar. É neste momento em que entravam em ação os arquivistas do estúdio, que tentavam organizar as coisas de modo que ficassem facilmente acessíveis no momento em que forem necessárias novamente. Com o passar do tempo, o acúmulo era inevitável e um problema acabou se formando: o que fazer com tudo? Outro sério assunto relacionado aos arquivos da Disney é a conservação dos materiais. Como fazer para manter tudo preservado e nas melhores condições para o uso futuro, ainda mais quando não há um prazo para isso?
O tempo passa e o volume de itens arquivados nunca diminui, pelo contrário. Na década de 1990, entra no time Lella Smith, que havia dedicado boa parte de sua vida até o momento a trabalhar em museus e institutos de arte, e era especialista em administrar acervos grandes, como o da Disney. E ela tratou de colocar a casa em ordem, o que foi fundamental para a evolução que surgiu nos últimos anos com o advento da alta definição e o enorme espaço que se tem para Extras nos discos.
Atualmente, a Disney tem investido em restaurar e lançar de forma especial seus clássicos animados, como fez com Branca de Neve e os Sete Anões, A Bela Adormecida, Pinóquio, e próximo lançamento, Dumbo, que tem previsão de chegada para o início de junho em DVD e Blu-ray. Com isso, o trabalho da equipe de Lella Smith aumentou e foi necessário incluir um time especializado em digitalização e tratamento de imagens para imortalizar o trabalho de arte dos antigos desenhistas e coloristas. Lella conversou com VER VIDEO e falou sobre o processo de trabalho dela e seu departamento, e muito mais. Veja a seguir!

Ver Video – Muita gente no Brasil nunca ouviu falar da ARL antes. Conte-nos um pouquinho sobre este departamento da Disney, por favor.
Lella Smith – Quanto tempo você tem disponível para essa entrevista? (risos) A ARL é responsável por guardar e preservar todos os arquivos de “artwork” (desenhos e rascunhos) de todos os filmes de animação realizados pela Walt Disney Studios desde da década de 1920. Isso para materiais físicos. Os arquivos digitais que resultam das animações mais recentes são arquivados em outro departamento, relacionado a tecnologia.

VV – Vocês lidam com a restauração também?
Lella – Nosso trabalho começa antes e termina depois da restauração. Quando é feito um projeto de relançamento de algum filme clássico, como o caso de Dumbo, que é o mais recente, os restauradores vêm ao ARL e escolhem a dedo o que querem do nosso acervo. Depois, digitalizamos os originais e partimos daí para a parte “tecnológica” do processo. Então, quando tanto vídeo quanto áudio são restaurados, começa a parte de preparação dos Extras dos produtos. Novamente, os técnicos escolhem o material que utilizarão e o processo se repete até que o produto que chegará ao home vídeo esteja completo.

VV – Quantas pessoas trabalham no seu departamento?
Lella – Cerca de 25 profissionais, incluindo aqueles que lidam com os materiais físicos e com a digitalização. Hoje temos mais de 800 mil arquivos digitais em nossa central de computação, já restaurados ou em processo de revitalização.

VV – E qual o tamanho do acervo físico?
Lella – Temos mais de 60 milhões de itens de arte guardados. Portanto, ainda temos um longo caminho pela frente!

VV – Você tem viajado pelo mundo levando consigo uma exposição com algumas das peças mais interessantes do acervo do estúdio. Como tem sido essa experiência?
Lella – É incrível como as pessoas têm curiosidade em conhecer como era feito o trabalho de arte das animações de antigamente. Boa parte dos jovens olha para clássicos como Branca de Neve ou Cinderella e não pensa que cada frame do filme foi desenhado manualmente e é composto por diversas páginas individuais. Afora os adultos, que resgatam um pedacinho de sua infância ao olhar para as telas.

VV – Alguma previsão de quando essa exposição chega ao Brasil?
Lella – Ainda não, infelizmente. Eu adoraria vir ao Brasil. Sei que nossos personagens são muito queridos por aí.

VV – O que você pode nos dizer sobre a recente descoberta de um personagem perdido de Dumbo? Como ele foi encontrado?
Lella – Isso é algo incrível, de fato. Quando uma animação está sendo criada, os artistas acabam testando diversos aspectos do trabalho produzido, incluindo cores e explorando as possibilidades de cada um dos personagens, que podem entrar ou sair do corte final. E foi justamente nesse processo que o “Doutor I Hoot” acabou desaparecendo. Ele é um médico um tanto doidinho e que teria uma participação pequena, porém, divertida em Dumbo. E ele reapareceu de forma espontânea, já que foi encontrado durante o processo de restauração para a edição de aniversário do filme.

VV – E qual será o próximo projeto de restauração depois de Dumbo?
Lella – O próximo da lista é Fantasia, que deve ser restaurado até o final deste ano. Em seguida, provavelmente, A Bela e a Fera será trabalhado. Não posso falar ainda a respeito disso, mas já adianto que tem uma cena perdida que está sendo remasterizada e é bem bacana.

Entrevista com porta-voz da Redbox

Na mesma edição em que entrevistei o executivo da Netflix Steve Swasey (Ver Video 200), bati um papo com o porta-voz da Redbox. Eis abaixo o que ele me disse.

Vermelho forte

O mercado de locação de filmes nos EUA possui muitas opções diferentes e o público tem respondido muito bem aos novos modelos de negócio. Assim tem sido com o Redbox. Saiba mais sobre isso agora!

Em um universo de formatos e tipos de serviço disponíveis para o entretenimento, os EUA são o maior campo de provas para as novas tecnologias que estão surgindo de que se tem notícia. O público norte-americano é o melhor termômetro para se saber quando um modelo de negócio pode ou não ser bem-sucedido em outros países, como o Brasil, por exemplo, entre muitos outros. É verdade também que nem sempre o que funciona por lá pode ser aproveitado aqui, já nossa cultura e nosso poder aquisitivo não são os mesmos. No entanto, um sistema diferente de locação de DVDs tem funcionado muito bem por lá e não é de hoje. O Redbox é uma mescla de locação feita via Internet e que tem a entrega do produto físico por meio de quiosques, que ficam espalhados por lojas de conveniência e também em lanchonetes de fast-food. Ver Video conversou com o porta-voz da Redbox e conheceu um pouco mais sobre como nasceu este sistema inovador e a forma como ele funciona nos EUA. Veja a seguir a entrevista completa!

Ver Video – Como funciona o processo de locação da Redbox? Quem pode alugar filmes pelo sistema da empresa?

Redbox – O processo é muito simples e leva apenas alguns minutos. O cliente precisa ter mais de 18 anos de idade, ter a habilidade para manusear um teclado com a tecnologia touchscreen, que equipa nossos quiosques, e possuir um cartão de crédito.

VV – Quem desenvolveu este conceito de locação de DVDs? Como surgiu a ideia de usar os quiosques?

Redbox – Quem criou o primeiro quiosque para aluguel de DVDs foi a McDonald’s Ventures LLC, que administra a rede de lanchonetes desta marca. Isso aconteceu em 2002. Eles trabalhavam em um conceito de entretenimento que trouxesse mais público para as lojas de fast-food. O quiosque foi um sistema que passou pela realização de diversos testes, entre muitos outros que trabalhavam a distribuição de lançamentos em DVD, e que teve maior aceitação. E com o sucesso dele, uma série de melhorias e inovações foram integradas ao produto, criando um novo tipo de “auto-serviço”, que funciona segundo a conveniência do cliente.

