Pensamentos Cotidianos, por André L C Ferreira


26-02-2008 Filmes de janeiro e fevereiro, até agora…

Desde o penúltimo post, quando falei sobre o filme O Caçador de Pipas e mencionei a febre que Eu Sou a Lenda estava se tornando, não resisti e tive que conferir este trabalho de Will Smith. Pois, não me arrependo de ter visto o filme e vou dizer o motivo. Não agora, já já.

Durante as lacunas de ociosidade, tanto domésticas quanto profisisonais, aproveito para assistir aos filmes que posso. Obviamente, nem todos são dignos de comentário, inclusive, faço questão de negar que vi, de tão ruins que são. Um deles foi o campeão do Framboesa de Ouro. Isso não vem ao caso. O assunto são os filmes que valem a pena serem mencionados. De qualquer forma, já que mencionei este pedaço de desgraça cinematográfica, fica a nota: não vejam Eu Sei Quem Me Matou. Pronto, saiu. Agora, aos que interessam, verdadeiramente.

Segue uma pequena lista de filmes que vi em dois meses, depois de O Caçador de Pipas: Eu Sou A Lenda, O Reino, O Ultimato Bourne, Ligeiramente Grávidos, Eu os Declaro Marido e… Larry, Siga o Mestre, Saneamento Básico – O Filme, O Albergue 2, Blade Runner, A Morte Pede Carona, Paranóia, Ghengis Kahn, Mandando Bala, Invasores, O Vidente, Escorregando Para a Glória, Heavy Metal (animação), Metal, O Fantasma do Futuro (animação),  Kung Fu-são, A Dona da História, Natal Sangrento, 1408 e quatro fitas VHS de desenhos do Pica-pau (o clássico). Acredito ter visto bem mais, porém, não lembro mais todos os nomes. Além disso, têm muitos outros que eu me recordo, todavia, não são dignos de serem mencionados.

Feita a lista, os destaques ficam por conta das animações, uma japonesa e outra norte-americana. O Fantasma do Futuro trata de uma era na qual boa parte das pessoas possui alguma alteração robótica feita em seus corpos, desde membros até o cérebro. O fantasma é um vírus orgânico que consegue entrar nas partes eletrônicas e as controlar, tomando conta de seu dono. O tal invasor possui mente própria e é uma evolução dos organismos sintéticos. A trama gira em torno da caçada de um grupo de agentes a tal organismo. Brilhante. Já Heavy Metal é um desenho oitentista com uma trilha sonora excepcional, além de ter traços fantásticos. São diversas tramas que ora se encontram, mas que possuem características, traços e trilhas diferentes. Outra pérola que recebi via VHS do Rogério (chefe) e que passei em DVD para ele.

Ainda na linha dos destaques, os filmes de ação que tenho visto me agradaram muito. Em especial, O Reino e O Ultimato Bourne. O primeiro se passa no Oriente Médio e narra a história de um grupo de agentes do FBI, enviados ao local para investigar uma série de atentados a conterrâneos e são pegos pelas dificuldades, tanto de relacionamento com os aborígenes quanto com relação ao que motivou os ataques. Um ótimo filme. O segundo, findando uma trilogia que já não será mais uma trilogia, é o melhor dos três protagonizados por Matt Damon. Bourne resolve, depois da morte de sua mulher, descobrir seu passado e quem foram os responsáveis por seu recrutamento e treinamento. Muita movimentação, lutas coreografadas com perfeição, momentos de tensão e um final digno para a suposta trilogia. Digo isso pois li no Omelete (www.omelete.com.br) que haverá uma quarta parte. Por mim, poderia acabar no terceiro, já que foi muito bem e levou três Oscar (no singular, pois fica implícito em Oscar a palavra prêmio(s), que decidi suprimir).

Mais um de ação que é digno é Mandando Bala!, com Clive Owen (Arthur), Paul Giamati (ótimo) e Mônica Bellucci (beldade). Antes de assisti-lo, porém, esqueça tudo o que é real, plausível, fisicamente possível e pense que está adentrando um gibi adulto. Esse é o mundo desta película. Neste cenário, funciona muito bem e é bem divertido. Absurdo, mas divertido. Atenção para o tiroteio em queda-livre.

Outros filmes que vi e que também são recomendados são algumas comédias. Escrevi um texto para a DVD News sobre Saneamento Básico, O Filme. Gostei da produção, de Jorge Furtado, responsável por outras comédias muito legais, incluindo O Homem Que Copiava. O ritmo é um pouco lento e a comédia está centrada nas peculiaridades dos personagens. Quando vi o filme, parecia que estava lendo um livro. Valeu a pena. Ligeiramente Grávidos e Eu os Declaro… também merecem uma olhada. Os dois filmes tratam de casais improváveis e as situações cômicas estas uniões geram. Em Grávidos, uma gravidez acidental une uma apresentadora do E! com um maconheiro sem noção. O resultado é divertido, em especial, a aventura de achar um ginecologista que agradasse a moça. Nos extras, o ginecologista, que não foi o escolhido, dá um show. No segundo filme, Adam Sandler e Kevin James (de King of Queens) são hilários e as situações que eles criam são fenomenais. Não contarei mais sobre este por que não quero estragar a diversão de quem for vê-lo.