VV – Quantos quiosques a Redbox possui em operação hoje e quantos associados o sistema possui?

Redbox – Atualmente, trabalhamos com uma rede de 19 mil quiosques, espalhados por todo o território dos EUA, situados nas maiores lanchonetes da rede McDonalds, lojas de conveniência, algumas unidades da rede Walmart e Walgreens, além de outros pontos estratégicos. Já atendemos milhões de clientes e milhares aderem ao nosso sistema a cada dia.

VV – O que difere a Redbox dos demais fornecedores de entretenimento doméstico? Qual o segredo do sucesso da empresa?

Redbox – Somos uma combinação de recursos diferenciados. Entre eles, podemos citar o preço de locação muito atrativo e acessível, nossa política de “alugue-e-devolva em qualquer lugar” (rent-and-return anywhere®), reservas que podem ser feitas via Internet e o fato de estarmos literalmente espalhados por todo o país. Até o momento, não há nenhum sistema similar no mercado que ofereça isso aos clientes e este é o ponto-chave do sucesso. Nossos clientes estão sempre contentes.

VV – Qual o perfil de um usuário tradicional deste tipo de serviço?

Redbox – O apelo deste tipo de serviço não se restringe a um segmento específico de público, sendo por faixa etária, escolaridade, sexo ou rendimento. Tudo muda de acordo com a região e com os fornecedores de conteúdo de cada lugar do país. Nossa abrangência é enorme.

VV – Quantos títulos estão disponíveis para locação atualmente?

Redbox – Cada quiosque, totalmente equipado, armazena cerca de 630 discos, somando aproximadamente 200 títulos em DVD diferentes.

VV – Quanto à quantidade de locações por mês, em média, são realizadas pela Redbox?

Redbox – Não temos números exatos disponíveis, mas calculamos que quase um milhão de DVDs são alugados por dia. Em 2009, nosso recorde de locações aconteceu na véspera do ano novo, que chegou perto dos dois milhões de discos locados.

VV – Como está a Redbox em outros países?

Redbox – Concentramos nossos negócios apenas nos EUA, estando presentes em 48 Estados e em alguns pontos de Porto Rico (território norte-americano na América Central). Nosso foco está em expandir os quiosques internamente, sem planos para fora do país.

VV – Quais eram as metas para 2009 e o que foi alcançado? O que esperam para 2010?

Redbox – Não temos o hábito de fornecer este tipo de informação à imprensa, porém, a Redbox sempre teve como meta o crescimento de seus serviços. Ela sempre pensa na frente na hora de oferecer mais comodidade a seus usuários.

VV – Que tipo de impacto no mercado do entretenimento doméstico vocês acreditam que tenham causado até hoje?

Redbox – Tivemos a capacidade de criar um modelo de negócio extremamente eficiente e popular entre os consumidores de home video e os resultados falam por si próprios com relação ao impacto no mercado. Nosso crescimento tem acontecido a passos largos desde o momento em que a empresa foi criada.

VV – Na opinião de vocês, quais são as melhores fontes de entretenimento para a casa do norte-americano hoje?

Redbox – Competimos tanto com as lojas físicas como com os serviços de entrega em domicílio, afora outros fornecedores de quiosques, que adaptaram nosso modelo de negócio e estão se expandido também. Isso sem falar em outras formas de entretenimento, que não são filmes ou seriados, como games e afins.

VV – A locação de discos de Blu-ray está nos planos da empresa para este ano?

Redbox – Atualmente, estamos estando a receptividade do mercado para este novo produto. Tudo depende da resposta do público, da demanda pelo Blu-ray em nossos quiosques.

VV – Recentemente, a Redbox se envolveu em problemas jurídicos envolvendo grandes estúdios de Hollywood por causa dos preços praticados pela empresa. Em que pé estão estas ações?

Redbox – Atualmente, estamos em litígio com a Universal Pictures, a 20th Century Fox e com a Warner Home Video. Não podemos comentar com a imprensa os resultados ou qualquer outra informação relacionada.

Entrevista realizada por André Cavallini

Entrevista Steve Swasey, da Netflix

Posted in cotidianos,locação de filmes,pensamentos,texto por andre1979 em outubro 27, 2010
Tags: , ,

Esta entrevista a seguir foi publicada na edição 200 da Ver Video (março)

Você conhece a Netflix?

Responsável por uma revolução no modo como o norte-americano aluga filmes, a Netflix hoje colhe os frutos de um ousado e bem-sucedido modelo de negócio. Mas será que ele se aplica a todos os países? Em entrevista exclusiva, Steve Swasey, vice-presidente de comunicação da empresa falou à Ver Video sobre isso e muito mais

O que começou com uma dor de cabeça acabou se tornando um negócio rentável e de muito sucesso, que conta com milhões de clientes espalhados por todo o território dos Estados Unidos. Em 1997, Mark Randolph, Mitch Lowe e Reed Hastings, três colegas de trabalho de Scotts Valley, na Califórnia, tiveram a ideia de criar um programa de computador e um portal na Internet que locasse filmes com entrega pelo correio. O conceito veio depois que Hastings teve um grande problema com sua vídeolocadora local depois que atrasou – e muito! – a entrega do filme Apollo 13 (Universal) e teve que arcar com as consequências financeiras do episódio. Um ano depois, em abril de 1998, o site, batizado de Netflix, entrou no ar, oferecendo locações individuais de filmes e cobrando as tradicionais diárias adicionais por atraso. Até aí, nada de novo. Em setembro de 1999 veio a grande virada, pois a Netflix adotou o sistema de assinaturas para o aluguel de DVDs, onde o cliente cadastrado pagaria uma tarifa mensal fixa pela locação de certo número de produtos, sem ter que pagar nada a mais por isso – inclusive livre das multas por atraso. A partir de então estava estabelecido um novo modelo de negócio no mercado rental norte-americano.

Para saber mais sobre funcionamento desse sistema inovador, que conquistou o público dos EUA e que parece ser o próximo passo das locadoras para sobreviver ao duro mercado da locação de discos, tanto em DVD quanto em Blu-ray, Ver Video procurou a Netflix e realizou uma entrevista exclusiva com o vice-presidente de comunicação da companhia, Steve Swasey, que conversou também sobre o interesse da empresa em expandir seus negócios para outros países, entre outros temas interessantes.

Ver Video – De uma ideia interessante para um novo modelo de negócio que mudou o panorama das locações de filmes em país tão grande quanto os Estados Unidos, qual foi segredo para conquistar tamanho sucesso?

Steve Swasey – O consumidor nos EUA sempre foi ávido por novidades, ainda mais por aquelas que levam mais conforto e comodidade à eles – ponto crucial este, já que todo o norte-americano quer ter o máximo de serviços e o mínimo de esforço. As pessoas sempre foram adeptas da locação de filmes e as locadoras viviam cheias. Só que chegou um momento em que elas já não satisfaziam mais 100% de sua clientela. Com a correria do dia-a-dia, nem sempre havia tempo para que o cliente fosse até a loja, escolhesse o filme a que queria assistir, e o pior, voltar à loja para entregar o disco. Com a Internet em franca expansão, quem não usasse de alguma forma o mundo virtual certamente perderia espaço no mercado. A Netflix surgiu justamente da união desses dois aspectos, já que somos uma empresa com base na loja virtual, onde o cliente pode ter acesso a todo nosso acervo, e não há multas por atraso. Essa soma de opções foi o que conquistou nosso público.

VV – O mercado dos EUA é enorme e a todo momento surge um novo tipo ou modelo de negócio. Como o consumidor reagiu sobre a ideia de alugar filmes sem sair de casa?

Swasey – Isso foi muito interessante, por que, para nossa surpresa, até então não havia uma empresa sequer no mercado que oferecesse esse tipo de serviço. Podemos dizer que foi inusitado ver a quantidade de pessoas que se interessou pela Netflix depois que passamos a oferecer o sistema de assinaturas. Com a popularização rápida da Internet de banda larga nos EUA, nosso negócio só aumentou. E a tendência é crescer ainda mais nos próximos anos.

VV – Por que a Netflix escolheu enviar e receber de volta os discos alugados pelo correio? Não há perdas pelo caminho? Qual a quantidade de discos extraviados?

Swasey – Nosso sistema de correios é muito eficiente, um dos melhores do mundo. Apesar de termos um departamento que cuida exclusivamente da qualidade dos discos que retornam para a empresa, a porcentagem de produtos que se perdem pelo caminho é mínima. O custo desse serviço de entrega e devolução é baixo também. Custa muito menos que despachar por empresas particulares, por exemplo. E a fidelidade dos clientes também é interessante, já que a parcela de filmes que não são devolvidos também é pequena.

VV – Como você definiria o perfil de um usuário ou cliente da Netflix?

Swasey – Não temos um tipo específico de cliente. Para usar os serviços da Netflix basta ser maior de idade e possuir um cartão de crédito. Entregamos o produto onde quer que o cliente esteja, desde que ele esteja cadastrado em nosso sistema. O perfil atual de usuário é bastante amplo. O que de início se resumia a universitários que viviam no computador ou pessoas de meia-idade com acesso à Internet e com vida profissional agitada, hoje pode ser revisto, já que famílias inteiras estão adotando nosso sistema como o favorito, incluindo até mesmo pessoas de mais idade que estão descobrindo a Internet. Então, respondendo à sua pergunta, praticamente qualquer pessoa pode ser nosso cliente ou usuário.

VV – Quando a Netflix resolveu adotar o sistema de assinatura e descontinuar o modelo anterior?

Swasey – Foi uma mudança radical, mas que aconteceu naturalmente para nós. Estávamos vendo que os negócios estavam estagnados e resolvemos testar novos sistemas. Um deles foi este, o de assinaturas, eliminando as multas por atraso e limitando a quantidade de filmes que cada cliente poderia ter em sua casa mensalmente. Foi uma ideia que pegou rapidamente e logo se tornou o nosso carro-chefe, deixando para trás o modelo de locação individual, que deixou de existir em nosso portal.

VV – Quantos assinantes a Netflix possui atualmente?

Swasey – Segundo dados levantados no final de 2009, possuímos mais de 12 milhões de associados.

VV – Segundo informações do portal da Netflix, a locadora conta com mais de 100 mil títulos, em DVD e Blu-ray. Como conseguiram chegar a esse número?

Swasey – Para atender à demanda do mercado e à nossa meta, que é a de levar para o consumidor o máximo das opções disponíveis no segmento, criamos um departamento específico para análise e compra de novos produtos. Acreditamos na força de um bom catálogo e foi com esse objetivo em mente que adquirimos todos os tipos de produção, não importa o estúdio ou o orçamento dela, desde que haja público para ela, mesmo que pequeno. O importante é que tenhamos o que quer que o cliente esteja procurando.

VV – Qual o impacto que a Netflix causou nas lojas de rental físicas? Qual a sua visão sobre isso?

Swasey – Tenho plena consciência de que a resposta do consumidor ao tipo de serviço prestado pela Netflix afetou profundamente a locadora física. Sei que muitas lojas acabaram fechando, não por causa da nossa empresa, mas por causa de uma mudança de mentalidade do norte-americano. O público estava em busca de facilidade e foi isso o que nós oferecemos. E as lojas físicas ainda continuam firmes nos EUA, apesar da redução do mercado.

VV – O senhor acredita que haja espaço para os dois modelos de negócio para o rental?

Swasey – Sim, acredito, apesar da linha que os separa ser bem estreita. Penso que o perfil de cliente de uma locadora física e de uma virtual seja similar quando se fala em seu gosto por ver filmes em casa. Porém, sempre haverá aquela pessoa que terá preferência em ir até a loja e pegar a caixa do filme na mão para ler a sinopse, pessoas mais táteis, por assim dizer. E há aqueles que buscam a comodidade, tanto por não quererem sair de casa mesmo quanto pelo fato terem um cotidiano agitado e não terem tempo para ir às locadoras de seu bairro.

VV – Como a Netflix está lidando com o Blu-ray? Já há demanda pela nova mídia?

Swasey – Logo que ficou decidido pelo mercado que a o formato da alta definição seria o do Blu-ray e não o do HD DVD. Começamos com poucos títulos em Blu-ray e fomos aumentando conforme a demanda dos nossos assinantes. Hoje podemos dizer que o formato corresponde a cerca de 10% do nosso faturamento. E a procura tem sido cada vez maior.

VV – A Netflix oferece hoje também o serviço de streaming em seu portal. Como isso começou e qual a resposta do público a esse novo serviço?

Swasey – Assim como foi com o serviço de assinatura, o streaming de filmes foi uma experiência que resolvemos fazer para testar a procura pelo modelo de locação. O que fazemos é o seguinte: quando um cliente aluga um filme em mídia física, ele fica imediatamente disponível para ser assistido por meio do streaming. Não é um serviço que tenha a mesma procura do DVD e do Blu-ray, mas também temos observado um pequeno aumento na procura. Hoje já estamos comercializando essa opção como parte dos planos de assinatura. Com as distribuidoras e os estúdios lançando seus títulos na forma do “day-and-date”, podemos oferecer todos os formatos ao mesmo tempo. Quando isso não acontece, nem sempre é possível disponibilizar a mídia física ao mesmo tempo da digital.

VV – A Netflix cogita adicionar o serviço de download digital aos seus produtos?

Swasey – Não, não pensamos em adotar este tipo de serviço. Nosso foco está na locação de filmes físicos e, agora, no streaming.

VV – A empresa hoje comercializa cotas de ações no mercado financeiro norte-americano. Como e quando isso aconteceu?

Swasey – A venda de cotas de participação por meio de ações teve início em 2002, quando a Netflix colocou no mercado um grande número de cotas (cerca de 5 milhões) e teve todas elas vendidas. Foi uma operação para capitalização do negócio em uma época em que estávamos crescendo novamente e havíamos consolidado o sistema de assinaturas nos EUA. Depois de tornarmos públicas uma parcela de nossas ações, voltamos a lucrar em 2003, assim como nossos acionistas. Podemos dizer que foi uma importante virada interna em nossa companhia.