Agora, vamos ao filme que me inspirou há um mês, Eu Sou A Lenda. Em primeiro lugar, ele não é a lenda. Pelo menos, não do cinema. Gostei do filme. Contudo, tem seus apesares. Antes de falar deles, vamos aos seus pontos fortes. Will Smith está ótimo, atua muito bem como ator dramático e de ação ao mesmo tempo. Os cenários estão muito legais, a cidade abandonada, as lojas, as ruas, o laboratório dele, os flashbacks. Enfim, o processo de construção do ambiente funcionou bem. Os apesares acabam deixando o filme na média, infelizmente. O primeiro deles é o enredo.

OBS: Se você ainda não viu o filme, pare por aqui. O que virá na seqüência será um spoiler, revelarei algumas passagens cruciais do filme e isso estragará a surpresa de quem ainda não o viu. 

Continuando. Não li o livro que originou este roteiro. Entretanto, parece que faltou alguma coisa. Como um bom entendedor, fica claro que o chefe das criaturas possui uma motivação anormal para perseguir Smith da forma como fez. É óbvio que a garota-mutante que o protagonista captura era importante para o monstro. Porém, nada do que é dito ou indicado pelas atitudes dos personagens revela isso de forma clara. Se foi uma sacada do roteiro, foi muito mal feita. Outra coisa é a forma como as criaturas são criadas. Todas são geradas por computador. Isso mata a empatia/antipatia que o público poderia ter criado com elas. Não possuem expressão definida, exceto aquela fúria e os moviementos animalescos. Um ator de verdade teria arrebentado e dado muito mais veracidade aos sentimentos dos mutantes.

A pergunta é: eu indico ou não este filme ao leitor? A verdade é que não sei. A balança está exatamente no meio, um equilíbrio perfeito. O plus para o lado bom do filme é a duração. São cerca de noventa minutos de entretenimento. Se você não tiver o que fazer e o filme estiver fácil, assista. De outra maneira, alugue os outros que indiquei.

Por enquanto é só. Se quem está lendo quiser que eu fale mais sobre os filmes que mencionei ou mandar uma crítica, deixe um recado ou me mande um e-mail (alcferreira@gmail.com). Terei prazer em responder. Talvez surja outra lacuna entre este post e o próximo. Vou me dedicar um pouco ao Guia de Filmes de Terror, um novo blog que estou planejando. Já criei até o endereço: guiadeterror.wordpress.com . Ainda não tem nada lá. Assim que tiver, deixo um recado aqui.

Até o próximo texto!

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Lendas do cinema – 23/01/2008

Posted in 23-01-2008,cinema,cotidianos,heath ledger,pensamentos,texto,will smith por andre1979 em janeiro 23, 2008

Sábado passado, 19/01, fomos assistir O Caçador de Pipas no cinema. A expectativa era bem grande já que tenho o livro, a Li já tinha lido e eu estava em processo de leitura (ainda incabado na presente data). Pelo que já absorvi do livro, o filme não foge muito do enredo, apenas o adapta para caber em cerca de duas horas de duração.

Sobre o livro, como ainda não acabei de degustá-lo, deixo para outro texto minha opinião. Ressalto que, apesar da campanha de marketing em torno dele, está valendo a pena dedicar algumas horas da minha vida a consumi-lo. Fica a lição contra o preconceito cultural, algo que tenho, não nego, contra as “modas” que surgem de tempos em tempos.

Sobre o filme, gostei muito do que vi. A primeira supresa ficou por conta da qualidade da interpretação dos garotos durante a primeira fase da história. É impressionante como o Hassan ficou parecido com o livro. Seus gestos e a inocência do personagem foram muito bem transpostas. O único pecado foi a falta do lábio leporino que o livro descreve como característica do garoto hazara.

Para finalizar o assunto e revelar a segunda surpresa sobre o filme, o pai de Amir rouba a cena. O Baba ficou fantástico. O ator Homayoun Ershadi foi muito bem e quase fez minhas lágrimas descerem na cena em que o personagem morre (que conste nos autos que fiz muito esforço para que tal fato não ocorresse, besteira minha). Enfim, vale a pena ir ao cinema e conferir o filme. Uma pena que apenas 75 salas estão exibindo o filme no País (contra as 400 que exibem o filme de Will Smith).