VV – Uma vídeolocadora física pode adaptar-se e adotar o modelo utilizado pela Netflix? O que o senhor pode falar sobre o assunto?

Swasey – Qualquer empresa tem a liberdade de seguir o nosso modelo. É claro que temos uma série de mecanismos patenteados e que a cópia deles certamente seria um tipo de crime, mas nada impede que uma locadora física crie seu website e passe a entregar seus filmes no domicílio de seus associados. Tudo depende do tipo de clientela de cada loja e de cada região. E, claro, que o empresário tenha a visão para entender que o serviço tem potencial para funcionar ou não em sua região.

VV – O senhor conhece o mercado de locação brasileiro? A Netflix tem planos de se expandir para outros países, como o Brasil, por exemplo?

Swasey – Não posso dizer que sou um profundo conhecedor do mercado brasileiro de locação de filmes. O que posso afirmar é que o Brasil possui um dos maiores parques de locadoras do mundo e isso é bastante conhecido. Sobre a possibilidade de a Netflix ter uma filiar brasileira, posso afirmar que não está nos nossos planos. Nossa expansão se limita a atender a demanda dos EUA. Não planejamos chegar a outros países, como o Brasil, por exemplo, ou mesmo aos nossos vizinhos, como o México e o Canadá. Sei de outras empresas que adotaram o modelo de negócio em seus países, como o próprio Canadá, a Inglaterra e o Japão. A Netflix não pretende sair dos EUA.

Entrevista realizada por André Cavallini

 

 

 

Texto sobre Um Olhar do Paraíso

O texto a seguir foi publicado como matéria de capa da edição 202 (maio de 2010) da Ver Video. Ele é bem seco, sem opinião, feito para divulgar e apresentar o filme.

Eu vi o filme no cinema e não curti muito, não, para ser sincero. O Peter Jackson é muito bom, mas ele priorizou duas coisas: o visual e o elenco. Faltou uma história com nexo. De qualquer forma, está aí a dica de filme, em DVD e em Blu-ray.

Entre dois mundos

A história de uma garota, e de sua família, depois que ela é assassinada é contada de pontos de vistas diferentes pelo cineasta Peter Jackson em Um Olhar do Paraíso, que chega em DVD e Blu-ray pela Paramount

A vida da família Salmon é bastante agitada com os pais, Jack (Mark Wahlberg) e Abigail (Rachel Weisz) lutando para dar uma estrutura boa em casa para os três filhos, Susie (Saorsie Ronan), Lindsey (Rose McIver) e Buckley (Christian Ashdale). Em plenos anos 70, a garotada gosta muito de viver intensamente e curtir a recente liberdade que a sociedade dos EUA está ganhando. Porém, quando um estranho homem muda-se para a vizinhança dos Salmon, a paz sairá de cena. George Harvey é um sujeito quieto e com hábitos soturnos, em especial à noite, quando se isola em seu porão para construir objetos. Certo dia, Susie está caminhando de volta para casa depois da escola e dá de cara dom Harvey, que lhe convence a conhecer um lugar especial que ele construiu para a garotada do bairro. Ela aceita o convite e é a última vez que ela é vista com vida.

Enquanto a família sofre e se desestrutura com a perda, Susie se encontra vagando por um lugar desconhecido e mágico, em que ela consegue ver imagens maravilhosas e observar as pessoas que mais ama, como seus pais, irmãos e o rapaz por quem ela era apaixonada. Os Salmon vão de mal a pior com a obsessão de Jack em encontrar o assassino – e o corpo – de sua filha. Com isso, Abigail parte para um trabalho longe de casa. Então, para dar uma arrumada nas coisas, a amalucada avó Lynn chega na casa para cuidar dos netos. Do outro lado, Susie continua a viver ilusões ao mesmo tempo em que tenta ajudar seu pai a superar a morte dela. Quando Jack chega perto de Harvey, outra perda pode acontecer na família.

Esta é a história de Um Olhar do Paraíso, que a Paramount lança em DVD e Blu-ray para as locadoras neste mês. Com data de entrega prevista para o dia 22 de junho, o filme é o mais recente trabalho de Peter Jackson, mais conhecido pela trilogia Senhor dos Anéis, que produz efeitos visuais impressionantes sobre um roteiro sensível e com clima de mistério que pode agradar a diversos tipos de clientes diferentes nas lojas.

Um Blu-ray muito especial

Um Olhar do Paraíso chega em versão simples em DVD, mas tem sua edição em alta definição lançada em dois discos, com muitos Extras, além dos recursos de imagem e som impecáveis que o Blu-ray oferece. Entre os materiais adicionais, uma explicação de Peter Jackson sobre o mundo que ele cria no filme, detalhes de bastidores do processo de filmagem e de criação de Um Olhar do Paraíso e muito mais, tudo em alta definição. Uma edição muito especial!

Também no varejo e no rental

Além de Um Olhar do Paraíso, a Paramount também traz um ótimo filme simultaneamente para locação e vendas diretas ao consumidor. É Capitalismo: Uma História de Amor, instigante documentário do cineasta Michael Moore. Depois da crise econômica que assolou os EUA, Moore pegou novamente sua câmera indiscreta e foi bater na porta de políticos e bancos para saber a verdade por trás da falência de todo o sistema financeiro do país. Nos Extras, muito mais imagens curiosas e depoimentos polêmicos coletados pelo diretor. Chega dia 22 de junho.

E as crianças (e adultos, por que não?) não ficam de fora. No varejo, chega a Trilogia Shrek, que prepara o público brasileiro para o lançamento, previsto para julho, da quarta aventura do ogro mais famoso do cinema e seus amigos, Shrek Para Sempre.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Matéria sobre tendências: Entrevista iG e NetMovies

Recentemente, o portal de internet iG lançou um serviço de locação de filmes por meio da página deles – com o modelo e a cara da NetMovies – e a entrega é feita via delivery. Entrevistei as duas partes envolvidas no negócio e expus para os leitores da Ver Video como funciona o sistema.

Também preparei algumas dicas para o leitor da Ver Video, em grande parte presente no ramo do home vídeo, indicando como aproveitar as informações que as entrevistas renderam e tentar dar uma turbinada no negócio.

O texto abaixo pode ter sido editado e revisado em sua versão impressa.

Ver Video 201 – Mercado/Tendências – Entrevista iG e NetMovies

(título)

Em franca expansão

(olho)

Com um modelo de negócio bem-sucedido e começando uma parceria promissora, a NetMovies se estabelece no mercado adaptando um sistema de locação similar ao da Netflix e se une ao iG para criar o iG Filmes

(texto)

Na edição de março de Ver Video (nossa publicação de número 200), conversamos com executivos de duas grandes empresas do ramo do entretenimento doméstico dos EUA, do segmento da locação, em especial. A Redbox e a Netflix ganharam destaque por inovarem e adequarem modelos de negócios diferentes ao gosto do público de seu país, o que lhes deu grande destaque internacional, sem falar em lucros impressionantes. E um destes modelos já chegou ao Brasil. A NetMovies aproveitou a ideia da Netflix e, com uma adaptação no sistema de entrega dos filmes, já tem público consolidado em quatro estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, abrangendo cerca de 60 localidades. O sistema foi tão bem recebido que uma nova parceria surgiu. Um dos maiores portais de entretenimento do Brasil, o iG comprou a ideia de oferecer os serviços da NetMovies em seu portal e criou o iG Filmes, mais uma porta para o serviço de entrega de filmes em domicílio.

Aproveitando momento de avaliação dos modelos de negócios disponíveis no home video, Ver Video conversou com a Netmovies e com o iG a respeito da parceria entre as duas empresas e fez um teste do serviço durante 30 dias. A primeira parte do bate-papo aconteceu com o iG. Nossa reportagem conversou com seu presidente, Fábio Coelho. Na sequência, conversamos com o CEO (chief-executive officer, cargo equivalente a diretor geral) e sócio da NetMovies, Daniel Topel.

Parte 1 – Conversa com Fábio Coelho, presidente do iG

Ver Video – O iG é um dos pioneiros no mercado da informação via Internet, sem falar na área de e-mails e outros serviços on-line. A iniciativa também é pioneira entre os portais similares. Como surgiu a ideia de locar filmes pela página do iG?

Fábio Coelho – O pioneirismo está no DNA do iG. O portal se prepara para distribuir conteúdo próprio e de qualidade nas diferentes plataformas disponíveis, conquistando usuários dispostos a consumir informações e serviços através de canais variados. A proposta é nos aproximarmos cada vez mais dos clientes, entregando informações relevantes e serviços de qualidade e alto valor agregado. O iG Filmes (locação on-line de DVDs com entrega física) atende a este posicionamento e complementa perfeitamente o portfólio de serviços do iG, por associar a comodidade da Internet com a conveniência da entrega na casa do cliente.

VV – O iG Filmes tem como meta atingir que tipo de público?

Coelho – O iG Filmes é direcionado aos internautas de todas as faixas etárias que gostam de filmes, preferem assisti-los na comodidade de seus lares, na hora que desejarem, sem complicações. Com o iG Filmes, não há preocupação com a data de devolução, não há multa por atrasos e o cliente não precisa se preocupar em retirar ou entregar os DVDs. A proposta do iG Filmes é baseada na comodidade que a Internet proporciona, com a conveniência do recebimento em casa.

VV – Como surgiu a parceria com a NetMovies?

Coelho – Quando se desenha uma nova iniciativa de negócio, procuramos sempre um parceiro que tenha grande diferencial competitivo no mercado para garantir uma excelência de serviço e de experiência para os nossos clientes ou visitantes do portal. Ao identificarmos a oportunidade no mercado de filmes, selecionamos a NetMovies como parceiro nesta iniciativa.

VV – O iG e a NetMovies estão trabalhando em conjunto no iG Filmes, correto? Quem faz o que nesta parceria?

Coelho – O iG é o responsável por divulgar, ofertar o produto e criar o relacionamento com seus milhões de clientes e visitantes do portal, além de prestar atendimento sobre o serviço. A NetMovies disponibiliza e gerencia o acervo de filmes, é responsável por toda a operação da plataforma e logística de entrega.

VV – Que tipo de investimento o iG está fazendo para implantar o serviço?

Coelho – O iG Filmes é uma das apostas do iG para 2010 como serviço de grande valor para o cliente, por isto além de toda a nossa força de vendas, que inclui call centers, venda on-line, CRM e outras iniciativas; temos uma estratégia de divulgação consistente e um investimento nas plataformas corporativas para garantir a qualidade de nossos serviços.

VV – O acervo está sendo montado pelo iG ou é algum tipo de acordo entre as duas empresas?

Coelho – O acervo é gerenciado pela NetMovies e é composto por mais de 20 mil títulos de filmes em DVD ou Blu-Ray de todos os gêneros existentes, com crescimento diário em títulos e cópias para atender a demanda de crescimento da base.

VV – Qual a área de abrangência do serviço?

Coelho – Atualmente o serviço está disponível nas cidades de São Paulo (e na Grande São Paulo), Campinas, Santos, São Vicente, Guarujá, Ribeirão Preto, São José dos Campos, Taubaté, Bauru, Jundiaí, Caçapava, Jacareí, Itupeva, Itatiba, Várzea Paulista, Campo Limpo Paulista, São José do Rio Preto (SP); Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo, Nova Iguaçu, Duque de Caxias, Belford Roxo, Nilópolis, Mesquita (RJ), Belo Horizonte, Contagem, Uberlândia, Uberaba (MG) e Curitiba (PR).

VV – Quais as metas do iG Filmes para crescimento em 2010?

Coelho – Pretendemos ter uma presença forte em todas as praças de atuação do produto e ampliar a abrangência do serviço para tornar o iG Filmes, assim como a estratégia que temos para o conteúdo próprio,  uma referência em locação online para nossos clientes e internautas de forma efetiva e consistente.

VV – O que vocês enxergam no mercado do home video? O formato que o iG Filmes adota pode ser uma solução para os problemas com a queda do mercado?

Coelho – Acreditamos que está ocorrendo uma readequação do mercado, considerando-se o cenário atual tecnológico e econômico. O mercado sofreu com uma série de fatores conjuntamente, que passam pela queda do preço dos equipamentos, pela pirataria, pelas estratégias das distribuidoras, entre outros. Acreditamos que o iG Filmes atinja um público diferente dos que procuram as locadoras tradicionais, um público que utilize e prefira interagir com a Internet para selecionar e agendar a coleta, e que prefira a comodidade de ser um assinante para não se preocupar com prazos de entregas ou multas. Acabamos atingindo um perfil de cliente que, além da comodidade, privilegie a quantidade de títulos do acervo com a segurança de assistir a DVDs originais de alta qualidade. As locadoras, até por uma questão de limitação de espaço, não podem disponibilizar a abrangência de um acervo de mais de 20 mil títulos, que nos permite atender tanto ao fã de blockbusters quanto ao cinéfilo, fã de filmes de arte. Desde o público infantil, com clássicos que são dificilmente encontrados nas locadoras, até fãs de filmes de terror terão suas necessidades satisfeitas no iG Filmes.

VV – A área de streaming de vídeos também está nos planos?

Coelho – O iG já tem presença em transmissão de vídeos em streaming através do TV iG, um canal de vídeos destinado a levar informação e entretenimento ao usuário,  e do serviço de assinaturas de desenhos animados da CartoonNetwork (http://cartoon.ig.com.br). Estamos alinhados com a convergência de dispositivos que acontece no mercado e entendemos que estar com conteúdos multimídia em diversas plataformas é fundamental para a estratégia da empresa.

VV – O que o iG planeja para este mercado? Há planos de usar download digital, por exemplo?

Coelho – Nós já oferecemos o download de vídeos para os assinantes do CartoonNetwork, com DRM de autenticação e estamos estudando os modelos de negócio possíveis no mercado de vídeos.

Parte 2 – Conversa com Daniel Topel, CEO e sócio da NetMovies

Ver Video – Como surgiu a parceria com o iG para a criação do novo canal?

Daniel Topel – A parceria surgiu por iniciativa do próprio iG, que identificou uma grande oportunidade no mercado de filmes em casa e selecionou a NetMovies como o melhor parceiro para esse movimento. Nesta parceria, a NetMovies será responsável pela operação do serviço, incluindo implantação e gestão do site, logística de entrega e gerenciamento de acervo.