Falando em Will Smith, estava com muita vontade de ir ao Cinemark e descobrir o porquê de Eu Sou A Lenda ser esse fenômeno de bilhereria. Até o presente momento, segundo fontes confiáveis, a produção hollywoodiana chegou a quase 250 milhões de dólares apenas nos EUA. Impressionante. Pelo que vi sobre a película, ele é o único sobrevivente de um vírus que dizimou a humanidade. Porém, Smith descobre não estar sozinho e se vê cercado por mutantes e blá blá blá… Acho que perdi a vontade de ver o filme.

Ontem tive a oportunidade de apreciar uma produção coreana que me surpreendeu. O Hospedeiro é um filme diferente. Quando os créditos finais aparecem e quase duas horas se passaram, fica um misto de sensações. A primeira que me veio à cabeça foi uma crítica às intervenções de certo presidente oriundo do norte da América, sem citar nomes, nos países que lhe parecem uma ameaça. É óbvio que os novos romanos querem o mundo. A diferença para os antigos romanos é a mídia, as pessoas podem se comunicar muito mais rapidamente do que outrora. A seguir, extrairei do filme um exemplo e você poderá ter uma idéia do que estou dizendo.

O enredo da produção conta a história de uma criatura que surge de um rio, ponto turístico de uma cidade, e causa pânico na população. O destaque é uma família que trabalha e vive às margens do tal rio, personagens centrais do enredo. A forma como eles sofrem a interferência do bicho, são separados, presos, internados e acabam sendo os únicos a enfrentar a situação de forma efetiva, computando, ao mesmo tempo, os prejuízos de tais ações. Tudo isso, observados pelo governo, submisso aos interesses norte-americanos, que fazem uma mal-sucedida intervenção na situação.

A cena-exemplo mencionada acima se passa em um necrotério coreano. O chefe do local, um novo romano, começa a inspecionar o trabalho de limpeza de um funcionário, nativo, e reclama da sujeira sobre os móveis e sobre umas garrafas estocadas pela sala. O empregado tenta se explicar, mas o superior não lhe dá ouvidos e manda que o conteúdo das garrafas seja despejado na pia, já que estão imundos e ele não gosta disso. O subordinado se recusa e explica que o esgoto será jogado no rio, o mesmo em que a criatura se origina futuramente, e os produtos são tóxicos e a poluição será inevitável. O chefe não quer saber e manda o homem dar cabo de suas ordens. Com a palavra final dada, o líquido se esvai pelo esgoto e acaba no destino previsto pelo funcionário. O que acontece depois fica óbio: uma mutação ocorre e uma criatura surge depois da mistura do tal líquido com a população animal do ambiente contaminado. Fica claro o recado para o governo e de quem é a culpa do que virá a acontecer durante o filme.

Como o chefe da cultura popular manda, todos acabam ficando curiosos em conferir Will Smith no cinema. E o tóxico desce pelo esgoto novamente. A crítica aplaude o filme. Os números na bilheteria provam isso. Até agora, não ouvi uma palavra de quem, de fato, foi ver de perto a obra cinematográfica.

O que fica na minha cabeça é o fato do livro que deu origem ao filme, escrito por Richard Matheson, não ser conhecido pelo grande público, apesar de ser bastante digno. As versões para o cinema feitas anteriormente, protagonizadas por Charlton Heston [71] e Vincent Price [64], não fizeram o mesmo barulho. Com certeza, depois do estouro da versão de 2007, as prateleiras os esperam novamente.

No fim das contas, sabe o que vende o filme? WILL SMITH. Sem sombra de dúvidas. Se o cara aparecesse na televisão vendendo chiclete, seria o chiclete mais vendido da história. É tudo uma questão de marketing. O pior é que eu gosto do cara. Deve ser o Tico… Ou o Teco…

Por falar em atores apreciados, ontem morreu um dos meus favoritos, Heath Ledger. Aos 28 anos (mesma idade deste que digita o presente texto). Isso me chateia profundamente. Ver um cara talentoso, que tem um filme para ser lançado no meio do ano, The Dark Knight (o novo do Batman), que tem tudo para ser um sucesso, perder a vida assim. Ainda não se sabe como isso aconteceu, de fato. Contudo, está consumado e o cinema perdeu um grande talento, que não se vendeu à indústria das comédias e dos romances pré-fabricados e se dedicava a papéis desafiadores, como em Brokeback Mountain, entre outros.

É isso. Os artistas do cinema vêm e vão. Os filmes continuam e as campanhas para seduzir o público também. O objetivo deste texto era apenas colocar algumas reflexões no ar e ver o que acontece. Ainda não sei se vou ver o WILL SMITH e o tal filme novo dele… Tudo depende de três fatores: Tico, Teco e se minha namorada topará a parada. O que sei é que não podemos deixar nossa atenção toda em cima de um ícone e ver outras produções muito boas como O Caçador de Pipas e O Hospedeiro passarem por nós sem serem notadas. O mercado oferece boas opções, com certeza. Só precisamos procurar melhor e preparar a pipoca para quem as merece.

Até o próximo texto