VV – Como isso afeta o atual formato da Netmovies?

Topel – A NetMovies operará sempre também com marca própria. Nada mudará no formato dos serviços que são oferecidos à nossa base de clientes, uma vez que o iG Filmes tem como foco ofertar este serviço de valor agregado para sua base de clientes e os visitantes do portal.

VV – Em termos de market share, como será a cobertura do serviço dos dois, Netmovies e iG Filmes?

Topel – Não existem números precisos sobre este mercado no Brasil. A NetMovies é a líder no setor, tendo adquirido, nos últimos anos, todos os concorrentes remanescentes da época do seu surgimento. Acreditamos que a participação do mercado, com iG, será superior a 70%.

VV – Como a NetMovies está encarando o mercado? Qual a resposta do segmento para o modelo de serviço que a empresa oferece?

Topel – Nada mais atraente do que receber filmes em casa, selecionando o que deseja assistir dento do maior acervo do Brasil. Essa forma diferente de alugar filmes é a marca registrada da NetMovies. Estamos, de certa forma, irremediavelmente identificados com o próprio segmento de mercado. Não adianta nada uma locadora tradicional se aventurar em um mercado que ela não tem conhecimento. Foco é fundamental e o consumidor procurará sempre o especialista no assunto. Crescemos mais de 100% de 2008 para 2009. Os números falam por si. O mercado está se habituando ao nosso modelo de serviços em uma velocidade impressionante.

VV – Desde o início da empresa até hoje, como avalia o crescimento do negócio?

Topel – Surgimos em 2006 e desde essa data temos crescido e melhorado o nosso resultado em todos os meses. Sem exceção. Não existem muitos negócios como o nosso.

VV – Qual o acervo da empresa hoje? Quantos títulos diferentes e quantos discos, literalmente, compõem o acervo da NetMovies?

Topel – Mais de 20.000 títulos diferentes e uma grande quantidade de discos. O número exato de discos é um de nossos segredos e está intrinsecamente relacionado com os algoritmos inteligentes que usamos para aperfeiçoar nossa operação. Não adianta tentar fazer igual se você vem do mercado de locação tradicional. Você vai acabar quebrando porque a sua plataforma não vai funcionar.

VV – Quantos usuários a empresa contabiliza atualmente e quantas locações são feitas por mês, em média?

Topel – Foram cerca de 10.000.000 de locações em 2009, com uma média de 800.000 locações por mês, aproximadamente.

VV – Quais os filmes mais procurados?

Topel – A lista é grande. Ao contrário do senso comum existem muitos filmes antigos que estão entre os mais procurados.

VV – Qual o perfil de usuário do serviço?

Topel – Pessoas de todas as idades e classes sociais. O traço comum é o amor pelo cinema de uma forma mais abrangente. Acredito que muitos dos “heavy users” de cinema no Brasil hoje são clientes NetMovies.

VV – Como está a resposta dos usuários com relação ao Blu-ray?

Topel – Muito boa. Está crescendo bastante e acho que 2010 será o ano do Blu-ray. Chegamos muito rapidamente a 10% da base de assinantes com acesso a Blu-ray e o número não para de crescer.

VV – O serviço de streaming é algo novo no mercado. Como foi a implantação do serviço e como está a resposta do público?

Topel – Os cadastros em nosso site aumentaram muito por causa do streaming. Estamos trabalhando para obter mais conteúdo. Notícias muito boas estão a caminho.

VV – Há uma série de filmes disponíveis nesse serviço que e não podem ser assistidos no presente momento. O que se pode esperar que mude nisso?

Topel – Conteúdo ainda é o gargalo para adoção em massa da distribuição digital. É assim para várias empresas do setor. Essa situação irá melhorar em 2010.

VV – Quais os planos para 2010? Haverá aumento na demanda pelo Blu-ray?

Topel – Em 2010 a estratégia é ainda mais agressiva no lançamento de inovações no nosso mercado. Esperamos um forte aumento na demanda por Blu-ray em função do barateamento dos dispositivos. Vamos aprofundar também nossa oferta de streaming com muito mais conteúdo e com a melhor qualidade de transmissão do mercado.

(Entrevistas realizadas por André Cavallini)

BOX 1 – O be-a-bá da locação via Internet com entrega em domicílio

(abre)

Usar a Internet para alugar filmes e receber os discos sem sair de casa. Esta é a ideia-base para um dos serviços mais bem-sucedidos de locação nos EUA. No Brasil, a NetMovies é um representante de peso deste segmento e está ganhando cada vez mais evidência no mercado. A parceria da empresa com o portal iG parece ser o passo seguinte para tornar este tipo de serviço ainda mais popular no país. Na concorrência, a Blockbuster também já aderiu ao sistema e tem parcerias fortes com as Lojas Americanas e com o Submarino, que oferecem os serviços de locação em suas páginas na Internet. No entanto, mesmo com tamanho crescimento, será que este modelo de negócio é realmente eficiente para o consumidor? Ver Video resolveu, mais uma vez, colocar o sistema à prova e descobrir isso. Confira!

(texto)

Ao visitar o portal virtual da NetMovies (www.netmovies.com.br), o cliente já consegue ter uma ideia de como funciona a locação na empresa. Apesar de toda a informação que chega de uma só vez, o que pode acabar pesando um pouco num primeiro momento, é claramente visível a proposta desta locadora: dar comodidade ao consumidor. Deixar que o cliente escolha entre seus 20 mil títulos os que preferir e receber sem ter que sair de casa. Em São Paulo, por exemplo, o começo de 2010 foi de muito calor e chuva, o que tornava o serviço da NetMovies bastante atraente, já que não era preciso enfrentar as intempéries meteorológicas para alugar um DVD. O primeiro passo para locar um filme é o mesmo de qualquer loja física – o preenchimento de um cadastro. Só que a primeira diferença surge logo de cara. Para seguir com o processo, é preciso escolher qual o plano de locações adotar. São oferecidos cinco planos diferentes, com algumas variações em cada um deles. Estas mudanças podem ser na quantidade de trocas mensais e na adição do acervo de discos de Blu-ray ao plano. O pacote selecionado por ver Video foi o Light com a opção de oito filmes em casa (dois ao mesmo tempo) ao mês.

Depois de selecionado o plano e preenchido o cadastro, com a inclusão da forma de pagamento (cartão de crédito ou débito em conta corrente), é possível escolher quais filmes farão parte da sua lista. A preparação da listagem de filmes é um item muito importante e interessante do processo de locação, já que é com base nele que a NetMovies envia os filmes para os clientes. Para escolher os DVDs que deseja locar, o cliente precisa apenas clicar no botão “incluir” dentro da ficha de cada filme. Os produtos estão ordenados de diversas formas, como gênero, lançamento ou sugestões da loja, que variam por tema também. Uma vez escolhido o filme, colocado na lista, outro ponto crucial é determinar a ordem em que os filmes serão enviados para a casa do cliente. Na seção “meus filmes”, o assinante tem acesso a todos os filmes que escolheu incluir em sua lista. Agora, é possível alterar a ordem de envio deles. E é justamente neste momento em que o cliente descobre quais estão disponíveis para envio imediato e quais podem demorar um pouco mais para chegar em casa. Em frente ao nome do filme há uma coluna chamada “Disponibilidade”, onde o portal informa se o produto está livre para locação imediata ou se depende da devolução de outros clientes. Além da classificação “disponível”, indicando que o filme está pronto para ser enviado, há outras três nomenclaturas: baixa, média ou alta, mostrando que pode ser um pouco mais complicado receber o título escolhido. Mesmo assim, estando o produto à mão, ele é entregue no prazo determinado, sem problemas.

Uma vez que os DVDs chegam à casa do cliente, lacrados em um envelope plástico personalizado (os produtos não são enviados nas caixinhas tradicionais), é preciso ter alguma pessoa no local para recebê-los e assinar o protocolo. Não há prazo para devolução. A retirada dos discos é feita de acordo com a programação que o cliente faz no site (seção “meus filmes”). O limite de trocas e a quantidade de filmes são determinados para cada plano, porém, não se acumulam. Caso o assinante permaneça com o mesmo filme o mês inteiro, o valor é cobrado integralmente e as locações continuam limitadas ao número padrão de cada pacote, sendo renovados a cada cobrança nova.

Concluindo, há o serviço de streaming de filmes, batizado de “Live”, no portal da NetMovies. No entanto, não se pode dizer que o teste foi bem-sucedido, já que a mesma mensagem de conteúdo restrito era emitida a cada novo link acessado. Quando o número de telefone para atendimento ao assinante era utilizado, ora o tom de ocupado, ora a mensagem de espera eram a resposta. Portanto, ainda há muito que melhorar. (André Cavallini)

BOX 2 – Netflix X NetMovies: modelos iguais ou parecidos?

(abre)

Com base no que foi observado nos modelos de negócio da empresa norte-americana e da brasileira, Ver Video aponta a seguir algumas características similares e opostas entre a Netflix e a NetMovies, mostrando o que pode ou não ser aproveitado pelo público brasileiro.

(texto)

O que há de comum?

  • Ambas utilizam a Internet como base para que os assinantes (clientes) acessem e escolham os filmes que querem ver. Com isso, não há necessidade de inúmeras lojas para atender a demanda;
  • Os discos enviados aos clientes são despachados em envelopes personalizados, etiquetados para melhor controle. O fato de transitarem dentro de envelopes também diminui o custo de transporte, manutenção e de manuseio;
  • O acervo é gigantesco, com muitas opções (guardadas as devidas proporções entre as empresas). No entanto, não é preciso investir em exposição dos filmes, o que facilita e muito a logística das empresas, que podem usar esta verba para aumentar e diversificar seu acervo.

O que há de diferente?

  • Apesar de a Netflix e a NetMovies oferecerem a opção de streaming, há muitas diferenças entre os produtos. A principal delas é o fato de os filmes disponíveis nos EUA serem lançamentos e catálogos e aqueles no Brasil serem antigos, já com os direitos autorais em domínio público (maioria);
  • O sistema de envio de produtos das duas empresas difere muito. A estrangeira envia seus discos por meio do correio. Já a nacional utiliza um portador. O lado bom do sistema brasileiro é que isso facilita a vida do cliente. No entanto, limita as entregas dependendo das circunstâncias de trânsito e de demanda, o que não ocorre lá fora;
  • A NetMovies cobre cerca de 60 cidades, em quatro estados brasileiros. Isso deve mudar com a chegada do iG Filmes, que tem visibilidade nacional e deve expandir o modelo para outros lugares. A Netflix atinge os EUA por completo. Isso acontece por causa do sistema de entrega, já aqui mencionado.

BOX: Serviço

(Abre)

Cinco itens deste modelo de negócio que podem ser aproveitados pelas locadoras no Brasil, apontados por Ver Video:

1.    Conheça bem o seu cliente. Descubra se a Internet pode ser sua aliada e aproveite isso para promover sua loja;

2.    Avalie a procura pelo sistema de assinaturas – pode ser vantajoso ter assinantes, já que a renda vinda deles é fixa, independentemente da circulação dos filmes;

3.    Entrega e retirada dos filmes pode ser interessante, mas custoso. Veja onde seus melhores clientes residem e avalie se vale a pena investir nisso – pode ser um grande atrativo para sua locadora implementar o serviço;

4.    Promoções temáticas são sempre um atrativo para os clientes. Preste atenção no que está acontecendo lá fora e deixe um espaço, mesmo que pequeno, para sugestões de locação. Pode ser o diferencial entre o cliente levar ou não outros filmes;

5.    Caso seja franqueado ou tenha mais de uma loja, pense em unir seu acervo. Abra a opção de intercâmbio de filmes entre as lojas para seus clientes. Às vezes um filme pode não estar livre em uma loja, mas esteja em outra. Manter o cliente satisfeito faz com que ele volte sempre.

Entrevista com Sandra Werneck

Posted in cinema,cotidianos,entrevista,filmes,pensamentos,texto por andre1979 em outubro 27, 2010
Tags: , , , ,

Saudações,

O texto abaixo é o resultado de uma entrevista que fiz por telefone com a cineasta Sandra Werneck na ocasião do lançamento do filme Sonhos Roubados, disponível hoje em DVD pela Europa Filmes.

O texto, que pode ter sido editado e revisado em sua versão impressa, foi publicado na revista Ver Video, edição 201 (abril de 2010).

Uma boa dose de realidade

A vida de três meninas em uma favela carioca ganha cores dramáticas e verdadeiras em Sonhos Roubados, filme dirigido por Sandra Werneck que chega aos cinemas em abril

Diversos retratos do modo de vida da classe mais pobre da sociedade brasileira já foram pintados. Sob diferentes óticas, grande parte das produções que trazem o cotidiano de quem reside em uma favela termina por focar o crime e a violência social, em especial aquela protagonizada por homens, jovens ou não. E este tipo de abordagem termina por dar certo glamour a este estilo de vida destemido, que tira da frente as dificuldades à bala e deixa ainda mais fina a linha que separa o criminoso de um herói, um mártir. Mas como é a realidade das mulheres mais jovens em um mundo bruto como este? Meninas que amadurecem rapidamente sob a pressão de começar muito cedo uma família, sem apoio familiar, educação e esperança. Foi com a meta de expor a dificuldade que as garotas que nascem e vivem nas favelas cariocas que a cineasta Sandra Werneck rodou Sonhos Roubados, ganhador do prêmio de Melhor Longa-Metragem de Ficção de Voto Popular no Festival do Rio de 2009.

Chegando aos cinemas nacionais em 23 de abril, esta produção narra as histórias de três jovens, Jéssica (Nanda Costa, ganhadora do prêmio de melhor atriz no Festival do Rio em 2009 por seu papel), Daiane (Amanda Diniz) e Sabrina (Kika Farias), melhores amigas que vivem em uma comunidade pobre em um morro fluminense, encaram a dura realidade de viverem na miséria e usarem a prostituição como sustento. Para falar mais sobre como nasceu Sonhos Roubados e outros assuntos interessantes, Ver Video conversou com Sandra Werneck, que, além de dirigir, roteirizou e produziu o filme.

Ver Video – As atuações das três protagonistas são muito intensas. Sandra, como você escolheu o elenco principal de Sonhos Roubados?

Sandra Werneck – Foram muitos testes, muitos mesmo. Não escolhi ninguém por indicação. Demorou bastante. Aconteceu uma coisa até engraçada, para você ver. A Kika (Farias) havia sido escolhida para viver a Jéssica, papel que foi interpretado pela Nanda Costa. Depois, pensei melhor e achei que ela seria ideal para a Sabrina. Já a Nanda veio para fazer o teste comigo e pedi a ela uma improvisação, que ela fez e passou.

VV – Em Sonhos Roubados, há também a presença de diversos nomes de destaque do cinema e da televisão brasileira, como a Marieta Severo, o Ângelo Antonio, o Daniel Dantas e o Nelson Xavier, por exemplo. Como eles entraram no filme?

Sandra – Algumas das pessoas que fazem parte do filme eu já tinha em mente quando comecei o projeto. Com o Ângelo (Antonio), por exemplo, eu já queria trabalhar fazia tempo. Ele é ótimo e eu gosto muito do trabalho dele. Eu achei que ele faria um bom pai para a Daiane (Amanda Diniz), pois ele é jovem. A Marieta (Severo) e eu conversamos bastante antes dela entrar em Sonhos Roubados. Ela interpreta a Dolores, uma cabeleireira que fica amiga da Daiane e ganha destaque. Marieta tinha muito medo de fazer a Dolores parecida com a Dona Nenê de A Grande Família, já que ambas as personagens são cabeleireiras e ela não queria que isso acontecesse. Então, mexemos bastante no roteiro e adaptamos tudo para que a personagem dela não ficasse em nada parecida com a que ela faz na TV.

VV – E o resultado disso ficou nítido no filme.

Sandra – É verdade. Não há nada de parecido entre as duas personagens. A Marieta criou duas personalidades totalmente diferentes, ficou muito bacana mesmo.

VV – Como você completou o time de atores?

Sandra – O Nelson (Xavier) é outro ator com quem eu há tempos queria trabalhar. Ele trouxe para o papel, Seu Horácio, avô de Jéssica, o que eu buscava, um toque verdadeiro. O Daniel (Dantas) foi um caso à parte, já que ele interpreta um personagem complicado, o Tio Pery. Eu tinha que colocar um pedófilo na história, fazia parte do roteiro, e o Daniel tem um jeito meio tranquilo, um olhar mais inocente e dócil. Eu não queria um homem com cara de mau para isso, tem que ser alguém com cara de bonzinho, que não deixe essa maldade transparecer.

VV – O seu roteiro é baseado no livro As Meninas da Esquina (Editora Record), de Eliane Trindade. Como surgiu a ideia de adaptar o texto para o cinema?

Sandra – O filme não é uma transcrição do livro. Na verdade, o material da Eliane Trindade serviu como inspiração, como base, para o roteiro que eu escrevi. Peguei as meninas que ela retrata no livro dela, olhei o que tinha de melhor e que poderia ser filmado, mas que não deixasse o filme pesado demais – o livro é muito forte e tem coisas que não poderiam ser passadas para as telas. Tem coisas que no texto são permitidas, mas que em filme não podemos traduzir.

VV – E quando surgiu a ideia de fazer este filme?

Sandra – O pensamento veio quando eu estava terminando de filmar um documentário chamado Meninas, em 2006, cujo tema é a gravidez precoce. É um documentário que foi exibido até em Berlim, estava no programa Panorama. E eu estava envolvida na produção e quis conhecer melhor esse mundo, então me aprofundei mesmo, coloquei uma lente de aumento nesse assunto. Mesmo porque os filmes atuais só falam dos meninos que vivem nesse universo, quase ninguém mais fala das meninas das favelas.

VV – Em sua carreira, você trabalhou histórias muito diferentes, em gêneros diferentes, como Cazuza – O Tempo Não Para (2004), Amores Possíveis (2001) e Pequeno Dicionário Amoroso (1997). Podemos dizer que essa diversidade é sua marca?

Sandra – Sim. Eu adoro esta variedade. Eu não gosto de me repetir, entende? Apesar de eu sentir que em Sonhos Roubados eu esteja me repetindo, já que resgato um tema em que já trabalhei em documentário.

VV – Sonhos Roubados tem mesmo um ar documental, com uma comunidade real como cenário. Onde o filme foi rodado?

Sandra – Filmei em Ramos e em Curicica, no Rio de Janeiro.

VV – Foi difícil conseguir filmar nessas comunidades?

Sandra – Não, pelo contrário! O pessoal me recebeu super bem, foi maravilhoso. Posso dizer que a melhor parte do processo de desenvolvimento desse filme foi a filmagem nesses locais.

VV – Essa boa recepção pode ser considerada um toque especial no filme? Um diferencial?

Sandra – Sim, as pessoas contribuíram muito para o filme. Todos os figurantes são das comunidades onde filmamos. Todo o cenário é verdadeiro, não construímos nada. Os bares, os lugares onde acontecem as festas, enfim, tudo de verdade. Acredito que a soma disso deu a veracidade que era necessária ao filme.

VV – Como você captou recursos para realizar Sonhos Roubados?

Sandra – Eu ganhei um edital do BNDES e um da Petrobrás. Também tive grandes aliados, verdadeiros parceiros, que foram a Bayer Shering Pharma, a Oi e a Childhood, uma ONG ligada à proteção da juventude, relacionada ao combate á exploração sexual, à violência contra a mulher, a esses tipos de crimes. Quem é a maior representante dessa organização é a Rainha da Suécia, a Sílvia.

VV – O fato de ter uma ONG patrocinando o filme pode hastear uma bandeira em prol dessa causa?

Sandra – Não, não uma bandeira. Na ONG me ajudaram a olhar melhor para essa questão também, sabe? Não devemos olhar para essas meninas com pena, não quero dizer isso. Eu mostro a vida delas. É claro que a dureza machuca os olhos. Elas vivem o presente e só, não pensam no futuro. A meta aqui é entender o resultado da falta de possibilidades que elas vivem. Elas lidam com o momento, com as necessidades imediatas, então fazem o que precisam para sobreviver. Mas qual o futuro delas? Um outro aspecto muito interessante é a união entre as três protagonistas, já que elas estão sempre um ao lado da outra nas situações. Elas não têm uma estrutura familiar para garantir a segurança delas e acabam tendo apenas as amigas como apoio. Podemos dizer que Sonhos Roubados também é um filme sobre a amizade.

VV – A amizade entre as meninas acaba sendo o fio que conduz a história, então?

Sandra – Isso mesmo. O filme começa com as três juntas e termina com elas reunidas. A amizade entre elas é o que une as histórias.

VV – Como a Europa Filmes entrou na produção para fazer a distribuição do filme?

Sandra – Conversei com o Wilson Feitosa, diretor geral da Europa Filmes, quando o filme já estava pronto e estivemos juntos pouco antes do Festival do Rio. Ele assistiu ao filme, gostou e resolveu distribuir.

VV – Há algum material especial preparado para quando Sonhos Roubados chegar em DVD?

Sandra – Tem o making of, trailer e uma série de takes que separamos durante a produção do filme e que devem entrar no DVD. Meus filmes sempre têm o making of e uma série de materiais extras. E quem fez o making of de Sonhos Roubados foi minha filha, então, esse não vai faltar.

 

Próxima Página »